O mercado de câmbio sinaliza que o movimento, fundamentalmente especulativo, que vinha impondo a contínua apreciação do real…
O mercado de câmbio sinaliza que o movimento, fundamentalmente especulativo, que vinha impondo a contínua apreciação do real, pode ter atingido o ponto crítico de suporte ao aproximar o preço da moeda americana de R$ 1,80, levando os agentes que vinham articulando o movimento a partir de posições no mercado futuro de dólar na BM&F, e, também, a partir das posições vendidas no mercado de câmbio à vista, que acabaram sendo erraticamente fomentadas pelo próprio BC ao comprar volumes de dólares acima do fluxo cambial excedente do mercado, ao desmonte gradual.
Como enfaticamente destacamos ao longo de semanas, ante a ausência de instrumento técnico operacional utilizável pelo BC como antídoto ao movimento, somente os próprios gestores do movimento especulativo é que poderiam determinar a reversão do mesmo, conduzindo assim o preço da moeda americana à recuperação no nosso mercado de câmbio.
Certamente houve a percepção de que além daquele preço ocorreria a inviabilização de reversão e realização do lucro contido nas posições, pois não ocorreram movimentos correlatos buscando o mesmo objetivo como as “arbitragens” que tem forte impacto de apreciação do real e nem o BC cometeu o equívoco de tentar conter o movimento com a colocação de “swaps cambiais reversos”, que contrariamente ao objetivo teórico levaria a apreciação do real à intensificação.
O cenário da economia americana ainda é muito contraditório, apesar das projeções otimistas que estão sendo geradas pelos analistas, porém os dados do “payroll’ apontando reação do emprego, com cortes menores de postos de trabalho e recuo do desemprego, fortalece a perspectiva de que o dólar pode recuperar-se frente às demais moedas fortes, e, hoje, o dado da produtividade dos trabalhadores americanos no setor não-agrícola crescendo a uma taxa anualizada de 6,4% no 2º trimestre deste ano e os custos do trabalho por unidade recuando 5,8% no mesmo período, sendo o mais expressivo desde o 3º trimestre de 2003, são sinais relevantes da atividade econômica. A economia americana é dependente do comportamento do emprego, renda e consumo, pois 70% do PIB é originado do mercado interno.
Um cenário que pode estar sugerindo um dólar não tão fragilizado no mercado internacional e a desmistificação da tese de que é o fluxo cambial incessante e relevante que aprecia o real no nosso mercado de câmbio à vista, combinado com a percepção de que o BC retira os excedentes do fluxo com os leilões e o movimento ocorre artificializado a partir do mercado futuro de dólar, e que há limites para a apreciação do real, caso contrário os especuladores ficam na posição de lucro, porém sem condições de realização por ausência de oferta e liquidez, pode estar fortalecendo o desmanche do movimento especulativo, inicialmente a partir da redução das posições vendidas dos bancos no mercado de câmbio à vista.
No mercado futuro de dólar, envolvendo cupom e futuro de dólar, as posições não estão se alterando o que pode estar evidenciando já a falta de liquidez, que certamente retornará a partir da elevação do preço da moeda americana.
Inegavelmente, um corte a mais na SELIC seria muito importante para fechar espaços que ainda estimulam especulações.
O IGP-M divulgado hoje pela FGV em sua 1ª prévia apontou deflação de 0,68%, o triplo da deflação da 1ª prévia de julho que apontou 0,23%, com quedas no atacado, varejo e construção.
A China anunciou que suas exportações caíram 23% em julho em relação a um ano atrás, porém tiveram alta de 10,4% em relação a junho deste ano, enquanto as importações caíram 14,9% em ritmo anual. A produção industrial chinesa teve alta de 10,8% em julho e as vendas no varejo aumentaram 15,2%. No segundo trimestre a economia chinesa registrou um crescimento de 7,9% em ritmo anual.
A Rússia anunciou queda de 10,9% no seu PIB no 2º trimestre comparado com idêntico período do ano passado, abaixo do esperado que estava entre 8,7% a 10,0%. Contudo, o PIB do 2º trimestre cresceu 75% em relação ao 1º trimestre.
O Banco Central do Japão manteve a taxa de juros em 0,1%, salientando que a economia deixará de piorar com base no aumento das exportações e da produção.
As bolsas americanas operam em baixa com realização de lucros, havendo novas preocupações com os bancos, em especial de pequeno porte, e a surpresa negativa com os números dos estoques do atacado que recuaram 1,7% em junho ante projeção de recuo de 0,9% e dado de maio revisado de negativo 0,8% para 1,4%.
Há também expectativa em relação à reunião do FOMC que será encerrada amanhã, não se esperando mudança na taxa de juro, mas concentrando o foco na nota pós-reunião.
A BOVESPA ante o clima negativo no exterior e como é fortemente dependente dos investidores estrangeiros, também opera realizando lucros, já que tecnicamente os preços das principais ações estão sendo considerados elevados.
Os “treasuries” de 10 anos em valorização fecham as curvas de juros “yeld” indicando rentabilidade de 3,705%. O petróleo em queda está sendo cotado a US$ 69,02 o barril na NYmex.
Sidnei Moura Nehme
Diretor Executivo, Economista
NGO CORRETORA DE CÂMBIO

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