A volatilidade tende a prevalecer no mercado financeiro internacional.
A volatilidade tende a prevalecer no mercado financeiro internacional, já que os números que vêm sendo gerados pelas economias alternam-se entre otimistas, menos ruins e pessimistas, e ocorrem, por vezes, de forma não alinhada com as projeções dos analistas.
A Europa, cujas projeções admitiam maior grau de dificuldades de recuperação no confronto com as possibilidades da economia americana, acaba atropelando com um PIB na eurozona no 2º trimestre recuando somente 0,1% ante projeção de queda de 0,4%, mas apontando as saídas da Alemanha e França da recessão econômica com PIB´s no 2º trimestre com crescimento de 0,3%, enquanto que os dados do seguro desemprego americano voltaram de forma imprevista a subir, bem como as vendas de varejo recuaram 0,1% ante projeção de alta de 0,8%.
Estes movimentos afetam o comportamento da relação paritária do dólar ante as moedas fortes e provocam comportamentos mutantes das bolsas americanas e européias, ocasionando volatilidade.
No Brasil, a idéia de que a taxa SELIC de 8,75% seria a definitiva para este ano passa por reavaliação dos analistas e o mercado de juro já demonstra sensibilidade a respeito da possibilidade de novos cortes.
Espaço há, a inflação tem demonstrado números que sugerem pelo menos um corte de mais 0,50%, em dose única ou parcelada.
Esta possibilidade seria positiva no sentido de estimular ainda mais a economia interna, e mais um incentivo para o setor produtivo brasileiro que tem sido menos reagente do que os demais.
Não se pode perder de vista que a redução do juro seria positiva também para dar suporte à taxa cambial.
No mercado de câmbio ocorre volatilidade no entorno de R$ 1,82 e identificamos resistência neste ponto para a continuidade da apreciação do real.
Como temos salientado, no nosso entendimento, a apreciação do real no mercado de câmbio é conseqüência de movimentos que ocorrem no mercado futuro de câmbio induzindo o preço da moeda americana à queda especulativamente com a formação de posições vendidas em cupom cambial e futuro de dólar por investidores estrangeiros e bancos, visando otimização do ganho da variação cambial, num cenário em que a autoridade monetária não tem instrumentos técnico-operacionais para coibir.
Contudo, há dois cenários em que este tipo de especulação se desenvolve:
· a partir de movimentos estabelecidos pelos especuladores, sem a presença do BC com instrumentos financeiros no mercado futuro de câmbio; e
· a partir de movimentos estabelecidos pelos especuladores, com a presença do BC com instrumentos financeiros denominados “swaps cambiais reversos” no mercado futuro de câmbio.
No cenário sem a presença do BC, os especuladores ficam expostos ao risco efetivo de conduzir o preço da moeda americana a nível excessivamente baixo e acabar num contexto de mercado com escassa liquidez, pois a taxa cambial deprimida inibe a oferta no mercado futuro de câmbio, e assim torna-se difícil a realização dos lucros acumulados nas posições especulativas. Por isso, a apreciação do real é conduzida até parâmetros em que o especulador entenda que não ocorrerá o “córner” da não liquidez de suas posições vendidas por falta de oferta que possibilite revertê-las.
No cenário com a presença do BC, os especuladores assumem a posição vendida de dólar no mercado futuro de câmbio ao participar da operação de colocação dos “swaps cambiais reversos” por parte da autoridade monetária. A estrutura destes instrumentos financeiros deixa o BC com direito a variação cambial positiva e com o ônus do juro a favor dos “players”. Os “players” em desencadeiam movimento especulativo de apreciação do real, gerando, portanto, variação cambial negativa para a autoridade monetária, objetivando o duplo ganho do juro e da variação cambial. Com movimentos especulativos desenvolvidos a partir dos “swaps cambiais reversos”, diferente do movimento espontâneo de especulação sem participação do BC, não há preocupação com a falta de liquidez e, portanto, a apreciação do real pode ser maximizada, como aconteceu na fase antecedente a crise, quando o preço da moeda americana chegou a R$ 1,50, pois a liquidez está garantida pela própria autoridade monetária que terá que reverter o “swap cambial reverso” que colocou no mercado.
Em razão das circunstâncias expostas é que temos salientado que o BC deve atuar com leilões no mercado de câmbio à vista retirando os excedentes do fluxo, porém sem tornar as posições dos bancos em “vendidas”, o que não faz nenhum sentido e também é totalmente ineficaz no objetivo de conter a apreciação do real, pelo contrário pode estimulá-la de forma a que estas posições venham a ser cobertas com moedas a preço mais baixo. E também, entendemos que não deva realizar quaisquer intervenções no mercado futuro de câmbio utilizando os “swaps cambiais reversos”, que é absolutamente errático, e que provoca efeitos diretamente inversos ao objetivo teórico.
Assim, o limite da queda sobre o qual o BC não tem poder de contração acaba determinado pelo movimento especulativo no mercado futuro e que ante o risco da não iliquidez não será tão exacerbada quanto seria se houvesse a intervenção. Na sequência tornar-se-á inviável a sustentação pela especulação da apreciação do real e com a continuidade do fluxo de recursos para o país, os novos investidores procurarão o mercado futuro de câmbio para realizar efetivamente “hedge”, ou seja, comprar no mercado de câmbio futuro o equivalente as divisas convertidas para reais para aplicação na BOVESPA e em títulos de renda fixa, e assim a demanda acabará fortalecendo o preço da moeda americana, neutralizando a apreciação do real.
No nosso entender, a formação do preço da moeda americana no nosso mercado de câmbio tem inúmeros vetores, com a grande maioria de natureza interna, sendo um verdadeiro jogo de xadrez, e é preciso atentar para os movimentos das peças, e isto tem um grau de complexidade nem sempre muito transparente, por isso as justificativas caem no comum de atribuir-se, simplistamente, ao fluxo cambial.
Na nossa visão, o BC acentuar os volumes de compra de dólares no mercado à vista não é a solução para o quadro atual. O mercado de câmbio no Brasil é flutuante e o próprio mercado conduzirá o preço da moeda americana ao equilíbrio, e, excepcionalmente, o BC deverá continuar esterilizando do mercado à vista somente os excedentes, aumentando as reservas cambiais do país, o que lhe permite assegurar que não tem o objetivo de interferir no preço do mercado cambial.
Sidnei Moura Nehme
Diretor Executivo, Ecomonista
NGO CORRETORA DE CÂMBIO

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