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Archive for Julho, 2009

Final do mês mantendo o otimismo, mas sem euforismos, com os Estados Unidos anunciando o PIB do 2º trimestre com queda de 1%.

Final do mês mantendo o otimismo, mas sem euforismos, com os Estados Unidos anunciando o PIB do 2º trimestre com queda de 1%, menor do que as projeções que estavam em torno de 1,5%, porém evidenciando uma queda imprevista nos gastos dos consumidores americanos no período de 1,2%, que é um dado relevante para o país, já que 70% do seu PIB é dependente do consumo interno. A queda do PIB no 1º trimestre foi revisada para 6,4%.

 

Dados controversos acabam por provocar incertezas sobre a efetiva retomada da atividade econômica, pois a queda do consumo está em linha com a queda da confiança do consumidor apurada pelo Conference Board e com o índice de pedidos de bens duráveis que caiu 2,5% muito acima da projeção de 0,5%, embora o índice de atividade industrial de Chicago, divulgado hoje, tenha ficado acima da esperada em julho ao registrar 43,4 pontos, projeção de 43,0 pontos, após 39,9 pontos em junho, em linha com a percepção relatada no “Livro Bege” divulgado esta semana pelo FED.

 

As bolsas americanas operam em alta, podendo ocorrer volatilidade, e a BOVESPA mostrou-se volátil ao início dos negócios e retomou posteriormente tendência de alta.

 

No mercado de câmbio há um efeito do fator Ptax que é estabelecido hoje e isto enseja disputas entre “vendidos” e “comprados” no ambiente da BM&F, tendo havido uma queda maior ontem e hoje a pressão baixista é até discreta, visto que os bancos estão liquidamente vendidos no mercado futuro em US$ 3,5 Bi e os estrangeiros estão liquidamente vendidos em US$ 500,0 MM.

 

Observa-se que os bancos inverteram sua posição especificamente no mercado futuro de dólar passando de vendido US$ 100,0 MM na quarta para comprados US$ 500,0 MM na quinta, enquanto os estrangeiros elevaram discretamente suas posições vendidas de US$ 3,6 Bi para US$ 3,7 Bi.

 

Entendemos que há um viés no comportamento dos “players” de redução das posições no mercado futuro, envolvendo Cupom Cambial e futuro de dólar, e este fato agregado à dinâmica operacional do BC comprando os excedentes do fluxo cambial, poderá colocar ao longo do mês de agosto o preço da moeda americana em recuperação, contrariando inúmeras projeções que vêm sendo propagadas de intensificação da apreciação do real.

 

No exterior são crescentes os sinais das economias asiáticas e européias de resultados corporativos melhores, porém na zona do euro o desemprego é o maior em 10 anos, atingindo 9,4% em junho ante 9,3% (revisado) apurado em maio e os preços ao consumidor tiveram deflação de 0,6% em julho em base anual, acima das expectativas.

 

O Presidente do Deutsche Bank, Josef Ackermann, manifestou-se preocupado com a inadimplência entre consumidores e empresas, sinalizando que esta poderá ser a “próxima onda”, tornando-se o novo epicentro da crise.

Os “treasuries” americanos de 10 anos apontam rentabilidade de 3,555%. O petróleo está sendo cotado a US$ 67,61 o barril na Nymex. O Euro vale US$ 1,4173.A Libra US$ 1,6583 e Yens 95,25 valem US$ 1,00.

 

Sidnei Moura Nehme
Diretor Executivo, Economista
NGO CORRETORA DE CÂMBIO
www.ngo.com.br

 

A Ata do COPOM fortalece a percepção de que a redução da taxa SELIC de 9,25% para 8,75% possa ter sido a última do ano.

A Ata do COPOM fortalece a percepção de que a redução da taxa SELIC de 9,25% para 8,75% possa ter sido a última do ano, pois a despeito do corte de 0,50% ter sido unânime salienta:

 

“Apesar de alguns membros do Comitê entenderem que haveria respaldo para a possibilidade de manter inalterada a taxa básica de juros já nesta reunião, houve consenso de que o balanço dos riscos para a trajetória prospectiva central da inflação ainda justificaria estímulo monetário residual”; e mais, “O COPOM considera, também, que uma postura mais cautelosa contribuirá para mitigar o risco de reversões abruptas da política monetária no futuro”. O COPOM deixou evidente que está percebendo algum aquecimento maior na inflação que a aproxima da meta.

 

Contudo, indicadores inflacionários posteriores à reunião do COPOM, como o IPCA-15 que desacelerou para 0,22% em julho após ter registrado 0,38% em junho e o IGP-M, divulgado hoje pela FGV, com a quinta deflação e acelerando-se ao registrar 0,43%, maior do que a deflação de 0,33% apurada em junho, com o IPA caindo 0,85% ante queda de 0,45% em junho e o IPC subindo para 0,34% após alta de 0,17% em junho, repercutindo a alta no grupo Alimentação pontual nesta fase do ano devido problemas climáticos.

 

O consenso predominante no mercado financeiro era de que esta teria sido a última redução do ano, assim não há nada na Ata que surpreenda, a não ser o fato de que houve a possibilidade de não cortar a taxa, o que reforça a convicção de que não ocorrerá nova redução neste ano.

 

Todavia, a condução da política monetária é dinâmica e certamente se a curva da inflação revelar tendência de queda, não se pode descartar a possibilidade do COPOM vir a reduzir a taxa SELIC ainda este ano, caso a atividade econômica não evidencie forte aquecimento.

 

Contudo, não há consenso entre analistas sobre as projeções das taxas longas no mercado de juro, que sugerem uma retomada das elevações da SELIC no final do ano de 2010, já que divergem quanto às perspectivas inflacionárias, porém é notório o aumento da preocupação generalizada no mercado financeiro em relação à má qualidade dos gastos do governo durante a crise não focados na política contracíclica, mas em aumento das despesas com custeio da máquina governamental, que são permanentes, absolutamente na mão contrária do que se viu em todos os países do mundo, e isto tende a afetar também as taxas longas.

 

Embora haja ainda espaço para arbitragens com este parâmetro de taxa de juro, a partir de operações de “carry trade”, não temos percebido incremento nesta linha, e nem nas arbitragens fortemente especulativas que são aquelas que não implicam em ingresso de recursos efetivos, que o mercado nomeia como com “dólares sintéticos” já que não há ingressos, e que são extremamente danosas à formação do preço da moeda americana, pois provocam forte apreciação do real.

 

Ontem, o BC divulgou o fluxo cambial até o dia 24 e pelos números, que tivemos oportunidade de comentar e expor em matéria à parte ontem, se constata que o fluxo cambial líquido está negativo em US$ 415,0 MM, considerando-se o fluxo cambial bruto positivo de US$ 491,0 MM menos as compras do BC, via leilões, de US$ 906,0 MM, não havendo razão, portanto, para atribuir-se ao fluxo a causa da apreciação do real.

