FLUXO CAMBIAL - PERÍODO DE 1 A 30 DE OUTUBRO DE 2009.
COMERCIAL – US$
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EXPORTAÇÕES |
US$ |
14,304 BI |
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IMPORTAÇÕES |
US$ |
12,812 BI |
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(+) POSITIVO |
US$ |
1,492 MM |
FINANCEIRO – US$
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INGRESSOS |
US$ |
39,705 BI |
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SAÍDAS |
US$ |
26,599 BI |
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(+) POSITIVO |
US$ |
13,106 BI |
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FLUXO CAMBIAL POSITIVO |
US$ |
14,598 BI |
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(-) COMPRAS DO BC NO PERÍODO (-) outros (não esclarecido) |
US$ US$ |
6,738 BI 1,395 BI
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FLUXO CAMBIAL “NET” PARA O MERCADO
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(+) POSITIVO |
US$ |
6,465 BI |
O fluxo cambial do mês de outubro fechou positivo em US$ 14,598 Bi, sendo US$ 1,492 Bi comercial e US$ 13,106 Bi financeiro, contudo é importante verificar como foi construído semana a semana de outubro:
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SEMANA |
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SALDO |
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SALDO |
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TOTAL |
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01-02 |
US$ |
90 MM |
US$ |
1,335 Bi |
US$ |
1,425 Bi |
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05-09 |
US$ |
-634 MM |
US$ |
2,933 Bi |
US$ |
2,299 Bi |
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13-16 |
US$ |
1.123 Bi |
US$ |
5,642 Bi |
US$ |
6,765 Bi |
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19-23 |
US$ |
241 MM |
US$ |
2,112 Bi |
US$ |
2,353 Bi |
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26-30 |
US$ |
672 MM |
US$ |
1,084 Bi |
US$ |
1,756 Bi |
O IOF de 2,0% passou a vigorar sobre os investimentos destinados à renda fixa e renda variável a partir do dia 20 de outubro e se considerarmos que o BC considera os movimentos a partir da data de liquidação (D+1 mais praticado nos ingressos financeiros), os valores tabulados em sua divulgação até o dia 20 se referem a ingressos com câmbio contratado até 16. Assim, dos US$ 39,705 Bi de ingressos financeiros, para todos os fins, apurados no mês, US$ 29,148 Bi entraram nos 13 dias úteis antes da vigência do imposto (média US$ 2,242 Bi), e, US$ 10,557 Bi entraram nos 8 dias restantes do mês (média US$ 1,319 Bi).
Evidentemente que nem todo o volume de ingressos financeiros de US$ 39,705 Bi foi direcionado para investimentos em renda fixa e variável, mas a média diária geral de ingressos financeiros pós IOF caiu 41%.
Contudo, se considerarmos o saldo do fluxo cambial positivo em suas médias diárias, com base nos dados do BC e considerando que adota a data da liquidação (D+1) e não da operação em si, temos até o dia 20 (13 dias) a média de ingressos financeiros líquidos de US$ 989,3 MM e do dia 21 a 30 (8 dias) a média de US$ 217,0, uma queda de 78%. O dado calculado até 19 como se as operações fossem liquidadas no dia da efetivação revelaram algo como 74,9%.
Este é um dado empírico, visto que é preciso saber exatamente destes ingressos quanto foi efetivamente direcionado para investimentos em renda fixa e variável, e devemos considerar também que a taxa cambial baixa, com a desconfiança de que poderá subir, estimula as remessas de dividendos, juros sobre capital, etc. e isto acaba impactando nos saldos dos fluxos, por isso acreditamos mais crível uma queda de 41% revelado pela média geral, apurada a partir da separação por período antes do IOF e posterior ao IOF.
Porém, analisado tecnicamente, não há fundamento que credite ao IOF o suporte que vem apresentando a taxa da moeda americana que teve a sua depreciação interrompida. O IOF somente teria efeito na formação do preço da moeda americana se não houvesse a ação intervencionista do BC no mercado de câmbio à vista com seus leilões, que assim repercutiria na contração do impacto do fluxo positivo num ambiente de oferta e procura. Contudo, como BC retira o excedente, o impacto do fluxo fica neutralizado, pouco importando se ele for maior ou menor, e, como explicamos acima os reflexos podem ocorrer diretamente reduzindo a intensidade do crescimento das reservas cambiais brasileiras e nas emissões de títulos pelo governo.
Os bancos encerraram o mês de setembro com posições “vendidas” de US$ 3,276 Bi, e, o fluxo cambial líquido para o mercado (fluxo cambial positivo menos leilões de compra do BC) no mês foi positivo em US$ 6,465 Bi, o que provocou que revertessem, como informa o BC, as posições para “compradas” em US$ 3,189.2 Bi.
Na semana de 13 a 16, antecedente a vigência do IOF que foi reinstituído a partir de 20, os bancos retiveram volume expressivo do fluxo cambial da semana de forma pontual para cobrir suas posições “vendidas”, na época US$ 4,934 Bi, passando-as a “compradas” de US$ 1,236 Bi com o claro propósito previdente e defensivo ante a expectativa de confirmar-se o novo tributo IOF na semana seguinte, como de o foi, e que normalmente causaria um impacto psicológico como reação imediata no preço da moeda americana, mas com pouca probabilidade de sustentabilidade. Nesta semana, o fluxo cambial foi positivo em US$ 6,765 Bi, como BC comprando tão somente US$ 594,0 MM.
A partir desta semana de 13 a 16, o BC mudou sua atuação no mercado de câmbio à vista e a vem mantendo e passou a retirar, através dos seus leilões de compra, volumes inferiores aos excedentes do fluxo cambial, posição que vínhamos firmemente defendendo como fundamental para interromper a apreciação induzida do real pelos bancos, e, com isto, manteve-os com posições “compradas” à vista, eliminando os posicionamentos “vendidos” dos mesmos, que se constituíam em fonte da especulação que determinava a crescente apreciação do real.
A partir deste ponto o preço da moeda americana ganhou suporte e, embora gradualmente, visto que os bancos registram posições “vendidas” líquidas no mercado futuro maiores do que as “compradas” no mercado à vista e isto implica em procurarem contingenciar um movimento mais rápido de recuperação de preço do dólar. No dia 30 os bancos registravam posição vendida no mercado futuro de cupom cambial de US$ 3,5 Bi e no dia 3 as reduziram para US$ 2,4 Bi e no mercado futuro de dólar, propriamente dito, detinham posição vendida de US$ 4,150 Bi e no dia 3 as reduziram para US$ 4,0 Bi.
Fechado o acesso à constituição fácil de posições “vendidas” no mercado à vista em decorrência da mudança de atitude operacional nos leilões de compra por parte do BC, alinhando-se melhor aos objetivos que vem sendo manifestados pelo MF que até o levou a criar o IOF, os bancos, acreditamos, tenderão a reduzir suas posições “vendidas” no mercado futuro de dólar, pois perderam o espaço para manobras operacionais que apreciavam o preço do real.
Esta reformulada postura operacional do BC nos seus leilões de compra de dólares nos induz a ousar projetando em perspectiva um preço de dólar mais próximo de R$ 1,80 do que de R$ 1,70.
Sidnei Moura Nehme
Diretor Executivo, Economista
NGO CORRETORA DE CÂMBIO
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