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Os bancos parecem estar alertas quanto à possibilidade do BC vir a restringir as suas investidas diárias no mercado de câmbio à vista, através dos leilões de compra de dólares.

Os bancos parecem estar alertas quanto à possibilidade do BC vir a restringir as suas investidas diárias no mercado de câmbio à vista, através dos leilões de compra de dólares, limitando os volumes retirados ao excedente do fluxo cambial ou pouco menos, fato que alteraria fortemente a  dinâmica do BC de comprar além do fluxo cambial positivo, que vem proporcionando aos mesmos a formação interessantíssima de posições “vendidas”, que acabam por viabilizar interessante captação de reais a custo baixíssimo, além de serem forte indutoras à apreciação do real ante o dólar, que é estimulada pelos próprios bancos para reduzir adicionalmente o custo dos reais.

 

Temos destacado que o fato do BC comprar além do fluxo não provoca a elevação do preço da moeda americana como tantos sugerem, até porque o conceito acadêmico de que fortalecendo a demanda provocaria a escassez e elevaria o preço do dólar não funciona bem assim no mercado de câmbio,  já que os bancos dispõem de linhas de crédito junto aos bancos internacionais que lhes permitem, com tranquilidade e grande interesse, entregar substantivos volumes além dos dólares disponíveis em suas posições compradas, transformando-as assim em posições vendidas.

 

Ontem foi um feriado para as repartições e organismos governamentais em todos os níveis, e o BC, naturalmente, teve praticamente um “plantão” pelo que pode detectar o mercado, e, mesmo assim anunciou um leilão de compra de dólares no horário de intervalo para almoço das mesas operacionais e até anunciou um taxa de corte em R$ 1,7050, mas certamente não consumou compras.

 

Posterior a este fato, o preço da moeda americana entrou em tendência de alta superando o R$ 1,73. Como o mercado à vista girou tão somente algo como US$ 1,5 Bi, certamente não foi deste segmento que veio a pressão sobre o preço, contudo, no mercado futuro de dólar, os bancos elevaram suas posições vendidas em mais de US$ 1,1 Bi, acumulando algo próximo de US$ 4,3 Bi vendidos no futuro de dólar e mais US$ 3,5 Bi vendidos no futuro de cupom cambial – DDI, acumulando vendidos US$ 7,8 Bi. Por outro lado, os “hedge funds” elevaram suas posições compradas no mercado futuro de dólar para US$ 3,8 Bi e mais US$ 2,0 Bi comprados no mercado de cupom cambial- DDI, acumulando comprados US$ 5,8 Bi e estes posicionamentos, aos quais se somam US$ 1,8 Bi de posições compradas de “outras pessoas jurídicas financeiras”, deixam evidente que a disputa da PTax deverá ser forte na próxima sexta-feira, dia 30, quando se encerra o mês.

 

Este fato poderá causar volatilidade até o final de semana e do mês, mas, se o BC, pontualmente, deixar de influenciar a formação do preço da moeda americana no nosso mercado, limitando suas intervenções à retirada máxima do fluxo cambial positivo ou menos, cessando a sua atitude “operacional” que acaba proporcionando a oportunidade dos bancos construírem posições “vendidas”, certamente o preço da moeda americana, sem interferências inadequadas, poderá buscar o seu preço de equilíbrio, que continuamos entendendo estar no entorno de R$ 1,80.

 

Até o índice MC Donald indica que o seu preço americano se equalizará com o brasileiro com o dólar ao preço de R$ 1,80.

 

Urge que o BC efetivamente corrija a sua conduta nos leilões de compra ao mercado, até porque o sinal emitido pela balança comercial brasileira na 4ª semana deste mês é um dado efetivo que deve merecer rigorosa avaliação das autoridades brasileiras. O dado revela um déficit de US$ 74,0 MM, que, contudo, mantém-se positivo no mês em US$ 1,239 Bi e no ano US$ 22,510 Bi. Pode ser o início de uma reversão de tendência e, naturalmente, a causa passa pelo desalinhamento do preço da moeda americana no nosso mercado de câmbio, decorrente da “especulação” que ocorre a partir das posições “vendidas” dos bancos e não do fluxo cambial.

 

Este é um assunto que precisa ter diagnosticado a sua causa de forma técnica e  precisa, “cirúrgica”, e encerrar-se esta alegação sistêmica de que a causa é o fluxo, num ambiente em que tudo que entra é consumido pelas saídas normais e pelas compras do BC, que, contudo, estimula a baixa ao comprar além do fluxo cambial positivo fomentando as posições “vendidas” dos bancos, que são, em realidade, o foco especulativo que aprecia o real.

 

O dado negativo, por vezes, se verificou na aferição do fluxo cambial comercial, que registra câmbio contratado, a rigor, nunca foi preocupante visto que há no exterior algo como US$ 15,0 Bi de exportações efetivadas sem câmbio contratado, porém ao revelar-se no saldo da balança comercial é fundamental que isto seja tratado como tema prioritário pelas autoridades governamentais, já que é possível alterar o comportamento do preço da moeda americana, sem violentar o sistema de câmbio flutuante e sem artificializá-la, simplesmente corrigindo a dinâmica das intervenções do BC com seus leilões de compra no mercado de câmbio.

Sidnei Moura Nehme
Diretor Executivo, Economista
NGO CORRETORA DE CÂMBIO
www.ngo.com.br

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