O mercado de câmbio sinaliza estar tendente a recuperar gradualmente o preço do dólar.
O mercado de câmbio sinaliza estar tendente a recuperar gradualmente o preço do dólar, após a pressão de ingressos de recursos externos direcionados a subscrição da IPO da Visanet, que, contudo, ainda pode perdurar hoje e amanhã em volumes residuais.
O recuo tático do preço da moeda americana articulado pelos bancos para assimilar o aumento pontual da oferta decorrente do fluxo direcionado aquele IPO, parece ter atendido os objetivos, e agora a recuperação é esperada, com o BC continuando a atuar sobre a liquidez em dólares do mercado através a realização de leilões de compra diários, havendo curiosidade sobre o comportamento do BC ante o fluxo pontual, ou seja, se teria adquirido totalmente o fluxo ou se deixou parcela nas posições compradas dos bancos. Como a autoridade contabiliza suas intervenções em D+2, ou seja, nas datas das liquidações, a próxima divulgação do fluxo cambial não permitirá que se tenha esta informação.
Nosso entendimento é de que o preço da moeda americana não conseguirá se afastar significativamente do piso de R$ 2,00, desde que o BC não interrompa seus leilões diários esterilizantes dos excedentes ou mesmo além destes, ao mesmo tempo, mantendo-se ausente do mercado futuro de dólar com instrumentos financeiros denominados “swaps cambiais reversos”, neutralizando assim a possibilidade de instalação de movimentos especulativos. Mantida esta estratégia por parte da autoridade monetária, não vemos fatores que possam conduzir a pisos baixos, como R$ 1,80, que vem sendo projetado por analistas.
A BOVESPA reage bem com os papéis da Visanet e Redecard registrando altas, merecendo destaque também os papéis da Cyrella e Net. A melhora do cenário para os papéis de segunda linha se configura imprescindível para que a BOVESPA consiga retomar a tendência de alta, o que já não é possível com base nas “blue chips” que tiveram os preços excessivamente elevados e passaram a representar investimentos de risco em razão deste fato.
A FGV divulgou hoje o IGP-M de junho com deflação de 0,10%, 4º mês seguido, ante projeção de queda de 0,02%, com intensificação de queda do IPA de menos 0,30% em maio para menos 0,45% em junho e uma alta menor no IPC que subiu 0,17% em junho ante alta de 0,42% em maio.
Na medida em que se acentuam os indicadores inflacionários que demonstram inflação cadente, fica evidente o acerto do COPOM ao decidir pelo corte de 1,0% na SELIC em sua última reunião, ao mesmo tempo em que já motiva questionamentos acerca da sustentabilidade da projeção, hoje consensual, de que a SELIC feche o ano em 8,75%, tendo em vista que abre espaço para um corte maior, até porque o dólar demonstra que poderá chegar a R$ 2,00 sem potencial para exacerbar-se distanciando-se deste piso.
Bancos e investidores estrangeiros, desde quarta-feira, vem alterando suas posições no mercado futuro de dólar. Os bancos em 22 tinham posição líquida vendida de US$ 7,6 Bi e em 26 a haviam reduzido para US$ 4,908 Bi, enquanto os estrangeiros que em 22 estavam comprados líquidos em US$ 2,457 Bi viraram em 25 para vendidos líquidos de US$ 1,342 Bi. Contudo, acreditamos mais em posicionamentos efetivos dos “players”, já que sem a oferta por parte do BC de “swaps cambiais reversos” não há como eclodir movimento especulativo a partir do posicionamento dos mesmos, por falta de liquidez.
Se a tendência da queda da inflação continuar se fortalecendo é possível que o IPCA possa fechar o ano até abaixo de 4,0%, o que demonstra que a projeção mediana contida no Boletim Focus, divulgado hoje, indicando IPCA-2009 em 4,40% está bastante distante do que pode ser considerado razoável, também distante da projeção de 4,1% do BC.
O Focus também mantém a projeção do US$ para o final do ano em R$ 2,00 e a da SELIC em 8,75%, porém melhora a perspectiva para o PIB de 2009 reduzindo a projeção anterior de menos 0,57% para menos 0,50%. Reduz a projeção do déficit em transações correntes de US$ 16,5 Bi para US$ 16,2 Bi, que consideramos um movimento na direção correta, mas ainda tímida, que também assim consideramos quando eleva a projeção para o superávit da balança comercial de US$ 20,8 Bi para US$ 21,5 Bi, já que há perspectivas para projeção até de US$ 24,0 Bi. Altera para melhor a projeção dos IED´s elevando-a de US$ 24,0 Bi para US$ 25,0 Bi, que poderá ser superada se a economia brasileira continuar revelando dados positivos fortalecendo o sentimento de recuperação.
Dado pouco otimista é o divulgado da Dívida líquida pública ajustada que atingiu 42,5% do PIB em maio, ao subir para R$ 1,245 Tri, após 41,4% em abril, destacando-se a continuidade da má qualidade dos gastos do governo. Embora haja o fator da valorização do câmbio impactando no dado e também a exclusão da Petrobrás, o superávit primário caiu muito ao registrar tão somente R$ 1,119 Bi, ante projeção de R$ 3,9 Bi, e com um aumento substantivo do déficit nominal.
No exterior, acentua-se a percepção de que o dólar, em perspectiva para o final do ano, deva valorizar-se, no mínimo, 4,0% frente ao euro. O fundamento de que o dólar deva se valorizar ante as moedas européias e asiáticas decorre do fato de que o pressuposto é de que somente com a recuperação da economia americana poderá ocorrer a recuperação dos países daqueles continentes.
As bolsas européias operam em alta com o aumento do índice de confiança repercutindo no sentimento de que há sinais de recuperação de economia da região, ao subir para 73,3, ante projeção de 71,0 e anterior de 70,2. Nos Estados Unidos os papéis de empresas petrolíferas dão sustentação a alta na DOW e da Intel na NASDAQ.
Os “treasuries” de 10 anos apontam rendimento de 3,498% AA. O Petróleo está sendo cotado a US$ 70,22 o barril na Nymex. O Euro vale US$ 1,4066. A Libra US$ 1,6538 e Yens 95,83 compram US$ 1,00.
Sidnei Moura Nehme
Diretor Executivo, Economista
NGO CORRETORA DE CÂMBIO

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