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FLUXO CAMBIAL – PERÍODO DE 1° A 16 DE OUTUBRO DE 2009.

 

COMERCIAL – US$

 

EXPORTAÇÕES US$

6,469 BI

IMPORTAÇÕES US$

5,890 BI

(+) POSITIVO

US$

579 MM

 

 

FINANCEIRO - US$

 

INGRESSOS US$

25,495 BI

SAÍDAS US$

15,585 BI

(+) POSITIVO

US$

9,910 BI

 

FLUXO CAMBIAL POSITIVO

US$

10,489 BI

 

(-) COMPRAS DO BC NO PERÍODO

US$      

5,977  BI

 

FLUXO CAMBIAL “NET” PARA O MERCADO

 

(+) POSITIVO

US$

4,512 BI

 

 
O fluxo cambial na semana de 1º a 16 de outubro fechou positivo em US$ 10,489 Bi, sendo positivo na semana de 13 a 16 em US$ 6,765 Bi, contudo, ao considerar-se o total de US$ 5,977 Bi  retirado pelo BC através de seus leilões diários de compra no mês, dos quais somente US$ 594,0 MM na semana de 13 a 16 de outubro, o fluxo cambial líquido neste período consolidou-se positivo em US$  4,512  Bi.

Os bancos encerraram o mês de setembro com posições vendidas de US$ 3,276 Bi e, o fluxo cambial líquido para o mercado (fluxo cambial positivo menos leilões de compra do BC) tendo ficado positivo em US$ 4,512 Bi, os bancos, com base nos números do BC, devem ter encerrado a semana em 16 de outubro, com posições “compradas” de US$. 1,236 Bi.

O perfil do comportamento do fluxo, em especial o financeiro, bem como dos bancos revertendo suas posições vendidas de US$. 4,934 Bi, em 9 de outubro, para compradas de US$ 1,236 Bi, em 16 de outubro, evidencia que os bancos e investidores estrangeiros operaram na última semana com a convicção de que poderia tornar-se efetiva a tributação sobre os investimentos estrangeiros direcionados para a BOVESPA e títulos de renda fixa.

O excelente fluxo financeiro ingressado de US$ 12,148 Bi na semana deixa evidente que os investidores anteciparam seus investimentos para evitar a tributação, a exemplo do que já havia ocorrido em março de 2008 quando também foi estabelecido o tributo de IOF, na ocasião atingindo somente as aplicações em renda fixa.

A atitude dos bancos retendo parcela substantiva de US$ 6,171 Bi do fluxo positivo da semana de US$ 6,765 Bi, vendendo ao BC nos seus leilões de compra tão somente US$ 594,0 MM, revertendo as suas posições “vendidas” de US$ 4,934 Bi na semana finda em 9 para “compradas” em US$ 1,236 Bi em 16 de outubro, foi estratégica já que, também operando com a convicção de que o tributo tornar-se-ia efetivo, e que o impacto, pelo menos inicial, seria de apreciação do preço da moeda americana, cobriram suas posições descobertas antes que isto ocorresse a preço no entorno de R$ 1,70.

Ontem, ante o fato consumado do estabelecimento do tributo e face à reação típica do mercado de no primeiro momento apreciar o preço do dólar, seguramente a um preço melhor, no entorno de R$ 1,75,  já buscaram reconstituir suas posições “vendidas” que tem sido muito lucrativivas.

A convicção é plena de que os impactos  de retração no fluxo cambial consequentes do tributo serão moderados para pequenos, e já tivemos oportunidade de abordar este assunto nos comentários do nosso Boletim “Câmbio News” de ontem e de hoje, com muitos detalhamentos.

Ratificamos, mais uma vez, que no nosso entendimento não é o fluxo que provoca a onda de depreciação do preço do dólar ou apreciação do real, como queiram, mas sim a atitude do BC de retirar do mercado através os seus leilões de compra montantes superiores aos excedentes do fluxo cambial, estimulando assim a formação de posições “vendidas” pelos bancos, que a partir desta situação desencadeiam movimento especulativo visando a apreciação do real, o que tem conseguido com sucesso.

Então, que não se confunda e nem se engane com o que se viu nesta semana com os bancos cobrindo suas posições “vendidas” tenha sido uma mudança de rumo, pois certamente foi tão somente um movimento pontual face a um fato novo pontual no mercado, nada além disto.

É preciso entender que o que ocorreu na semana não foi que o BC reduziu suas compras, mas sim que os bancos decidiram vender menos ao BC, já que este não estabelece limites para suas compras, mas sim taxa cambial de corte para aceitar as propostas, e havia a conveniência dos bancos de cobrirem suas posições a descoberto.

PARA ESTANCAR ESTE MOVIMENTO DE APRECIAÇÃO DO REAL É FUNDAMENTAL QUE O BC SOMENTE RETIRE DO MERCADO DE CÂMBIO OS EXCEDENTES DO FLUXO CAMBIAL OU ATÉ MENOS PARA DEIXAR OS BANCOS UM POUCO COM POSIÇÕES COMPRADAS, E, AO MESMO TEMPO EXCLUA A PARTICIPAÇÃO DE BANCOS DETENTORES DE POSIÇÕES “VENDIDAS” NOS SEUS LEILÕES DE COMPRA.

EVIDENTEMENTE NÃO SE PODE ESPERAR QUE O PREÇO DO DÓLAR ATINJA R$ 2,00 COMO DESEJAM OS EXPORTADORES, MAS CERTAMENTE FLUTUARIA ENTRE R$ 1,80 A R$ 1,85, NÃO PASSANDO DISTO, ATÉ PORQUE OS EXPORTADORES, DATA BASE SETEMBRO, TÊM REPRESADOS NO EXTERIOR US$ 15,844 BI DE EXPORTAÇÕES SEM CÂMBIO CONTRATADO NO CONFRONTO COM OS EMBARQUES FÍSICOS NO PERÍODO DE 12 MESES.

Sidnei Moura Nehme
Diretor Executivo, Economista
NGO CORRETORA DE CÂMBIO
www.ngo.com.br

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