FLUXO CAMBIAL – 1º A 18 DE SETEMBRO DE 2009.
COMERCIAL – US$
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EXPORTAÇÕES |
US$ |
5,702 BI |
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IMPORTAÇÕES |
US$ |
7,684 BI |
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(-) NEGATIVO |
US$ |
1,982 BI |
FINANCEIRO – US$
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INGRESSOS |
US$ |
16,693 BI |
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SAÍDAS |
US$ |
15,689 BI |
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(+) POSITIVO |
US$ |
1,003 BI |
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FLUXO CAMBIAL NEGATIVO |
US$ |
978 MM |
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(-) COMPRAS DO BC NO PERÍODO |
US$ |
2,274 BI |
FLUXO CAMBIAL “NET” PARA O MERCADO
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(-) NEGATIVO |
US$ |
3,252 BI |
O fluxo cambial no período de 1º a 18 de setembro fechou negativo em US$ 978 MM, contudo, ao considerar-se o total de US$ 2,274 Bi retirado pelo BC através de seus leilões diários de compra, o fluxo cambial líquido neste período consolidou-se negativo em US$ 3,252 Bi.
Os bancos encerraram o mês de agosto com posições vendidas de US$ 1,139 Bi que assim, consequentemente, devem ter sido elevadas, com base nos dados do BC, para vendidas em US$ 4,391 BI, com forte contribuição do BC que retirou do mercado de câmbio volume expressivo de US$ 2,274 Bi, num ambiente já de fluxo cambial negativo.
O fluxo comercial na semana acentuou o seu resultado negativo em US$ 490 MM, denotando uma retração acentuada das exportações na contratação de câmbio, certamente motivada pela taxa cambial fortemente depreciada. O fluxo comercial está negativo até o dia 18 em US$. 1,982 Bi e mantida a tendência poderá atingir US$ 3,0 Bi ao final do mês.
O fluxo financeiro na semana revelou melhora e o resultado foi positivo em US$ 1,281 Bi, muito discreto face a toda “ebulição de otimismo” em relação aos ingressos direcionados para a BOVESPA. Até o dia 18 o fluxo financeiro está positivo em US$ 1,003 BI.
Dólar com preço severamente apreciado induz contração das exportações, inclusive contratações do câmbio; aumento das importações concorrentes com a indústria nacional, essenciais e não essenciais; aumento das remessas de lucros e dividendos; aumento de investimentos brasileiros no exterior e, também, pode determinar alguma contração nos níveis de investimentos diretos no país e em renda variável, até porque o mercado futuro de dólar, também pela baixa taxa do câmbio, tende a ter liquidez apertada dificultando as operações de “hedge” por parte dos investidores para minimizar os riscos com a variação cambial.
O fluxo cambial continua negativo ao longo do mês e o mercado continua apreciando o real ante a moeda americana. Como temos salientado, este é um paradoxo.
No nosso entendimento este fato decorre diretamente do fato do BC vir comprando em seus leilões montantes acima dos excedentes do fluxo cambial positivo, e mais, intensamente mesmo quando o fluxo cambial é negativo.
Esta estratégia constitui-se em forte estímulo e persistente a manutenção de posições vendidas no mercado de câmbio à vista pelos bancos, que assim, dada à baixa liquidez no mercado futuro de dólar para efetuar o “hedge”, atuam contingenciando a recuperação do preço da moeda americana, mantendo-a no entorno de R$ 1,80. Posições vendidas são excelentes para a estratégia dos bancos utilizarem linhas externas de curto prazo, hoje restabelecidas, a custos atraentes e em contrapartida realizarem captação de reais no mercado de câmbio e aplicarem em linhas de crédito demandadas nos bancos com remunerações muito atraentes.
Isto faz resultar que os bancos, hábil e oportunisticamente, repassem dólares oriundos de linhas de crédito externas para o BC, via leilões e, naturalmente, para as reservas cambiais brasileiras, o que não faz nenhum sentido, já que as reservas devem ser incrementadas com os excedentes do fluxo cambial normal. Por isso, temos defendido a idéia do BC normatizar a participação nos leilões somente dos bancos detentores de posições compradas.
O relevante na atuação do BC é a estratégia e não o volume que retira do mercado, pois quando vai além do excedente do fluxo, como vem ocorrendo, pode estar estimulando movimento de apreciação do real, o que é bom para conter inflação, mas é ruim para o setor exportador e tem também efeitos colaterais negativos para a economia.
A taxa cambial só não aprecia mais o real pelo fato do mercado futuro de dólar, sem a interferência do BC com seus “swaps cambiais reversos”, perder liquidez quando fica no entorno de R$ 1,82, e este é um fator limitante para a taxa cambial no mercado de câmbio à vista, que não pode afastar-se muito deste piso sinalizado pelo mercado futuro.
Movimentos tentativos de romper esta resistência deverão continuar, porém, certamente perderiam força se o BC alterar a dinâmica dos seus leilões de compra, como comentamos.
No nosso entendimento, o comportamento da taxa cambial no país decorre muito mais de fatores internos do que supostos fatores externos, e a causa não está centrada no fluxo cambial, ATÉ POR QUE, QUAL SERIA A EXPLICAÇÃO PARA TERMOS O REAL EM VALORIZAÇÃO NUM AMBIENTE DE FLUXO CAMBIAL NEGATIVO?
Sidnei Moura Nehme
Diretor Executivo, Economista
NGO CORRETORA DE CÂMBIO
www.ngo.com.br

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