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Hoje, com a divulgação do fluxo cambial fechado de outubro, haverá efetivas condições de verificar-se se ocorreu o tão esperado alinhamento das atuações do BC.

Hoje, com a divulgação do fluxo cambial fechado de outubro, haverá efetivas condições de verificar-se se ocorreu o tão esperado alinhamento das atuações do BC, com os seus leilões de compra no mercado de câmbio, com os propósitos que vêm sendo enfatizados pelo MF no sentido de apreciar o preço da moeda americana, e, que determinou até a introdução do tributo IOF nos ingressos de capitais estrangeiros direcionados para investimentos em renda fixa e renda variável.

 

O BC até a semana finda em 9 mantinha uma dinâmica nos seus leilões de compra diários no mercado de câmbio à vista que retirava volumes acima do excedente do fluxo cambial, o que acabava por deixar os bancos com posições “vendidas” no mercado de câmbio à vista, e, que se transformavam em forte indutor de apreciação do real, já que os bancos as utilizavam, através da estratégia sobre a qual discorremos inúmeras vezes, para captar reais a custo baixo ancorados na utilização de suas linhas externas, utilizadas para entregar as divisas que não detinham para o BC.

 

Esta dinâmica do BC confrontava os propósitos do MF de obstar a apreciação do real, e, que acabou por determinar a re-introdução do tributo IOF, nos investimentos direcionados para renda fixa, e desta vez  também, para a renda variável.

 

Nossa percepção indica que o BC realinhou a sua diretriz operacional com os leilões e desde a semana iniciada em 13 de outubro até o presente, tem retirado do mercado valores inferiores ao fluxo cambial positivo, interrompendo o estímulo à formação de posições “vendidas” pelos bancos no mercado de câmbio à vista, aproveitando até o fato dos mesmos terem “zerado” preventivamente estas posições que acumulavam US$ 4,934 Bi em 9 ao longo da semana de 13 a 16, quando houve uma antecipação substantiva de ingressos de investimentos direcionados à renda fixa e variável ante à perspectiva da criação do tributo IOF nestes ingressos, que veio a tornar-se efetivo.

 

Com os bancos tendo, acreditamos, somente preventivamente zerado suas posições “vendidas”, mas não como intenção de renunciar a continuidade da prática quando o mercado superasse o efeito “psicológico” imediato sobre o preço da moeda sabidamente não sustentável,  o BC alterou então a sua dinâmica nos leilões e passou a retirar do mercado de câmbio à vista volumes abaixo do fluxo cambial positivo, e, com isto “estancou” a tendência artificializada de apreciação do real a partir das “posições vendidas” dos bancos.

 

Evidentemente que a criação do IOF não tem impacto no preço da moeda americana no mercado de câmbio à vista, nem mesmo no mercado futuro. Os efeitos do IOF são arrecadatórios para o governo, perspectivas de R$ 4Bi, e, também redutor dos ingressos de investimentos estrangeiros especulativos em renda fixa e renda variável, o que “alivia” para o BC, e naturalmente para o caixa do governo na medida em que reduz o fluxo cambial, os volumes de dólares a serem retirados do mercado com os seus leilões, o que torna, em tese, mais lento o crescimento das reservas cambiais brasileiras e menores as emissões de títulos por parte do governo para esterilizar os reais que injeta quando compra os dólares.

 

O IOF somente teria efeito na formação do preço da moeda americana se não houvesse a ação intervencionista do BC no mercado de câmbio à vista com seus leilões, que assim repercutiria na contração do impacto do fluxo positivo num ambiente de oferta e procura. Contudo, como BC retira o excedente, o impacto do fluxo fica neutralizado, pouco importando se ele for maior ou menor, e, como explicamos acima os reflexos podem ocorrer diretamente na intensidade do crescimento das reservas cambiais brasileiras e nas emissões, em decorrência, de títulos pelo governo.

