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O fluxo cambial da semana finda em 16 do corrente, divulgado ontem pelo Banco Central do Brasil, deixou evidente que o mercado de câmbio operou com a convicção de ….

O fluxo cambial da semana finda em 16 do corrente, divulgado ontem pelo Banco Central do Brasil, deixou evidente que o mercado de câmbio operou com a convicção de a tributação dos ingressos de investimentos direcionados para a BM&FBOVESPA e títulos de renda fixa tornar-se-ia efetiva nos próximos dias.

                       

Substantiva antecipação de ingressos de investimentos no país, que estão evidenciados no fluxo financeiro daquela semana ao indicar a cifra de US$ 12,148 Bi, que provocou um fluxo financeiro positivo liquido de US$ 6,765 Bi, com os bancos retendo deste montante a cifra de US$ 6,171 Bi e restringindo as vendas ao BC nos leilões de compra do mesmo a pífios US$ 594 MM, e, assim cobrindo suas posições “vendidas” que eram da ordem de US$ 4,934 Bi e transformando-as em “compradas” em US$ 1,236 Bi, são sinais que “falam por si sós” de que o mercado estava convicto sobre a tributação.

 

Assim, os bancos cobriram suas posições “vendidas”, que tem sido o foco central da especulação que aprecia o real ante o dólar, a taxas no entorno de R$ 1,70, certos de que a moeda repercutiria, ainda que de forma não sustentável, apreciando o dólar e assim, a partir de um piso mais alto poderiam “reconstruir” seus posicionamentos “vendidos”, estratégica e pontualmente interrompida, que é o que já se observa de forma gradual.

 

O sinal inicial de que os bancos continuarão apostando na apreciação do real veio do mercado futuro de dólar, que vem apresentando baixa liquidez, e onde os bancos na terça-feira, dia em que foi anunciada a vigência do tributo e que impulsionou a taxa cambial a R$ 1,75, aumentaram suas posições “vendidas”  anteriores de US$ 1,9 Bi no mercado futuro para US$ 3,9 Bi, dando liquidez a procura dos investidores estrangeiros que procuravam “hedge” e elevaram na contraponta suas posições “compradas” de US$ 1,6 Bi para US$ 4,0 Bi.

 

O fato de terem aumentado suas posições “vendidas” no mercado futuro de dólar deixa evidente a convicção dos bancos de que apostam na continuidade da apreciação do real.

 

Por outro lado, a queda gradual do preço do dólar no mercado de câmbio a vista é estratégica, já que objetivam ir reconduzindo suas posições a condição de “vendidas” a partir de vendas a um preço melhor, mas certamente devem forçar o retorno a R$ 1,70 ou até mais baixo.

 

Irão conseguir sucesso?

 

Entendemos que isto está na razão direta da atitude do BC. Se continuar retirando do mercado volumes acima dos saldos do fluxo cambial, naturalmente os bancos venderão a autoridade monetária e certamente retornarão as suas posições “vendidas” aos padrões anteriores, sendo que estes dólares já estão encaixados e será só entregá-los ao BC e reconstituir o caixa em reais, desfeito na semana passada de forma pontual e preventiva ante o estabelecimento do tributo do IOF.

 

É importante destacar que na semana passada não foi o BC que resolveu comprar menos do mercado, já que não estipula volumes, definindo tão somente taxa de corte, mas os bancos que resolveram vender menos para cobrir suas posições “vendidas” de forma pontual e, certamente, meramente temporária.

 

Urge que o BC limite suas intervenções com leilões de compra no mercado de câmbio aos excedentes do fluxo cambial ou até mesmo abaixo do mesmo deixando os bancos “comprados”, não permitindo que bancos com posições “vendidas” participem dos leilões.

 

Este é o momento!!

 

Caso contrário, de nada adiantará o Ministério da Fazenda agir buscando neutralizar a apreciação do real, pois as medidas resultarão sempre inócuas, ficando só o caráter arrecadatório como conseqüência efetiva.

 

O problema é técnico-operacional e não de fluxo cambial!!!!

 

Sidnei Moura Nehme
Diretor Executivo, Economista
NGO CORRETORA DE CÂMBIO

www.ngo.com.br

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