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Archive for Maio, 2009

A análise fundamentalista da formação do preço da moeda americana no nosso mercado de câmbio neste mês de maio…

A análise fundamentalista da formação do preço da moeda americana no nosso mercado de câmbio neste mês de maio que se finda não sanciona a apreciação do real que decorra integral e principalmente do fluxo cambial positivo que vem sendo verificado, apontando como causa principal e fundamental a ocorrência pontual de vencimento na virada do mês de instrumentos financeiros operacionalizados pelo BC no mercado futuro de dólar neste mês de maio.

 

O fluxo cambial positivo, ao qual de uma forma disseminada vem se atribuindo o fator causal da apreciação do real ao longo do mês, embora presente não teve dimensão líquida capaz de impor queda tão significativa no preço do dólar.

 

Até o dia 22, o fluxo cambial positivo registrava US$ 3,086 Bi, dos quais US$ 1,4 Bi de superávit comercial e US$ 1,6 Bi de superávit financeiro. Este é o montante de dólares líquidos excedentes que efetivamente poderiam impactar na formação do preço da moeda americana, porém é importantíssimo observar que o BC retirou deste montante o equivalente a 80% ao comprar, via leilões, US$ 2,4 Bi. Desta forma, o montante de dólares líquidos que permaneceram no mercado, especificamente nas posições dos bancos, foi de algo pouco acima de US$ 600,0 MM, muito pouco para a dimensão da apreciação ocorrida.

 

O fator determinante maior que se identifica quando se analisa com base nos fundamentos recai sobre a posição de instrumentos financeiros, os “swaps cambiais reversos”, colocados pelo BC no mercado de dólar futuro no ultimo dia 5 com o magnânimo montante de US$. 3,4 Bi vincenda na virada de maio para junho.

 

Este tipo de operação, em tese, tem o objetivo de interferência do BC com um efeito compra no mercado futuro de dólar visando dar suporte ao preço da moeda, embora a autoridade não tenha assumido este fato e alegado que o fez para liquidar antecipadamente posição idêntica inversa vincenda na mesma data, o que tecnicamente nos fez considerar impontual se este foi o motivo efetivo, visto que a moeda tinha um viés de baixa e tranqüilamente liquidaria a posição vincenda em condições mais favoráveis na coincidência dos vencimentos.

 

O problema surge na estrutura de remuneração destas operações, sendo que as tesourarias dos bancos assumem posição vendedora de dólares ficando beneficiários do juro e o BC assume posição compradora ficando com o benefício da variação cambial positiva. Este é o ponto, as tesourarias dos bancos e outros “players” que ficaram na posição vendedora passam a operar fortemente para que a variação cambial torne-se a mais possível negativa, ou seja, para que ocorra a maior apreciação do real.

 

Como aquela operação de “swap cambial reverso” foi colocada num ambiente de dólar no entorno de R$ 2,14, conduzindo a taxa cambial a menos de R$ 2,00 na virada do mês, quando ocorre o vencimento, não ocorrerá variação positiva na transação, mas sim variação substantivamente negativa contra o BC e assim, os “vendedores” serão beneficiários do juro e da expressiva variação cambial negativa.

 

Não há como desconsiderar que o fluxo ou até o ambiente positivo no entorno acabariam por conduzir o preço da moeda americana para R$ 2,10 ou pouco menos, onde parece estar o ponto de equilíbrio, e o BC, com a manutenção de seus leilões de compra diários esterilizando os excedentes, atingiria duplo objetivo, quais sejam, aumentar as reservas cambiais em linha com a recomendação ajustada entre todos os bancos centrais e conseguiria dar suporte ao preço, embora relute em admitir este fato por razões óbvias, visto que o mercado de câmbio no Brasil é flutuante e não seria razoável a autoridade admitir a interferência.

 

Hoje o dólar chega ao preço abaixo de R$ 2,00, fato que havíamos preconizado ao início do mês não como “achismos” e nem atribuindo ao fluxo, mas apontando desde então a causa e o momento em que este fato deveria ocorrer, já que a análise fundamentalista apontava para esta obviedade de forma incontestável.

 

Por isso, temos salientado enfaticamente que o BC não deve utilizar os instrumentos financeiros no mercado futuro de dólar, já que sabidamente e com histórico amplamente conhecido no mercado de câmbio brasileiro, sempre que os utiliza em ambiente de não pânico/crise de confiança em relação ao país, os efeitos são contrários e acabam por originar movimentos especulativos inconvenientes para a formação da taxa cambial.

 

Para este tipo de especulação detonada a partir dos instrumentos financeiros do BC no mercado futuro de dólar não há leilão de compra que consiga impedir e muito menos a implantação de medidas tributárias como o IOF.

 

Em razão disto, consideramos prematura a implantação do IOF sobre os ingressos de investimentos externos direcionados para renda fixa, pois ainda não houve um fluxo de dimensão que justifique a medida. Em maio, até o dia 22, havia sido direcionado para renda fixa o montante de investimentos externos de US$ 811,0 MM e para a BOVESPA US$ 2,350 Bi.