 

No mercado futuro de dólar (cupom cambial-DDI e futuro de dólar), os bancos estão liquidamente vendidos em US$ 4,1 Bi e os estrangeiros na mesma direção em US$ 400,0 MM, e assim será normal que o preço da moeda americana no mercado à vista, depois de recuperação nos últimos 2 dias, seja pressionado a apreciar o real, o que explica o fato de ter fechado ontem a R$ 1,9040 e hoje já ter aberto a R$ 1,88, pois a rigor os posicionamentos sugerem pressão para baixo, pelo menos hoje e amanhã, tendo contra esta tendência somente o fluxo, se for negativo.

 

Portanto, hoje e amanhã a taxa de câmbio deverá apresentar volatilidade e um viés de baixa.

 

Entretanto, continuamos não trabalhando com projeções de excessiva apreciação do real, entendendo que o preço da moeda americana tende à recuperação na medida em que sejam reduzidas as posições no mercado futuro, que não tinham originalmente caráter especulativo, mas que acabaram por assumir postura defensiva e indutora à apreciação do real visto que a liquidez deste mercado ficou muito estreita, e, o BC, corretamente, deixou de gerar liquidez com “swaps cambiais reversos” visando conter a queda. Este é um problema para o qual a autoridade monetária não tem instrumentos para interferir, por isso, deve ausentar-se temporariamente do mercado e deixar que o próprio mercado flutuante resolva, já que sabidamente não é o fluxo a causa.

 

Neste momento, claramente a apreciação do real não decorre do fluxo cambial como tem sido largamente apregoado sustentando-se esta tese mais no “sentimento” e menos nos números efetivos que os evidencia, mas mesmo que em perspectiva o fluxo cambial possa acentuar-se, acreditamos que o BC continuará esterilizando todos os excedentes visando elevar as reservas cambiais do país, que a despeito do elevado custo de carregamento é conveniente para o país neste cenário de crise internacional. Acreditamos que o BC tenda a elevar as reservas cambiais até 25% acima do montante da dívida externa do país, o que representaria algo entre US$ 240,0 a US$ 250,0 Bi.

 

Notícias no cenário internacional reanimam os mercados financeiros. Nos Estados Unidos as perspectivas favoráveis sinalizadas pelo relatório, Livro Bege, emitido pelo FED sobre o comportamento da economia americana, aliviam as preocupações decorrentes da queda do indicador de confiança dos consumidores que recuou de 49,3 para 46,6 pontos e da queda das encomendas de bens duráveis de 2,5% em junho, muito acima da projeção de queda de 0,5%. Analistas também veem motivos para confiar na melhora do setor imobiliário, e o Presidente Obama faz pronunciamentos salientando as perspectivas melhores. Enfim, há uma corrente positiva buscando reanimar o cenário econômico americano, e isto repercute nas bolsas que voltam a operar em alta enquanto os “treasuries” estão em queda e abrindo suas curvas de juros “yeld”, com o papel de 10 anos apontando rentabilidade de 3,706%.

 

O número de pedidos de seguro desemprego na semana finda em 25 aumentou para 584 mil após ter registrado 559 mil na semana antecedente e ficou um pouco acima da projeção.

 

A despeito do esforço pelo otimismo, não se pode descartar volatilidade em perspectiva, pois a economia americana, certamente, terá ainda um percurso para recuperar-se maior do que os anseios.

 

Na China foram afastadas as preocupações com restrições na área creditícia, fortalecendo-se a convicção de que continuará o suporte ao forte crescimento econômico e a expansão do crédito sustentável e o People´s Bank of China informou que manterá a política monetária expansionista para consolidar a recuperação. Reação imediata, as “commodities” passaram a ser operadas em alta.

 

Na eurozona a confiança econômica atingiu o maior nível em 8 meses, com dados sinalizando recuperação, elevando o índice em julho para 76 pontos após 73,2 pontos em junho.

 

No Japão a produção industrial subiu pelo 4º mês seguido, tendo atingido alta de 2,4% em junho comparado em maio.

 

O petróleo está sendo cotado a US$ 64,63 o barril na Nymex, em alta. O Euro vale US$ 1,4063. A Libra US$ 1,6511 e Yens 95,61 valem US$ 1,00.  

Sidnei Moura Nehme
Diretor Executivo, Economista
NGO CORRETORA DE CÂMBIO

www.ngo.com.br

FLUXO CAMBIAL - PERÍODO 1º A 24 DE JULHO DE 2009.

COMERCIAL

 

EXPORTAÇÕES

US$   7,525 MM

IMPORTAÇÕES

US$ 10,211 MM

(-) NEGATIVO

US$  2,686 MM

FINANCEIRO

INGRESSOS

US$ 24,726 MM

 SAÍDAS

US$ 21,549 MM

(+) POSITIVO

US$  3,176 MM

 FLUXO CAMBIAL POSITIVO US$ 491,0 MM

 

(-)COMPRAS DO BC NO PERÍODO US$ 906,0 MM

 

FLUXO CAMBIAL “NET” PARA O MERCADO

 

NEGATIVO ……………………. US$ 415,0 MM

 

O Banco Central do Brasil persistiu nos seus leilões de compra no mercado de câmbio à vista, e, nesta semana de 20 a 24 de julho, retirou do mercado mais US$ 501,0 MM do fluxo cambial positivo da semana de US$ 820,0 MM (comercial – US$ 1,170 MM financeiro + US$ 1,990 MM), fazendo com que o fluxo cambial “net” na semana tenha sido positivo US$ 319,0 MM.

 

O fluxo cambial “net” do mês até 24 ficou negativo em US$ 415,0 MM, resultante do fluxo cambial positivo de US$ 491,0 MM menos o montante de US$ 906,0 MM que o BC retirou do mercado à vista através de seus leilões de compra.

 

Como os bancos, conforme dados do próprio BC, haviam fechado o mês de junho com posições compradas de US$ 524,0 MM, devem tê-las reduzido para compradas de US$ 109,0 MM, fato que se concretizou somente no dia 24, pois até então ainda estavam com posição vendida.

 

Verifica-se que o comportamento do preço do dólar tem sido totalmente assimétrico em relação ao fluxo cambial, que de forma alguma justificaria o movimento de apreciação ocorrida no real ao longo do mês.

 

O BC, no nosso entender, ante esta atipicidade de comportamento deveria ausentar-se totalmente do mercado à vista, a exemplo do que, corretamente, já vem fazendo em relação ao mercado futuro de dólar. Não cabe à autoridade fomentar o estabelecimento de posições vendidas pelos bancos, ao comprar dólares mesmo num ambiente de fluxo negativo, pois não faz senso elevar as reservas cambiais mediante utilização de linhas externas por parte dos bancos, que é o que ocorre quando ficam com as posições vendidas. Por outro lado, sua participação não promove sustentação ao preço da moeda americana e nem mesmo, evita volatilidade no quadro atual.

