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Final de mês com final de semana prolongado pelo feriado de 2ª feira, embora hoje seja o dia da fixação do Ptax, espera-se um clima mais calmo no mercado de câmbio .

Final de mês com final de semana prolongado pelo feriado de 2ª feira, embora hoje seja o dia da fixação do Ptax, espera-se um clima mais calmo no mercado de câmbio e a disputa natural neste período entre “comprados” e “vendidos” no mercado futuro de dólar parece ter tido melhor resultado por parte dos “vendidos”, representados pelos bancos, que tiveram a seu favor o fato de serem os únicos a atuar no mercado futuro de dólar e no mercado à vista, embora liquidamente estejam quase que nivelados aos “hedge funds” que estão “comprados”.

 

Ontem, os bancos reduziram suas posições “vendidas” líquidas totais no futuro de dólar de US$ 8,6 Bi para US$ 8,0 Bi, enquanto os “hedge funds” reduziram suas posições “compradas” líquidas totais, também no futuro de dólar, de US$ 6,2 Bi para US$ 4,6 Bi. Os bancos, contudo, estão, acredita-se face à indisponibilidade do dado por parte do BC, “comprados” no mercado de câmbio à vista.

 

Para a semana próxima, ficam duas expectativas importantes para a formação do preço da moeda americana no mercado de câmbio à vista que são:

- a divulgação do fluxo cambial da semana e mês findos hoje confirmará ou não a efetiva mudança da dinâmica da autoridade monetária nos seus leilões de compra no mercado de câmbio à vista, passando a comprar valores iguais ou menores do que os excedentes do fluxo cambial;

- com os bancos ainda “vendidos” no mercado futuro de dólar que está com baixa liquidez até quando conseguirão retardar a recuperação do preço da moeda americana, caso se confirme a mudança de atitude do BC nos leilões.

 

Portanto, é certo que o dia indica ainda volatilidade na formação do preço da moeda americana, porém, a partir da semana que vem poderemos ter uma mudança de comportamento do preço, e, se confirmada a mudança de atitude do BC nos seus leilões, poderemos ter tendência de reversão da apreciação do real, já que, no nosso entendimento, a causa é pontual e não decorrente do fluxo cambial.

 

Internamente, após a análise mais detida da Ata do COPOM que não sancionou as perspectivas de breve mudança na taxa SELIC, como boa parte do mercado vinha antevendo, e que revelou preocupações maiores com o cenário externo do que interno, admitindo que ainda existe bom espaço de ociosidade na capacidade de produção da indústria e que a taxa de juro está adequada face às pressões inflacionárias presentes, as atenções estão voltadas, com um certo grau de preocupação, sobre os números divulgados pelo governo sinalizando déficit primário do setor público de R$ 5,7 Bi em setembro, pior resultado para este mês desde 1991, com a Dívida pública líquida atingindo 44,9% do PIB e com os gastos correntes do governo em forte crescimento num ambiente em que continuaram caindo as rendas variáveis.

 

No exterior, passada a empolgação com a preliminar do PIB americano do 3º trimestre crescendo 3,5% acima das projeções de 3,2%, mas sabidamente alavancado pelos programas de estímulo ao consumo de veículos e moradias, ocorre a natural reflexão que indica que as bases para o crescimento efetivo do país ainda são frágeis, perdurando os problemas do desemprego, do crédito, do forte abatimento do ânimo da sociedade americana, da frágil situação das instituições financeiras que não resistiriam à marcação a mercado dos seus ativos podres em carteira, etc.

 

Hoje foi divulgado o PCE de setembro, índice de preços muito considerado pelo FED americano, com queda de 0,5% dentro das projeções, contudo o núcleo do PCE registrou inflação de 0,1% abaixo da projeção de 0,2%.

 

A zona do euro registrou o maior desemprego desde janeiro de 1999 em setembro atingindo 9,7% ante 7,7% em setembro de 2008. Na União Européia a taxa de desemprego elevou-se para 9,2% em setembro contra 9,1% em agosto e 7,1% em setembro de 2008.

 

O desemprego crescente vai na linha contrária às percepções de retomada da atividade econômica sustentável.

 

Os preços ao consumidor da zona do euro registraram a 5ª queda anual na comparação de outubro 2009 com 2008 da ordem de 0,1% ante projeção de 0,3%, e, na comparação com setembro de 2009 os preços ficaram estáveis.

 

O BC do Japão manteve o juro inalterado em 0,1%.

Sidnei Moura Nehme
Diretor Executivo, Economista
NGO CORRETORA DE CÂMBIO
www.ngo.com.br

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