 

Importante no nosso entender seria um corte na SELIC mais contundente na reunião do próximo dia 10, reduzindo-a num corte só a 9,0%, que por si só já provocaria uma retração no fluxo direcionado à renda fixa, incentivaria a economia interna e traria enorme benefício para o superávit fiscal do país ao reduzir as despesas de custeio da DP.

 

Assim, também fecharia um pouco a “janela” para as arbitragens desprovidas de fluxo cambial, com os “dólares sintéticos”, que tem forte poder de impacto na formação do preço da moeda americana.

 

Pelo consenso que temos de que a apreciação do real não decorre principalmente do fluxo cambial é que consideramos inviável que o preço abaixo de R$ 2,00 seja sustentável após a ocorrência pontual da liquidação de “swap cambial reverso” de US$ 3,4 Bi na virada deste mês.

 

O fluxo cambial poderá ser neutralizado pelo BC com seus leilões diários no mercado de câmbio à vista esterilizando os excedentes, operação de custo financeiro elevado, mas necessário neste momento, sendo recomendável mesmo que a autoridade eleve as reservas cambiais até um ponto que supere em 20% ou 25% o passivo externo do país, o que poderá estimular efetivamente as agências de “rating” a elevarem a graduação do país.

 

Sidnei Moura Nehme
Diretor Executivo, Economista
NGO CORRETORA DE CÂMBIO

www.ngo.com.br

Este é o tempo para o real atingir a apreciação que poderá conduzir o preço da moeda americana abaixo de R$ 2,00.

Este é o tempo para o real atingir a apreciação que poderá conduzir o preço da moeda americana abaixo de R$ 2,00, ensaiado ontem e que pode  consolidar-se nesta virada de mês, visto que há fatores absolutamente pontuais induzindo esta ocorrência neste momento.

 

Esta tem sido a nossa tese de fundo nas análises diárias indicando a ocorrência deste fato, neste momento em que temos exaustivamente destacado que a apreciação do real não decorre, unicamente, do tão “euforicamente” decantado fluxo de recursos externos, que tem sido propagada como causa maior, mas que também está fortemente afetada por instrumentos financeiros (swaps cambiais reversos) colocado pelo BC num montante de US$ 3,4 Bi, no nosso entender fora do ponto, no último dia 5 deste mês vincendo nesta virada de mês, na qual as tesourarias dos bancos, ao assumir a posição vendedora na operação, ficaram beneficiários do juro e devedores ao BC da variação cambial positiva que, contudo, estrategicamente promovendo a apreciação do real a transformam em negativa e assim tornam-se, também, credores, maximizando soberbamente a rentabilidade, que com uma taxa cambial abaixo de R$ 2,00 ou mesmo próxima, tendo sido realizada no entorno de R$ 2,14, pode aproximar-se de 7,0% seco.

 

Inegavelmente há fluxo, mas é preciso considerar que do fluxo cambial positivo no mês constatado até o dia 22 último de US$. 3,086 Bi, oriundos US$ 1,454 Bi do comercial e US$ 1,632 do financeiro, o BC retirou do mercado de câmbio à vista US$ 2,408 Bi através de seus leilões diários de compra, o que corresponde a 80%, tendo ficado como liquidez adicional às posições de câmbio dos bancos somente 20%, algo nada expressivo que pudesse por si só depreciar o preço da moeda americana de R$ 2,17 na virada de abril para R$ 2,00 ou menos na virada de maio.

 

Adicionalmente, bancos e “hedge funds” detém posições vendidas no mercado futuro de dólares de montante próximo de US$ 4,0 Bi.

 

Em realidade são fatores de forte impacto na formação do preço do mercado de câmbio, porém de pouca visibilidade e difícil entendimento fora do contexto do mercado financeiro que de forma mais intensa, neste momento, estão pressionando a desvalorização do preço da moeda americana, porém é ao fluxo que vem sendo atribuída a causa do fato, por ser a “leitura” e o entendimento mais fácil, o que não corresponde rigorosamente à realidade quando analisados os fundamentos.

 

Temos também salientado que o preço da moeda americana, após a virada do mês, não deve se sustentar abaixo de R$ 2,00, contrariando as projeções “ouvidas” recentemente de preço do dólar a R$ 1,80 e até R$ 1,60.

 

Evidentemente ao aproximar-se de R$ 2,00 ocorre volatilidade, pois surge a efetiva de demanda tanto de “hedge” quanto no mercado de câmbio à vista, mas nos parece que a pressão induzida pelas tesourarias dos bancos na virada do mês poderá prevalecer e conduzir, rápida e por curtíssimo tempo, a taxa abaixo deste piso.

 

Se tivessem percepção de queda continuada, os bancos não estariam ficando residualmente com parte do fluxo de maio agregando a sua posição comprada anterior, que fez com que a posição atual supere com folga US$ 2,0 Bi, e teriam transferido, pelo menos a parte do fluxo de maio, ao BC nos leilões diários de compra da autoridade.