 

No mercado futuro de dólar, os bancos têm estado vendidos em valores que flutuaram na semana passada, liquidamente, entre US$ 4,0 e US$ 4,5 Bi, com predominância da posição em Cupom Cambial e com a posição futura de dólar com um viés de redução gradual, ao mesmo tempo em que os estrangeiros que vinham mantendo posições em valores líquidos comprados vêm alterando suas posições e tornando-se vendidos no futuro de dólar, ficando quase zerado quando consideramos suas posições compradas em Cupom Cambial.

 

Não vemos ambiente para que se instale movimento especulativo sustentável a partir dos mercados futuros de dólar, devido à baixa liquidez e a ausência do BC ofertando “swaps cambiais reversos”.

 

Por isso entendemos que a apreciação do real é um fator pontual até que os “players” consigam zerar suas posições vendidas, o que é moroso, pois não vemos os exportadores propensos a fazer “hedge” de suas posições futuras de exportações aos níveis atuais de taxa cambial, que seria a ponta da oferta.

 

Há uma propagação intensa da idéia que atribui ao fluxo a apreciação do real, porém os números informados pela autoridade do fluxo cambial não sancionam este fundamento como “causa”.

 

É notório que está havendo contingenciamento na contratação do câmbio de exportações já liquidadas que representam mais de US$ 5 BI, naturalmente, como conseqüência da taxa cambial deprimida.

 

Em realidade, não vemos quaisquer indicativos que possam recomendar especular-se na relação dólar versus real no momento, e nem mesmo a possibilidade de intensificação do fluxo cambial justificaria movimentos nesta linha, visto que o BC tem disposição para continuar aumentando as reservas cambiais do país, mesmo que seja uma operação cara, porém é conveniente perante a comunidade financeira internacional e acreditamos ser razoável que o país eleve suas reservas até 25% acima do total da dívida externa do país, e isto representaria acumular reservas entre US$ 240,0 a US$ 250,0 Bi.

 

Não podemos perder de vista que o próximo ano é eleitoral, e um nível de reservas desta magnitude e uma eventual revisão do grau de investimento do país para cima, poderão ser conquistas relevantes.

 

Sidnei Moura Nehme
Diretor Executivo, Economista
NGO CORRETORA DE CÂMBIO
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O mercado americano repercute dois indicadores negativos relevantes para uma economia que tem o seu PIB dependente em 70% do consumo interno.

O mercado americano repercute dois indicadores negativos relevantes para uma economia que tem o seu PIB dependente em 70% do consumo interno. O índice de confiança do consumidor de julho, divulgado ontem, apurado pelo Conference Board que havia apurado 49,3 em junho e tinha projeção de 49,4 para julho, surpreendeu recuando para 46,6 impactando forte nos negócios e humor do mercado financeiro. Hoje, o indicador das encomendas de bens duráveis à indústria que havia sido positivo em 1,3% em maio e tinha projeção de queda de 0,5% para o mês de junho, surpreendeu com queda de 2,5%.

 

Estes indicativos prevalecem sobre eventuais indicadores positivos, visto que afetam diretamente perspectivas sobre a recuperação do consumo interno, e, demonstram que a economia pode não estar em fase tão recuperatória quanto vem sendo propagada pelas autoridades governamentais.

 

Conseqüência natural, as bolsas americanas passam a operar em queda e os “treasuries” valorizam-se fechando as curvas de juros “yeld”, com os papéis de 10 anos sinalizando rentabilidade de 3,63%, face ao aumento da demanda.

 

A bolsa de Shangai registrou uma queda pontual de 5,0% hoje decorrente de um movimento de realização após forte alta de papéis oriundas de IPO´s, que criaram insegurança e colocou em questionamento a ocorrência de uma “bolha especulativa”, e este comportamento acabou contaminando as demais bolsas asiáticas, exceto a bolsa de Tókio, que subiu 0,26%.

 

Na Europa as bolsas abriram repercutindo resultados corporativos positivos, porém há expectativa em relação à reação a dados novos divulgados da economia americana. Pesquisa realizada pela Harris Interactive aponta que 45% dos britânicos, 40% dos espanhóis e franceses, 39% dos italianos e 32% dos alemães acreditam que a crise ainda irá durar um ou dois anos.

 

A BOVESPA, após breve período de recuperação com retorno de investidores estrangeiros, opera em forte baixa em decorrência de realização de lucros influenciados pelo ambiente externo, e, certamente os investidores estrangeiros devem estar liderando este movimento e isto repercute em pressão de demanda sobre o dólar, o preço ainda muito deprimido estimula o retorno destes recursos as suas origens. Embora haja muito otimismo em relação ao comportamento da BOVESPA e ao fluxo de recursos externos que possa atrair, é notório que a excessiva concentração em papéis ligados a “commodities” torna-a muito volátil, além do fato de ser muito dependente do investimento externo.

 

No ambiente interno, a FGV divulgou o ICI (Índice de Confiança da Industria) com crescimento de 6,2% em julho, chegando a 99,4 pontos, maior nível desde outubro de 2008 quando registrou 104,4 pontos.

 

Dados divulgados pelo governo confirmaram melhora no crédito, porém com grande predominância dos bancos oficiais em relação aos bancos privados. Em junho o volume global atingiu R$ 1,278 Tri equivalente a 43,7% do PIB. O governo divulgou também dados evidenciando queda nas receitas e elevação das despesas, não passando desapercebido que além do que possa ser considerado normal face a política anticíclica, houve um aumento excessivo com custeio. Hoje divulgou o superávit primário de R$ 3,376 Bi em junho, melhor do que maio que registrou R$ 1,119 Bi.

 

No mercado de câmbio futuro de dólar os bancos aumentaram suas posições líquidas vendidas em Cupom Cambial-DDI de US$ 3,5 Bi para US$ 4,0 Bi, porém seguiu reduzindo as posições líquidas vendidas no futuro de dólar que passaram de US$ 850 MM para US$ 390 MM. É importante destacar que a posição líquida total vendida no mercado futuro de dólar registrava US$ 3,1 Bi no dia 13 e ontem estava reduzida a US$ 390 MM.

 

Por outro lado, os estrangeiros elevaram suas posições líquidas compradas em Cupom Cambial –DDI de US$ 2,9 Bi para US$ 3,2 Bi, porém seguiram elevando suas posições líquidas vendidas no futuro de dólar que passaram de US$ 2,5 Bi para US$ 3,5 Bi. Importante observar que a posição líquida total vendida no mercado futuro de dólar registrava tão somente US$ 250 MM no dia 13 e ontem já havia sido elevada para US$ 3,5 Bi.

 

Os movimentos têm sido mais acentuados no mercado futuro de dólar, com os bancos reduzindo suas posições vendidas e os estrangeiros ampliando-as, enquanto as posições de Cupom Cambial DDI tem se mostrado próximas da estabilidade.

 

Isto pode evidenciar que os bancos estão deixando de considerar a tendência de apreciação maior do real, enquanto os estrangeiros acentuam esta percepção de apreciação. Contudo, acreditamos que se o BC não realizar oferta de “swaps cambiais reversos” no mercado futuro de dólar, não há possibilidade dos estrangeiros deflagrarem um movimento especulativo focando apreciação do real, pois faltará o elemento básico que é a liquidez.

