Hoje será um dia importante para o mercado de câmbio em razão da divulgação pelo BC do fluxo cambial até o dia 23…
Hoje será um dia importante para o mercado de câmbio em razão da divulgação pelo BC do fluxo cambial até o dia 23, mas merecerão especial atenção os dados da semana específica de 19 a 23, quando poder-se-á verificar se o BC mudou sua atuação errática nos leilões de compra que realiza diariamente, e, que, no nosso entendimento, ao retirar do mercado volume acima do fluxo cambial positivo, acaba por se tornar a causa principal do desalinhamento do preço da moeda americana no país.
Eventual análise da repercussão da vigência do tributo IOF, como fator de contração dos ingressos de investimentos direcionados à renda fixa e variável, pode ser inconclusiva visto que houve na semana de 13 a 16 forte elevação destes ingressos antecipando-se a tributação e, naturalmente, este fato pode determinar uma queda na semana seguinte que será divulgada, porém não necessariamente como retração, mas pelo fato da antecipação. Contudo, é razoável admitir-se algum reflexo, não devendo se perder de vista o detalhe apontado.
Na semana passada, ante a perspectiva do governo estabelecer o IOF, como de fato foi estabelecido, os bancos cobriram previdentemente suas posições vendidas de US$ 4,934 Bi, data base 9, protegendo-as da reação psicológica inicial da vigência do tributo que, presumivelmente, impactaria no preço da moeda americana, e desta forma reduziram drasticamente suas vendas ao BC através dos leilões e converteram suas posições em compradas em US$ 1,236 Bi.
O detalhe relevante a ser verificado nos dados do fluxo cambial que será divulgado é o do comportamento do BC com seus leilões. Se, de fato, como parece, interrompeu a dinâmica dos seus leilões de compra que retirava do mercado volumes superiores ao fluxo cambial positivo, limitando-os rigorosamente aos excedentes ou pouco menos, a taxa cambial está tendo uma recuperação sustentável e poderá recuperar-se até o entorno de R$ 1,80.
Se esta hipótese de mudança da atitude do BC nos seus leilões for confirmada, esta terá sido a razão causal da resistência da taxa cambial e tendência de apreciação do preço da moeda americana, não havendo qualquer relação, embora possa haver ilações a respeito, com o estabelecimento do tributo, visto que claramente a razão do desalinhamento do preço do dólar nada tem a ver com a intensidade do fluxo, que é totalmente esterilizada do mercado pelos próprios negócios no sentido oposto e pela ação do BC que vem retirando todo o restante.
O mercado futuro de dólar tem parcas possibilidades de estabelecer um movimento especulativo como num passado recente antes da crise, já que não conta com a presença ativa do BC com seus instrumentos financeiros “swaps cambiais reversos”, e, acreditamos que os atuais posicionamentos “comprados” dos “hedge funds” estrangeiros de US$ 5,45 Bi sejam efetivos como proteção de risco, tendo na contrapartida os bancos com posicionamentos “vendidos” de US$ 7,35 Bi, estes sim com uma certa conotação especulativa, porém com poucas possibilidades de serem maximizadas, e nos parece que se confirmada a mudança de atitude do BC no mercado à vista com seus leilões, tenderão a reduzir suas exposições, pois fica fragilizada a probabilidade de continuidade da apreciação do real.
Contudo, como estamos no final do mês e no próximo dia 30, sexta-feira, será definida a taxa PTax que será utilizada para contratos, devemos ter volatilidade, com “comprados” e “vendidos” confrontando-se em defesa de seus interesses, porém a liquidez no mercado futuro de dólar é baixa neste momento.
É importante, mais uma vez, destacar que o movimento especulativo que vinha conduzindo a apreciação do real estava centrada no mercado de câmbio à vista, a partir da construção de posições “vendidas” fomentadas pelos excessos do BC nos seus leilões de compra indo a volumes além do fluxo cambial positivo, que gerava uma série de ações estratégias focando captação de reais pelos bancos e forte indução à apreciação do real.
Então, se o BC efetivamente mudou a sua dinâmica nos leilões de compra, passando a retirar somente os excedentes ou menos, certamente a taxa cambial ganhará recuperação de preço, caso contrário, não podemos considerar a recuperação que se constata nos últimos dias como sustentável.
Sidnei Moura Nehme
Diretor Executivo, Economista
NGO CORRETORA DE CÂMBIO
www.ngo.com.br

Acredito que a cotação do dólar caso chegue a R$ 1,80 não deverá ter estabilidade e declinar novamente para abaixo de R$ 1,70. Somente se algum forte evento externo faça a moeda retomar tendência de alta. Talvez o aumento da taxa básica de juros nos EUA seja o evento… se isto ocorrer.
renato,
voce poderia fundamentar porque acha que não se estabiliza em R$ 1,80 e declina novamente para R$ 1,70? Em que você se baseia?
grato
NEHME