Os bancos enfrentam forte queda na liquidez do mercado de câmbio futuro na BM&FBovespa onde estão com posições “vendidas” de US$ 5,8 Bi.
Os bancos enfrentam forte queda na liquidez do mercado de câmbio futuro na BM&FBovespa onde estão com posições “vendidas” de US$ 5,8 Bi, o que dificulta a “zeragem” das mesmas, que passaram a objetivar após o BC ter alterado a sua dinâmica nos leilões de compra de dólares diários, a partir de 13 de outubro, passando a retirar volumes menores do que os excedentes do fluxo e desestimulando, o que promovia até então, a formação de posições “vendidas” por parte dos bancos no mercado de câmbio à vista, e, que se constituíam em instrumento de manobra dos mesmos pró-apreciação do real.
Mantendo os bancos “comprados” no mercado à vista, o que não é conveniente aos mesmos por ter um custo de carregamento, em tese, estes deveriam passar a dar sustentabilidade do preço da moeda americana e até colocá-la em perspectiva de alta. Contudo, como os bancos foram surpreendidos pela mudança de atitude do BC, pois haviam ampliado suas posições “vendidas” no mercado futuro de dólar certos de que o BC continuaria estimulando suas posições “vendidas” no mercado à vista ao retirar volumes acima do fluxo, e, a partir das quais “comandavam” a apreciação do real, perderam a capacidade de artificializar o preço do dólar deixando-o à mercê de seus interesses de ganhos ampliados.
Este fato importante sinalizou então a necessidade de cobrirem suas posições “vendidas” no mercado futuro de dólar, mas com o preço da moeda americana muito baixo, a oferta praticamente desaparece no mercado futuro e restringe demasiadamente a liquidez.
A lógica é que a liquidez no mercado futuro de dólar retorne com o preço da moeda americana num piso superior aos praticados atualmente, porém os bancos pretendem zerar as posições “vendidas” naquele segmento mantendo o lucro preconizado, e, em razão disto atuam no mercado à vista contingenciando fortemente qualquer movimento de recuperação de preço do dólar, já que este segmento é que está ditando o preço, até que consigam atingir o objetivo da zeragem.
E estão “jogando pesado” neste objetivo e com isto colocam o preço com viés de baixa quando já deveria estar sinalizando alta, num esforço de buscar que exportadores temerosos de apreciação maior do real acabem fazendo “hedge” das suas posições a exportar e assim gerando liquidez, ou mesmo, que investidores estrangeiros que têm “hedge” e que estejam deixando o país, ao desfazer suas posições “compradas” no mercado futuro proporcionem liquidez com suas ofertas.
Esta estratégia dos bancos retarda e protela a recuperação do preço da moeda americana, que certamente ocorrerá se o BC der sequência a sua nova dinâmica de mantê-los “comprados” no mercado à vista, eliminando assim o fomento que vinha dando a formação das posições “vendidas” neste segmento que geravam a especulação depreciativa do dólar, já que o mercado futuro de dólar, onde estão “vendidos” não têm forças próprias para detonar movimento especulativo, de vez que o BC interrompeu a oferta dos instrumentos financeiros “swaps cambiais reversos”, que eram a base fomentadora da especulação naquele segmento.
No nosso ponto de vista é uma questão de “paciência” e o preço da moeda americana voltará a seu preço de equilíbrio em torno de R$ 1,80, independente de medidas tributárias e/ou normativas visando a conversibilidade do real, bastando que o BC atue sem interferir com suas intervenções na formação do preço, não a fazendo excessiva e sem sentido, o que, em tese, provocou como resultante o fato do real ser a moeda que teve a maior alta (desvalorização) no pico da crise internacional, sem que o país tivesse qualquer problema na área cambial, e a maior baixa (valorização) na fase de recrudescimento da mesma crise.
Como temos salientado, o problema do preço da moeda americana desalinhada com a sua nova realidade, que acreditamos entre R$ 1,80 a R$ 1,85, não é o fluxo cambial, já que este é neutralizado pelo contra-fluxo e pelo BC com seus leilões de compra diários, mas sim técnico-operacional.
A balança comercial brasileira vem sinalizando os “estragos” do preço da moeda americana fora do ponto de equilíbrio, e, o saldo negativo de US$ 147,0 MM na 1ª semana de novembro é confirmatório. O acumulado no ano atinge US$ 22,450 Bi maior 4,5% do que o saldo da mesma época em 2008 que era US$ 21,49 Bi. No ano até 8 de novembro, as exportações totalizam US$ 128,48 Bi, crescimento de 24,6%, e as importações US$ 106,03 Bi, crescimento de 28,9%.
O Boletim FOCUS do BC, reunindo as projeções medianas de 100 instituições financeiras, altera a projeção do IPCA para os próximos 12 meses de 4,29% para 4,32%, mantendo a projeção para 2009 em 4,27% e elevando de 4,45% para 4,46% em 2010. A projeção para o US$ em 2009 foi mantida em R$ 1,70 e para 2010 em R$ 1,75. Mais uma vez elevou a projeção de crescimento do PIB 2009 de 0,18% para 0,20% e para 2010 de 4,80% para 4,83%.
O IGP-DI de outubro, projetado pelo FOCUS em alta de 0,20%, registrou deflação de 0,04%, após ter registrado inflação de 0,25% em setembro. No ano o índice registra deflação de 1,39%. Em 12 meses deflação de 1,76%.
No cenário internacional, a despeito do frágil comportamento do emprego nos Estados Unidos, evidenciado pelo dado divulgado na sexta-feira, com queda maior do que o projetado do número de empregos fechados pela economia americana e o desemprego tem atingido 10,2%, muito acima da pior expectativa, as bolsas continuam com tendência de alta.
A “farra” dos recursos baratos gerados pelos Estados Unidos e até mesmo outros países acabam não sendo direcionados para incremento das economias e são direcionados para os mercados especulativos, em especial os emergentes, e isto retarda as recuperações efetivas das economias dos países mais importantes, desvaloriza o dólar, valoriza inúmeras moedas e pode estar gerando, efetivamente, novas bolhas especulativas. O fato do FED continuar confirmando que manterá o juro por um longo período estimula a continuidade da especulação generalizada, mas a alta do ouro deve ser analisada mais detidamente, pois este é o ativo fortemente procurado quando crescem as incertezas.
É preciso muita atenção para que não se tenha uma renovação da crise, até porque o sistema financeiro americano ainda não depurou o registro dos seus ativos em carteira, mantendo-os a preço de registro sem ajustá-los a preço de mercado, fortemente alterado em razão da crise internacional.
Sidnei Moura Nehme
Diretor Executivo, Economista
NGO CORRETORA DE CÂMBIO
www.ngo.com.br

Comments(1)