 

O mercado de câmbio à vista repercute uma demanda mais forte e deixa transparecer que os bancos podem estar interrompendo o movimento de indução de apreciação do real, por entender que não é a tendência presente, já que tem a percepção clara de que o fluxo cambial líquido, por si só, não é capaz de tornar sustentável tendência de apreciação excessiva do real.

 

O final do mês ensejará uma melhor percepção deste cenário, pois enseja uma disputa entre comprados e vendidos.

 

Hoje será conhecido o fluxo cambial da semana passada, que permitirá uma análise mais detida ao permitir  também acesso aos dados de como tem sido a ação do BC no mercado com os leilões de compra.

 

Sidnei Moura Nehme
Diretor Executivo, Economista
NGO CORRETORA DE CÂMBIO

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A justificativa disseminada no mercado de câmbio de que o fluxo é o fator determinante da apreciação do real .

A justificativa disseminada no mercado de câmbio de que o fluxo é o fator determinante da apreciação do real é efetivamente uma suposição que não encontra sustentação e fundamento nos números que o Banco Central do Brasil vem apresentando desde maio até a presente data.

 

O fato suposto acreditado é que o fluxo para a BOVESPA, títulos de renda fixa e IED´s é intenso, porém é extremamente relevante que o conceito de fluxo seja abrangente e envolva a quantificação dos fluxos de ingressos comerciais e financeiros, as saídas comerciais e financeiras e a participação do Banco Central do Brasil retirando moeda estrangeira do giro do mercado, através leilões de compra.

 

Considerado o conceito efetivo do que seja o fluxo cambial do mercado de câmbio, aquele que impacta na formação do preço, não se constata consistência no argumento de que o fluxo seja a causa da apreciação do real.

 

No mês de maio, o fluxo cambial líquido para o mercado foi de somente US$ 386,0 MM, tendo ocorrido fluxo cambial comercial e financeiro de US$ 3,134 MM, porém o BC retirou do mercado com os leilões US$. 2,748 MM. Naturalmente, o fluxo cambial líquido não teve magnitude para apreciar o preço da moeda, e o fator determinante naquele mês da apreciação do real foi a intensa especulação proporcionada pela colocação pelo BC de um lote de curtíssimo prazo de “swaps cambiais reversos” de US$ 3,400 MM.

 

No mês de junho, o fluxo cambial líquido para o mercado foi negativo. O fluxo cambial comercial e financeiro somou US$ 1,076 MM e o BC retirou do mercado US$. 3,247 MM, tornando-o negativo em US$ 2,171 MM, avançando sobre as posições compradas dos bancos no mercado à vista, e as transformou em “vendidas”.

 

No mês de julho, o fluxo cambial para o mercado até o dia 23, de acordo com o BC, está negativo em US$ 118,0 MM, com substantivo déficit comercial de US$ 2,748 MM e superávit financeiro de US$ 2,630 Bi, e como até o dia 17 o BC já havia retirado US$ 405,0 MM do mercado através os leilões de compra, o fluxo cambial líquido está no mínimo US$ 523,0 MM negativo, e os bancos continuam com posições vendidas.

 

Na semana de 13 a 17 de julho, especificamente, o fluxo cambial foi negativo em US$ 765,0 MM e o BC retirou no período do mercado US$ 184,0 MM, elevando o fluxo cambial líquido para negativo em US$ 949,0 MM naquela semana, e, ainda assim, o preço da moeda americana foi desvalorizado em quase 4,0%.

 

Evidentemente, quando a formação da taxa cambial no mercado à vista reage de forma assimétrica ao fluxo cambial efetivo, há outros fatores influenciando o comportamento, e, no caso presente adveem do mercado futuro de dólar.

 

No mês de maio, os bancos formaram posição liquidamente vendida no mercado futuro de dólar, provavelmente com a convicção de que o fluxo registrado naquele mês, quase que totalmente absorvido pelo BC, viesse a se repetir nos meses seguintes e a autoridade não voltasse a retirar os excedentes e até mais do que isto do mercado ou mesmo esperando que o BC voltasse a ofertar “swaps cambiais reversos” buscando dar suporte ao preço da moeda americana, e que na realidade determinaria movimento especulativo que apreciaria ainda mais o real frente ao dólar.

 

Não nos parece que naquela oportunidade a formação daquela posição, que já esteve no entorno de US$ 7,0 Bi, tivesse o objetivo fundamentalmente especulativo, e foi sendo gradualmente reduzida estando no presente em torno de US$ 4,2 Bi, e agora configura-se de difícil zeragem pela baixíssima liquidez que ocorre no mercado futuro de dólar. Não há ofertantes num nível de taxa cambial tão baixa.

 

Acreditamos que a ausência de oferta no mercado futuro tem levado os bancos a operar induzindo a queda do preço da moeda americana, de forma a “criar” a idéia de tendência sustentável, fácil de ser propagada pela contumaz e errônea afirmação de que o fluxo é que está determinando a apreciação do real, e com isto provocar os exportadores a vender posições futuras no mercado futuro de dólar e assim viabilizar a cobertura das posições vendidas.

 

Contudo, não estão logrando sucesso e os exportadores estão optando por realizar suas exportações sem contratar o câmbio e manter os dólares no exterior utilizando-se da flexibilidade permitida pelo BC. Ao verificarmos um superávit da balança comercial superior a US$ 16,0 Bi e um superávit de fluxo cambial comercial da ordem de US$ 11,0 Bi, torna-se perceptível que há, no mínimo, US$ 5,0 Bi de exportações realizadas sem câmbio contratado em razão da taxa cambial deprimida.

 

No mês de junho a balança comercial registrou superávit de US$ 4,6BI e o fluxo cambial comercial foi negativo em 148,0 MM.

 

Além deste fato que inibe o ingresso destas divisas, a taxa cambial deprimida estimula a remessa de lucros e dividendos, pagamentos das importações vencidas ou vincendas, gastos com viagens ao exterior, e, provavelmente pode ter estimulado o movimento de realização de lucros na BOVESPA pelos estrangeiros que assim consumaram o ganho na operação e também na variação cambial na saída. Não se pode descartar também que até nos IED´s possa estar causando certo retardamento.

 

Neste cenário entendemos que o BC deva efetivamente interromper os seus leilões de compra, pois acabam por dar sustentação à posição vendida dos bancos também no mercado à vista, o que não os leva a interromper a pressão de apreciação do real, o que poderia ocorrer caso passassem a acumular posição comprada no mercado à vista. A ação do BC neste momento não inibe a queda, podendo até estar provocando a sua continuidade, não elimina volatilidade e não faz sentido aumentar reservas cambiais num ambiente de fluxo negativo. 

 

A autoridade não dispõe de mecanismos técnicos eficazes para reverter o quadro predominante no mercado de câmbio, sendo razoável que se ausente das intervenções no mercado à vista e continue ausente do mercado futuro de dólar.

