O fluxo cambial até o dia 26 de junho, que foi objeto de nosso comentário específico ontem…
O fluxo cambial até o dia 26 de junho, que foi objeto de nosso comentário específico ontem, sinaliza que, a despeito do sentimento de que o país esteja recebendo forte ingresso de recursos externos, parte direcionados ao mercado financeiro e parte oriundos da nossa balança comercial por seus exuberantes números de superávits, liquidamente o país voltou a ter fluxo negativo.
Naturalmente, os dados até 26 podem não contemplar a totalidade dos ingressos ocorridos direcionados a IPO da Visanet, que pela dimensão do evento podem contribuir para reverter o saldo de fluxo negativo no mês de US$ 1,227 Bi ou até reduzi-los, mas esta é uma hipótese que somente poderá ser confirmada com os dados a serem divulgados na quarta-feira da semana próxima.
O BC manteve-se firme no seu propósito de reduzir drasticamente a liquidez em dólares do mercado à vista, e, com isto adquiriu através de seus leilões de compra o montante de US$ 1,689 Bi, atingindo fortemente as posições compradas dos bancos fazendo-as reverter as posições vendidas em estimados US$ 351,0 MM em 26 de junho. Além disto, o BC manteve-se corretamente ausente do mercado futuro de dólar, não utilizando os denominados “swaps cambiais reversos” com o intuito de dar sustentação ao preço da moeda, inibindo assim movimentos especulativos já que estes instrumentos provocam efeitos contrários aos seus objetivos primários.
Nosso ponto de vista apontava esta dinâmica operacional por parte do BC antes mesmo que a autoridade a adotasse, porém, com a reversão das posições compradas dos bancos para vendidas, urge que a autoridade monetária altere sua estratégia e interrompa os seus leilões de compra, evitando assim o aumento das posições vendidas dos bancos, que acabam por estimular discretos, porém eficazes movimentos especulativos com os bancos fazendo “Day Trade” com a certeza de que a autoridade surgirá como compradora, o que acaba estimulando a apreciação do real, mesmo com fluxo negativo, e viabilizando o aumento das posições vendidas.
Este cenário de apreciação do real mesmo num ambiente de fluxo negativo acaba por fomentar nos exportadores o temor de queda continuada do preço e pode induzi-los a buscar realizar o “hedge” de suas posições no mercado futuro de dólar, o que não é uma boa opção neste momento, ou a retardar as contratações dos câmbios de exportações distorcendo os resultados do fluxo cambial.
A formação do preço da moeda americana no mercado de câmbio brasileiro tem fatores nem sempre perceptíveis e que a distanciam do conceito simplista de ser conseqüência do fluxo, como no caso atual em que temos preço do dólar em queda com fluxo negativo.
Embora não tenhamos um movimento especulativo instalado no mercado futuro de dólar, até porque a ausência do BC atuando com “swaps cambiais reversos” impede que ocorra, bancos e investidores estrangeiros já sinalizam ter a percepção de que o BC deve alterar a sua estratégia da rotina de leilões de compra diárias, buscando tornar-se mais imprevisível, e isto determinou movimentos nas posições do mercado futuro de dólar e cupom cambial na BM&F:
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BANCOS |
DIA 30 |
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DIA 1º |
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Cupom cambial DDI |
US$ 550 MM |
V |
US$ 3,639 Bi |
V |
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Futuro dolar |
US$ 5,370 Bi |
V |
US$ 122 MM |
V |
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Líquido |
US$ 5,920 Bi |
V |
US$ 3,761 Bi |
V |
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INV.NÃO RESIDENTES |
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Cupom cambial DDI |
US$ 100 MM |
C |
US$ 3,049 Bi |
C |
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Futuro dolar |
US$ 450 MM |
C |
US$ 3,142 Bi |
V |
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Líquido |
US$ 550 MM |
C |
US$ 93 MM |
V |
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Totais |
US$ 5,370 Bi |
V |
US$ 3,854 Bi |
V |
As posições vendidas líquidas foram reduzidas em quase 30% do dia 30 de junho para o dia 1º de julho.
A análise com base nos fundamentos quantificáveis indica que o preço da moeda americana tende a recuperação frente ao real, não havendo sustentação no movimento de apreciação do real que ocorreu nos últimos dias, exceto a queda estratégica para acolher o ingresso dos recursos destinados a IPO da Visanet que foi pontual e já superada.
Esta recuperação de preço do dólar será mais consistente se o BC deixar de realizar os leilões diários de compra quando os bancos estiverem posicionados vendidos, evitando assim estimular que estas posições cresçam e, o fizer somente quando houver fluxo positivo. Enfim, atuar mais no específico e menos no geral, fugindo agora da rotina e deixando de ser previsível.
O IBGE divulgou hoje que a produção industrial brasileira acumula queda de 5,1% nos últimos 12 meses até maio, o pior resultado desde o início da série em 1991. Em maio a produção caiu 11,3% em relação ao mesmo período de 2008, um pouco abaixo da projeção do CORECON que era de 12,4%, marcando o 7º mês consecutivo de queda. Na comparação com o mês de abril a produção subiu 1,3%, ante projeção do CORECON de 0,5%, sendo o 5º resultado positivo consecutivo na comparação mês contra mês antecedente.
A FGV divulgou que com base no IPC-S divulgado ontem, os preços ao consumidor recuaram em 6 das 7 capitais .
No exterior, o BCE decidiu nesta quinta-feira manter a sua taxa de juro no mínimo histórico de 1%, dentro da expectativa.
Nos Estados Unidos, o Departamento de Trabalho divulgou que em junho houve corte de 467 mil vagas de emprego no país, após ter registrado (revisado) 322 mil em maio. Desde dezembro de 2007, inicio da recessão, houve a eliminação de 6,5 milhões de postos de trabalho nos Estados Unidos. A taxa de desemprego subiu de 9,4% em maio para 9,5% em junho.
Os pedidos de seguro desemprego nos Estados Unidos recuaram 16 mil na última semana, caindo para 614 mil.
Os pedidos para a indústria nos Estados Unidos cresceram 1,2% acima da projeção de 0,9%.
As bolsas de uma forma generalizada repercutem cenários pouco favoráveis e com as commodities agrícolas e metálicas em queda operam em baixa, inclusive a nossa BOVESPA que já se aproxima outra vez a 50.000 pontos.
Os “treasuries” de 10 anos apontam rentabilidade de 3,512%aa. O Euro vale US$ 1,4011. A Libra US$ 1,6345 e Yens 96,11 valem US$ 1,00.
Sidnei Moura Nehme
Diretor Executivo, Economista
NGO CORRETORA