 

Portanto, aventar a possibilidade de aumentar a alíquota do IOF no caso de continuidade de apreciação do real, em termos do objetivo declarado, seria totalmente inócua e resultaria tão somente em maior arrecadação, desde que o BC continue atuando com leilões de compra no mercado de câmbio à vista até o volume excedente do fluxo cambial ou menos, já que quando ultrapassa este volume acaba estimulando as posições “vendidas” pelos bancos e cria o foco especulador com grande potencial de apreciação do real, nestas circunstâncias nada detém a queda do dólar.

 

Se e quando o governo decidir que o BC interrompa os seus leilões de compra no mercado à vista, o que corresponderia a limitar o crescimento das reservas cambiais brasileiras, então, poderia ser acionado o Fundo Soberano, que embora não disponha de fundos oriundos de riqueza como seria lógico e tenha que também utilizar emissão de títulos para gerar o “funding” em reais, daria continuidade à esterilização dos excedentes do fluxo cambial e, provavelmente, teria maior liberdade para aplicação dos dólares a taxas com melhor retorno.

 

Porém, ainda há fases a serem suplantadas até que o preço da moeda americana se recupere e possa atingir R$ 1,80, como esperamos. Os bancos ainda estão “liquidamente” vendidos ao considerarmos as posições “vendidas” no mercado futuro de dólar Cupom Cambial-DDI onde registram US$ 3,5 Bi e Futuro de dólar, propriamente dito, com US$ 4,15 Bi, que ainda superam as posições “compradas” no mercado à vista que terão uma transparência hoje, com data base 30 de outubro.

 

Este cenário com os bancos ainda “vendidos” faz com que os mesmos atuem procurando inibir a recuperação imediata do preço da moeda americana, por isso o preço está volátil no entorno de R$ 1,75, ficando evidente que sempre que os negócios permitem o bancos forçam a apreciação do real.

 

Acreditamos que este ajuste será gradual e ousaríamos dizer que em perspectiva o preço da moeda americana está mais tendente a R$ 1,80 do que a R$ 1,70, independente do fluxo cambial, mantida a atuação do BC alinhada com os propósitos do MF.

 

É fundamental que a moeda americana recupere preço e busque o seu preço de equilíbrio, sem contaminações de movimentos especulativos que são perfeitamente evitáveis por ação pontual do BC na condução dos seus leilões e sem medidas por parte do governo, de vez que não há qualquer fator adicional que possa imputar valorização ou desvalorização neste momento. É fundamental entender que o tão decantado fluxo intenso é esterilizado pelo BC com os seus leilões e isto nem sempre é bem observado.

 

Os sinais mais contundentes dos efeitos maléficos desta apreciação do real desalinhada com a realidade começam a surgir nos resultados da balança comercial brasileira que está com viés de queda, com crescimento acentuado das importações e queda dos volumes exportados. A indústria manufatureira está praticamente sem condições de exportar em decorrência da fragilidade do preço da moeda americana, já que sofre forte concorrência dos países asiáticos.

 

O grande desafio para o governo é reabilitar a atividade industrial brasileira, que pelos dados disponíveis sinaliza que a partir de julho retomou os investimentos, voltando a comprar máquinas e equipamentos segundo dados da Pesquisa Industrial Mensal do IBGE e, também por indicativos gerados a partir da carteira FINAME do BNDES que registrou aumento de demanda de financiamentos da ordem de 29,9% em outubro na comparação com setembro. A produção de bens de capital cresceu 5,8% entre setembro/agosto, com ajuste sazonal, embora o crescimento da produção em setembro tenha crescido somente 0,8% ante expectativa de crescimento de 1,6%.

 

Hoje, as atenções maiores estão centradas na reunião do FED americano, da qual se espera um diagnóstico mais presente da situação da economia americana.

Sidnei Moura Nehme
Diretor Executivo, Economista
NGO CORRETORA DE CÂMBIO
www.ngo.com.br

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