 

Sidnei Moura Nehme
Diretor Executivo, Economista
NGO CORRETORA DE CÂMBIO
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No mercado de câmbio à vista vemos influência do mercado futuro de dólar na formação do preço.

No mercado de câmbio à vista vemos influência do mercado futuro de dólar na formação do preço, fato que neutraliza a recuperação de cotação da moeda americana, mesmo num ambiente em que ocorre fluxo cambial negativo, que torna a apreciação do real contraditória, ou mesmo, discretamente positivo, contudo, sem volume suficiente para impor a apreciação do real que tem ocorrido.

 

Os números do BC têm demonstrado esta realidade, deixando evidente que embora o fluxo cambial seja sempre propagado como “causa” da depreciação do preço do dólar os dados estatísticos não sancionam este fato como fundamento.

 

No mercado futuro de dólar os bancos vêm mantendo posições liquidamente “vendidas”, na sexta-feira inalterada em torno de US$ 4,2 Bi, identificando-se um viés de tendência à redução pela trajetória recente, contudo não há liquidez que viabilize de forma rápida o desmonte desta posição, pois não há oferta no mercado futuro de dólar em razão da taxa estar muito deprimida, e isto cria um “córner” que leva os bancos a dar suporte à taxa cambial com o real apreciado, preservando assim a possibilidade de realizar o ganho mesmo que num processo muito lento.

 

No nosso entender esta é a razão pontual da taxa cambial evidenciar o real excessivamente apreciado, afastado de R$ 2,00, e com resistência a reversão.

 

Continuamos entendendo que o BC deva interromper suas intervenções com leilões de compra no mercado à vista, enquanto os bancos estiverem vendidos na somatória de suas posições no mercado à vista e mercado futuro de dólar. Se provocar o acúmulo de posição comprada no mercado à vista pelos bancos, criará um fator defensivo para retirar motivação de apreciação maior do real.

 

O fato importante que observamos é que o fluxo cambial atual não justifica por si só o fortalecimento da apreciação do real, e, por outro lado, o BC tem se mantido firme não ofertando “swaps cambiais reversos” no mercado futuro de dólar, que poderia ensejar a movimentos especulativos pró-apreciação do real.

 

Portanto, nossa conclusão é que não temos instalada uma tendência de apreciação maior do real, mas sim um fator identificável e pontual, que no momento em que os bancos conseguirem superar levará a taxa cambial a recuperar preço. Entendemos ainda que o ponto de resistência que se observa entre R$ 1,88 a R$ 1,90, decorra do fato dos bancos terem consciência de que, neste momento, quanto mais baixa a taxa mais difícil ficará reverter as suas posições vendidas no mercado futuro de dólar. 

 

A BOVESPA continua persistindo no movimento de recuperação e há crescente recomendação dos analistas externos favoráveis ao Brasil, contudo, há carência de diversidade maior de ações já que as “blue chips” precificaram forte em maio os sinais prematuros de recuperação da economia brasileira e estas são muito vinculadas ao ramo de “commodities”. Acreditamos que a sustentabilidade da BOVESPA esteja dependente dos papéis focados no nosso mercado interno, ou seja, varejo e bancos. Ainda não descartamos volatilidade e rodadas de realização de lucros.

 

Na quinta-feira será divulgada a ata da reunião do COPOM da semana passada que sancionou a redução da taxa SELIC de 9,25% para 8,75%, e há expectativa sobre a possibilidade de comentários adicionais que permitam um entendimento melhor da tendência. O IPCA-15, divulgado semana passada, abaixo das projeções reabriu as discussões em torno de eventual novo corte, e, o mercado de juro da BM&F repercutiu este sentimento no curto prazo.

 

 

Hoje foi divulgado o IPC-FIPE na 3ª semana de julho com alta de 0,27%, acima do 0,23% da semana antecedente, puxado pelos alimentos.

 

As medianas das projeções de 100 instituições financeiras divulgadas pelo Boletim FOCUS deste final de semana continuam com um viés negativo em relação à inflação de 2009 mantendo-a em 4,53% e reduz de 4,41% para 4,40% para 2010, porém consideramos este dado ainda carente de melhor fundamento, pois há inúmeros fatores indefinidos para se formular projeções críveis para 2010. Reduz de 4,14% para 4,10% a projeção para o IPCA nos próximos 12 meses. Taxa SELIC 2009, US$ final do ano e PIB 2009 foram mantidos inalterados em 8,75%, R$ 1,95 e negativo em 0,34% respectivamente.

 

A balança comercial registrou superávit de US$ 653,0 MM na 3ª semana do mês.

 

O BC informou hoje que o Balanço de Pagamentos fechou o 1º semestre positivo em US$ 11,4 Bi, com junho registrando superávit de US$ 7,048 Bi e ainda, que o déficit em contas correntes diminui e atingiu US$ 7,074 Bi no mesmo período, tendo sido US$ 535,0 MM em junho, e, também que o os ingressos de investimento externo direto somou US$ 12,7 Bi, com junho registrando US$ 1,450 Bi.

 

As bolsas americanas iniciaram os negócios com um viés de baixa desapontada com alguns resultados corporativos, porém com a divulgação da surpreende melhora das vendas de casas novas em junho atingindo 11% ante projeção de 3,0%, ganharam algum ânimo, mas não estão conseguindo sustentar o otimismo e estão voláteis.

 

Nesta semana serão divulgados dados econômicos importantes, e, há também expectativa sobre o dado de crescimento do PIB americano no 2º semestre, sendo a projeção de queda de 1,5% após a queda de 5,5% no 1º trimestre.

 

Os “treasuries” de 10 anos apontam rentabilidade de 3,739%. O petróleo está sendo cotado a US$ 68,05 o barril na Nymex. O Euro vale US$ 1,4266. Libra US$ 1,6509 e Yens 95,29 valem US$ 1,00.

 

Sidnei Moura Nehme
Diretor Executivo, Economista

NGO CORRETORA DE CÂMBIO LTDA.

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Seguramente houve um excesso no otimismo propagado ontem no mercado financeiro mundial.

Seguramente houve um excesso no otimismo propagado ontem no mercado financeiro mundial, em especial nas bolsas de valores, ante os dados econômicos que o motivaram, por isso é improvável que tenha sustentação no dia de hoje, que deve tender à volatilidade com um viés de queda decorrente de movimento de realização de lucros.

 

O euforismo tem sido ancorado predominantemente pelos resultados corporativos nas economias desenvolvidas, tendo como “pano de fundo” alguns indicadores econômicos melhores, mas ainda não alinhados para sustentar tendência, já que há problemas estruturais relevantes que precisarão ser moldados ao novo cenário que vai sendo redefinido na medida em que a crise vá perdendo intensidade negativa sobre as economias. Afinal, não se pode esperar o retorno ao quadro antecedente à crise de forma tão rápida e haverá mudanças comportamentais em relação à poupança, consumo, rigor creditício, etc. que demandarão tempo.

 

Por isso, o risco de desenvolvimento de “bolhas” especulativas estará sempre presente, o que torna questionável a sustentabilidade de excessivos movimentos otimistas.

 

Portanto, movimentos bruscos de altas e baixas e prevalência de volatilidade, tende ainda a ser o cenário em perspectiva das bolsas mundiais.

 

No Brasil, especificamente, o movimento de alta tem a ver com a melhora do humor externo, já que a BOVESPA tem significativa dependência dos investidores estrangeiros, mas, em regra, os papéis principais ainda estão sendo considerados caros, sendo necessário que papéis de segunda linha passem a ser foco, como ocorre com as empresas ligadas ao setor da construção civil, que está muito aquecido. Nesta semana, o fluxo de recursos externos para a BOVESPA que estava negativo sofreu reversão estando em 23 positivo em R$ 538,0 MM.

 

Embora se fale e se foque muito a cena externa, inquestionavelmente o Brasil gera dados econômicos que permitem otimismo moderado e que decorrem do seu mercado interno, que na realidade é o seu grande diferencial nesta crise, além do fato de não estar vulnerável na área cambial como historicamente aconteceu nas crises anteriores. Os indicadores internos de varejo, consumo, confiança do consumidor, melhora do crédito, emprego e renda vêm mostrando sinais de melhora e, a indústria, que vinha sendo o setor menos responsivo a recuperação, começou a dar sinais positivos.

 

A CNI divulgou a Sondagem Industrial do segundo trimestre de 2009 reforçando a percepção de que os efeitos da crise internacional estão perdendo força. O indicador de evolução da produção ficou em 48,1 pontos na pesquisa divulgada, o que evidencia ainda retração, mas acima 12 pontos acima da pesquisa anterior do 1º trimestre, o que mostra que o ritmo de queda da produção industrial perdeu intensidade. Importante mencionar que nas grandes empresas o indicador já esta acima de 50 pontos, o que as coloca no conceito positivo, enquanto nas pequenas/médias está abaixo, em torno de 44 pontos, o que pode ser uma sinalização decorrente de maior dificuldade de acesso ao crédito. O indicador relativo ao emprego industrial ficou em 49,7 pontos evidenciando que ainda ocorrem demissões, mas está melhor do que os 44,8 pontos do 1º trimestre. A utilização da capacidade instalada teve no 2º trimestre leve recuperação passando a 69% ante 68% no 1º trimestre, ainda muito baixa em relação ao mesmo período do ano passado quando atingiu a média de 77%. Os estoques industriais foram reduzidos no 2º semestre com o indicador registrando 47,7 pontos enquanto no 1º semestre apurou 52,7 pontos.

 

Contudo, a indústria está muito pessimista com as exportações, e, há motivos para tanto.

 

No ambiente da inflação o IBGE divulgou o IPCA-15 de julho desacelerando para 0,22%, ante projeção de 0,38%, que foi também o IPCA-15 de junho. O IPCA-15 acumula nos últimos 12 meses alta de 4,47%, abaixo do acumulado até junho que era de 4,89%.

 

Este dado fortalece a percepção de que a projeção FOCUS está muito negativa.

 

No mercado de câmbio, embora os números do BC continuem evidenciando que não é o fluxo cambial a causa da apreciação do real, este continua sendo o argumento predominante no mercado, provavelmente por ser a forma mais simplista de justificar o fato e não avançar na análise dos fundamentos, que não dariam sustentação a tese.

 

A apreciação do real continua sendo fortemente afetada pela indução operacional dos bancos que continuam posicionados liquidamente vendidos no mercado futuro de dólar, e, enquanto não conseguirem atrair oferta para que possam zerá-las continuarão dando suporte ao preço do dólar excessivamente depreciado.

 

Percebe-se, contudo, que o comportamento dos bancos tem um viés de busca da redução desta posição liquidamente vendida, que  ontem  passou de US$ 4,9 Bi para US$ 4,2 Bi, enquanto os estrangeiros continuam mantendo posições liquidamente compradas.

 

Como a liquidez no mercado futuro de dólar na ponta da oferta é baixa, esta redução deve ocorrer gradualmente, e enquanto a zeragem não se tornar efetiva, os bancos continuarão mantendo operacionalmente a taxa do dólar deprimida, mas esta propensão à zeragem sendo mantida tornará mais difícil uma queda maior do preço do dólar, permitindo que se possa vislumbrar uma melhora do preço em perspectiva.

Idealmente, o BC deveria interromper suas intervenções com leilões de compra diários, como temos salientado, enquanto os bancos estiverem vendidos no total, envolvendo o mercado de cambio à vista e o mercado futuro de dólar, pois com isto poderia interferir na curva de queda do preço ao levar os bancos a ficar comprados no mercado à vista, e a recuperação completa dar-se-ia na medida em que cobrissem suas posições no mercado futuro.

Sidnei Moura Nehme
Diretor Executivo, Economista
NGO CORRETORA DE CÂMBIO
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Os dados divulgados ontem pelo Banco Central do Brasil do fluxo cambial permitiram duas conclusões objetivas e irrefutáveis.

Os dados divulgados ontem pelo Banco Central do Brasil do fluxo cambial permitiram duas conclusões objetivas e irrefutáveis:

 

a)  Absolutamente não é o fluxo cambial que tem provocado a apreciação do real, argumento frequentemente utilizado pela grande maioria de analistas. O fluxo cambial no mercado à vista está negativo no mês de julho em US$ 330,0 MM e o BC retirou mais US$ 405,0 MM, via leilões, o que elevou o fluxo cambial “net” para o mercado negativo em US$ 735,0 MM. Destaque-se ainda que na semana de 13 a 17, quando a apreciação do real ficou em torno de 4%, o fluxo cambial “net” foi negativo em US$. 949,0 MM, resultando de negativo no comercial em US$ 1,355 MM, positivo no financeiro de US$ 590,0 e compras do BC US$ 184,0 MM;

 

b)  A ocorrência de fluxo cambial negativo no mercado à vista, com concomitante contra-senso de apreciação do real frente ao dólar, só encontra fundamento na atipicidade do movimento de indução operacional a este comportamento contraditório por parte de investidores posicionados no mercado futuro de dólar liquidamente “vendidos”, e estes são, como evidenciam as posições da BM&F, os bancos, que vêm mantendo saldos entre US$ 5,0 a US$ 6,0 Bi e que, também, estão discretamente “vendidos” nas posições do mercado à vista.

 

Ficou claro que o BC persiste erraticamente nos leilões diários de compra mesmo em ambiente de fluxo negativo. Como salientamos ontem na nossa abordagem específica a respeito do fluxo cambial, a ação atual do BC não estimula a recuperação do preço do dólar, não tem efeito de conter volatilidade e não há razão em focar o aumento das reservas cambiais num ambiente de fluxo negativo. No nosso entender, o BC deveria interromper seus leilões de compra no mercado à vista, temporariamente, enquanto os bancos estiverem vendidos no conjunto mercado à vista e mercado futuro de dólar, e não realizar quaisquer ofertas no mercado futuro de dólar. A neutralidade deve ser a postura do BC perante o mercado de câmbio neste momento e isto envolve estar ausente do mesmo.

 

O fato é que quando, lá em maio, o BC realizou aquela colocação de curto prazo de US$ 3,4 Bi de “swaps cambiais reversos”, a especulação conduziu à apreciação do real frente ao dólar, e os bancos já naquela oportunidade construíram, também, posições vendidas adicionais no mercado futuro de dólar, com a convicção de que o BC voltaria a utilizar este instrumento para conter a depreciação do preço da moeda americana e a apreciação do real se fortaleceria. Esta expectativa não se confirmou, o BC, passou, corretamente, a atuar com os leilões de compra sobre a liquidez no mercado à vista pressionando a formação do preço e assim conseguiu provocar uma interessante recuperação deste mesmo que retornou a R$ 2,00.

 

Os bancos ficaram então “pendurados” com uma posição vendida no mercado futuro de dólar para as quais não encontraram oferta (liquidez) para cobrir em condições favoráveis. Na sequência, ocorrendo a queda do fluxo cambial favorável e com o BC dando continuidade aos seus leilões de compra mesmo em ambiente adverso, os bancos passaram a operar induzindo a taxa cambial à apreciação do real no mercado à vista, porém com foco a resolver as posições vendidas no mercado futuro de dólar, já que precisam cobri-las a preço favorável, mas os exportadores não têm se “assustado” com a queda e buscado vender suas posições futuras fazendo “hedge”, optando por represar as contratações do câmbio, valendo-se das flexibilizações de prazos permitidos pelo BC.

 

Ocorre, portanto, um “córner” no mercado de difícil solução. É o tipo de problema para o qual a autoridade monetária não tem solução, por isso deve manter-se ausente, deixando que o mercado flutuante encontre a solução.

 

Este é um cenário ruim para a economia brasileira num contexto em que é importante estimular o setor industrial, que tem grande dependência das exportações, que já sofreram forte retração ao longo da crise, principalmente de manufaturados.

 

Ontem, o COPOM sancionou o consenso do mercado financeiro e reduziu a taxa SELIC de 9,25% para 8,75%, e deixou sinalizações no seu comunicado pós-reunião de que este pode ser o piso provavelmente neste ano, mencionando “o comitê avalia, neste momento, que esse patamar de taxa básica de juro é consistente com um cenário inflacionário benigno, contribuindo para assegurar a convergência da inflação para a trajetória de metas ao longo do horizonte relevante, bem como para a recuperação não inflacionária da atividade econômica”. Para atenuar eventuais críticas do setor produtivo, aduziu que ressalvou a hipótese de caso o cenário econômico se alterar o BC poderá voltar a baixar os juros. Com isto, mantém expectativas em aberto.

 

O mercado de juro da BM&F abre o dia ajustando para cima suas taxas de curto prazo.

 

Na economia brasileira um dado extremamente positivo na área do emprego, com a divulgação da taxa de desemprego em junho cadente a 8,1%, menor desde dezembro que registrou 6,8%, e bem abaixo das projeções que estavam em torno de 8,6%. Contudo, o setor industrial ainda não contribuiu para este fato, não registrando variação em relação a maio, e este é o setor em descompasso com a dinâmica de recuperação da economia brasileira.

 

A FGV divulgou o seu índice de confiança do consumidor em julho com alta de 2,8% frente a junho e atingiu 111,4 pontos, praticamente retornando ao patamar de setembro de 2008.

 

A FGV também divulgou a 3ª prévia do mês do IPC-S com inflação de 0,34% abaixo do 0,37% da prévia anterior, com quedas nos itens alimentação e vestuário. A projeção do CORECON era de 0,40%.

 

A BOVESPA registrou retorno de investidores estrangeiros nos últimos 5 dias com reingresso de R$ 2,37 Bi, revertendo assim o fluxo negativo até então passando-o a positivo de R$ 232,0 MM. Contudo, na contramão os investidores pessoas físicas até  dia 14 haviam retirado mais de R$ 1,0 Bi. Este movimento de retorno acabou por dar suporte às altas recentes, mas ainda não há convicção sobre a sustentabilidade deste movimento, que hoje abre se mantendo.

 

No exterior as bolsas asiáticas e européias operam em alta.

 

As bolsas americanas também operam em alta repercutindo resultados corporativos, como e-Bay, AT&T, Ford, JetBlue, UPS, etc. As vendas de imóveis já existentes subiram 3,6% em junho, anualizados 4,89 MM unidades e os preços caíram 15,4% na comparação com o mesmo mês do ano passado. O número de pedidos de seguro desemprego da semana passada subiram para 554 mil, após 524 mil na semana antecedente, porém abaixo da projeção de 557 mil. O número de americanos beneficiários do seguro desemprego na semana acumulou 6,225 MM contra 6,313 MM anterior e projeção de 6,390 MM.

 

Os “treasuries” de 10 anos apontam rentabilidade de 3,601% AA. O petróleo está cotado a US$ 65,40 o barril na Nymex. O Euro vale US$ 1,4229. A Libra US$ 1,6513 e Yens 94,95 valem US$ 1,00. 

Sidnei Moura Nehme
Diretor Executivo, Economista
NGO CORRETORA DE CÂMBIO
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FLUXO CAMBIAL - PERÍODO 1º A 17 DE JULHO DE 2009.

COMERCIAL

 

EXPORTAÇÕES

US$  5,720 MM

IMPORTAÇÕES

US$  7,237 MM

 (-) NEGATIVO

US$   1,516 MM

 

 

FINANCEIRO

 

 

INGRESSOS

US$  17,482 MM

SAÍDAS

US$  16,295 MM

(-) POSITIVO

US$    1,187MM

 

FLUXO CAMBIAL (-) NEGATIVO

US$ 330,00 MM

 

(-) COMPRAS DO BC NO PERÍODO

US$ 405,00 MM

 

FLUXO CAMBIAL “NET” PARA O MERCADO

 

(-) NEGATIVO

 US$ 735,00 MM

 

 

 

 

 

O Banco Central do Brasil persistiu nos seus leilões de compra no mercado de câmbio à vista, e, nesta semana de 13 a 17 de julho, retirou do mercado mais US$ 184,0 MM apesar do fluxo cambial ter sido negativo em US$ 765,0 MM (comercial – US$ 1,355 MM financeiro + US$ 590,0 MM), fazendo com que o fluxo cambial negativo na semana tenha sido de US$ 949,0 MM, provocando que o fluxo cambial do mês até 17 tenha ficado negativo em US$ 735,0 MM.

 

Como os bancos, conforme dados do próprio BC, haviam fechado o mês de junho com posições compradas de US$ 524,0 MM, devem tê-las revertido a vendidas em US$ 211,0 MM

 

Verifica-se que mesmo com o fluxo cambial negativo naquela semana, o preço do dólar sofreu depreciação de 4,3%, o que demonstra ser contraditório e  que, também,  elimina a tese contumaz de que é o fluxo de ingresso de recursos externos que está apreciando o real.

 

Então devemos olhar para o mercado futuro de dólar, onde o BC corretamente não tem interferido com ofertas de instrumentos financeiros visando influir na formação do preço da moeda americana, e que, sabidamente, acaba por provocar efeito contrário.

 

No mercado futuro de dólar os bancos estão vendidos em valores que flutuaram na semana passada, liquidamente, entre US$ 5,0 e US$ 6,0 Bi, e esta pode ser a causa dos mesmos operarem induzindo a apreciação do real mesmo num ambiente de fluxo cambial negativo, de forma a criar oportunidade para que promovam a cobertura das mesmas em condições bem favoráveis.

 

Contudo, não vemos os exportadores propensos a fazer “hedge” de suas posições futuras de exportações aos níveis atuais de taxa cambial, que seria a ponta da oferta, restando o entendimento de que as “tesourarias” estão testando a resistência do BC em não ofertar os “swaps cambiais reversos”, para que possam se cobrir, mas que poderia proporcionar oportunidade de impor movimento especulativo que poderia levar à intensificação maior da apreciação do real.

 

Há, portanto, um “corner” nesta apreciação do real.

 

No nosso entender o BC deveria interromper seus leilões de compra no mercado à vista temporariamente enquanto os bancos estiverem vendidos no conjunto mercado à vista e mercado futuro de dólar, e, não realizar quaisquer ofertas no mercado futuro de dólar.

 

A ação atual do BC não estimula a recuperação do preço do dólar, não tem efeito de conter volatilidade e não há razão em focar o aumento das reservas cambiais num ambiente de fluxo negativo.

 

A  neutralidade deve ser a melhor postura do BC perante o mercado de câmbio neste momento, e isto envolve estar ausente do mesmo.

 

Sidnei Moura Nehme
Diretor Executivo, Economista
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Hoje o COPOM anunciará a sua decisão sobre a taxa SELIC.

Hoje o COPOM anunciará a sua decisão sobre a taxa SELIC. O consenso do mercado financeiro é de corte de 0,50%, reduzindo-a de 9,25% para 8,75%, porém existe uma velada perspectiva de que o COPOM possa ousar e surpreender a “pressão” do mercado financeiro e analistas vinculados, e o mercado de juros da BM&F continua colocando em rota de queda as taxas sinalizando que não se surpreenderá se o corte tiver a magnitude de 0,75%.

 

No nosso entendimento, há ambiente para o corte ser de 0,75%, encerrando o ciclo de ajustes na taxa SELIC este ano, eliminando novas especulações e focando doravante a reação do setor industrial brasileiro, com incremento do emprego e renda, e, dando sequência aos bons sinais de recuperação econômica que têm sido apontados na área de consumo e crédito.

 

Nossa convicção de que o BC será mais ousado funda-se na existência de condições para maior flexibilização neste momento, com a inflação repetindo sinais de que está controlada e sem riscos inclusive para 2010, e na persistência do governo em perseguir a obtenção pelo país de PIB positivo em 2009 contra todos os prognósticos predominantes. Com este objetivo priorizado a autoridade não deve retardar o que já é possível neste momento, buscando já alcançar as repercussões da redução do juro ao final deste semestre.

 

O quadro fiscal do país está sinalizando absoluta necessidade de recuperação da atividade econômica para aumentar a arrecadação, visto que reside neste quesito o grande ponto de crítica e preocupação em relação à gestão do governo, visto que gasta pouco em investimentos focando o incremento da economia e muito em despesas permanentes com custeio, em especial aumento do funcionalismo público que tem vínculo estável de emprego, num momento em que a população convive com risco de manutenção do emprego e renda.

 

Particularmente, temos interesse em conhecer os dados do fluxo cambial da semana passada, se bem que o ideal seria ter o conhecimento dia-a-dia, para podermos entender melhor os fatores determinantes da queda do preço do dólar, que seguramente está sendo induzido por fatores não muito evidentes, como hoje que inicialmente já foi sinalizado a R$ 1,89, sem que houvesse ocorrido nenhum movimento.

 

Como temos salientado não se pode atribuir ao alegado fluxo de recursos externos para o país, até porque até o dia 16 passado este fluxo estava negativo para a Bovespa em R$ 0,8 Bi e o juro real brasileiro atual e em perspectiva já não desperta grande atratividade pelos títulos de renda fixa.

 

Temos trabalhado com a hipótese de que o BC tenha acelerado suas compras nos leilões a ponto de exacerbar as posições vendidas dos bancos no mercado à vista, e, como já estão vendidos no mercado futuro de dólar, neste contexto as tesourarias teriam interesse em apreciar o real. Por outro lado, com esta ocorrência de queda do preço da moeda americana haveria maior tranqüilidade em relação à inflação para o COPOM sancionar um corte ousado na SELIC.

 

No cenário externo há sinais de que o que vem ancorando o otimismo eram os resultados corporativos, incluindo os bancos, positivos que são exacerbados e passam a mascarar o quadro real das economias, que ainda têm um longo percurso para alcançar a reversão do desaquecimento ainda presente. No nosso entender, a fala do Presidente do FED de ontem e que se repetirá hoje, foi bastante sensata sem criar temores, mas realista o bastante para não estimular euforismos.

 

Hoje resultados corporativos e de bancos nos Estados Unidos levam as bolsas americanas a abrir sem tendência clara, devendo ocorrer volatilidade. Whirlpool com lucro declinante 33% no 2º semestre; Morgan Stanley reportando prejuízo de US$ 159,0 MM no 2º semestre, equivalente a US$ 1,37 por ação ante uma expectativa do mercado de US$ 0,49%.A fala de Ben Bernanke, após uma melhor reflexão por parte dos investidores, parece fazer presente temores que pareciam mais distantes e que começam a se aproximar e também temores considerados superados retornam a cena. A questão fiscal dos Estados Unidos continua sendo um grande problema para o governo americano e não há um quadro claro de solução. O relatório da OCC (Office of the Controller of the Currency) em seu relatório relativo ao 1º trimestre confirma maior rigor pelos bancos na concessão de crédito e dados anteriores indicaram que é crescente à tendência da população americana em aumentar a poupança ao invés de consumir. A Redbook Research divulgou dados de que as vendas das redes de lojas nos Estados Unidos recua 1,7% nas primeiras semanas de julho no confronto com o mês anterior.

 

Não se pode descartar que no curto prazo tenhamos outra forte realização dos lucros nas bolsas mundiais.

 

A nossa BOVESPA já se demonstra volátil com viés de baixa e os preços dos principais papéis continuam considerados elevados, o que vem determinando o recuo dos investidores estrangeiros.

 

As bolsas asiáticas fecharam sem direção comum, enquanto as européias operam em baixa.

 

Os “treasuries” de 10 anos apontam rendimento de 3,511%. O petróleo está cotado a US$ 64,38 o barril na Nymex. O Euro vale US$ 1,4163. Libra US$ 1,6362. Yens 93,37 compram US$ 1,00.

 

Sidnei Moura Nehme
Diretor Executivo, Economista
NGO CORRETORA DE CÂMBIO
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