 

Para que a taxa fique abaixo de R$ 2,00 com sustentabilidade seria necessário que o BC, erraticamente, ofertasse ao mercado futuro de dólar instrumentos financeiros (swaps cambiais reversos) buscando conter a queda, que resultaria, contraditoriamente, em meios para provocar movimentos especulativos aumentando a apreciação do real, efeito inverso ao objetivo, em tese, da autoridade.

 

Ademais, a propensão mais presente neste momento é crescer o movimento futuro de dólar com operações de efetivos “hedges” lastreados em transações reais da economia que precisem de proteção, sendo menos favorável para movimentos especulativos devido aos registros de operações exóticas estarem sofrendo maior rigor,  as experiências recentes terem deixado expressivos prejuízos a grandes “players” e até porque os “hedge funds” já não detêm tantos recursos para aventuras fortes.

 

Um corte contundente na SELIC também fecharia um pouco a “janela” para as arbitragens pelos “players” nacionais e estrangeiros no ambiente da BM&F, e estas operações nem sempre envolvem fluxo efetivo de dólares ao país, sendo o que chamamos figurativamente “dólares sintéticos”, mas tem forte influência na formação do preço da moeda americana no nosso mercado.  Não havendo fluxo efetivo de recursos, eventual restabelecimento da taxação ao capital estrangeiro com IOF resultaria inócua para esta ação.

 

Tudo que a autoridade deve evitar no mercado de câmbio, como um todo, é a instalação de movimentos especulativos, por isso é importante que o BC não retome a utilização de instrumentos financeiros no mercado futuro de dólar e continue atuando tão somente com leilões de compra no mercado à vista, eliminando os excedentes.

 

Acreditamos que uma taxa equilibrada pode ser considerada entre R$ 2,00 e  R$ 2,10, resultante do mercado de câmbio flutuante, bastante para manter as exportações e inibir as importações de bens não essenciais.

 

Os exportadores que naturalmente alegarão a insuficiência da taxa precisam também focar o “custo Brasil”, investimentos em portos, rotas de escoamento, etc e não esperarem na taxa cambial a superação destes entraves. Afinal, e o PAC??

 

O sentimento de melhora do ambiente econômico global emite sinais favoráveis, mas ainda não motivadores a entusiasmos, e, a visão muito eufórica e superlativa dos fluxos de recursos estrangeiros para o país podem proporcionar percepção errônea a respeito do Brasil. Os recursos estão vindo para o pais em busca da rentabilidade escassa que existe no mercado internacional e o baixo risco do país, que, segundo a medição pelo Credit Default Swap (CDS) de 5 anos, mencionado no Valor na coluna de Luiz Sérgio Guimarães, está abaixo de 200 pontos e que comparativamente a emergentes do mesmo porte e atratividade faz o país ocupar o topo na relação risco versus taxa de juro.

 

O país melhora e certamente sairá melhor da crise, mas é preciso considerar que a recuperação efetiva somente virá com a recuperação das economias grandes. O nosso PIB no entorno de US$ 1,5 Tri nos coloca entre as 10 maiores, mas ainda é pequeno ante os países desenvolvidos, e a nossa participação no comércio internacional permanece no entorno de pífios 1,0%. Não somos tão fortes assim para sair sozinho da crise e o real ainda não é moeda de reserva de valor.

 

Por isso, o foco das autoridades deve ser centrado na atividade interna, já que a força do nosso crescimento está no consumo interno. Manter firme e assumido compromisso com as metas inflacionárias, manutenção do câmbio flutuante o menos influenciado possível, política fiscal rigorosa, calibragem correta da taxa de juro e das medidas focando o emprego, a renda e o crédito. Os sinais de melhora devem emergir da nossa economia interna e a partir desta percepção, certamente os investidores para o setor produtivo chegarão para ficar e não somente para uma passagem rápida visando tão somente rentabilidade.

 

Euforismos que proporcionam manchetes podem tirar o foco do que deve ser considerado mais importante e imediato.

Sidnei Moura Nehme
Diretor Executivo, Economista
NGO CORRETORA DE CÂMBIO

O fluxo cambial potencializa seu superávit até o dia 22 deste mês.

O fluxo cambial potencializa seu superávit até o dia 22 deste mês, 15 dias úteis, totalizando consideráveis US$ 3,086 Bi, dos quais os bancos represaram US$ 978,0 MM em suas posições compradas que foram elevadas de US$ 1,258 Bi ao final de abril para US$ 2,236 Bi até a data preconizada no levantamento, o restante o BC adquiriu por intermédio dos leilões de compra diário.

 

O fluxo positivo é o maior em um ano, mas como o BC foi pontual nas suas intervenções no mercado de câmbio à vista retirando entre 70% e 89% deste volume de oferta líquido, não se pode considerar que, por si só, os de 20% a 30% tenha sido o fator determinante para a apreciação do preço do real do entorno de R$ 2,17 ao final de abril para R$ 2,02 no dia 22 de maio, algo como pouco mais de 7,0%, até porque os bancos aumentaram suas posições compradas.

 

Assim, isto demonstra que faz senso quando afirmamos que existe fluxo, mas que nem tudo que provoca a apreciação do real é somente o fluxo, mas sim pontuais interesses das tesourarias dos bancos e dos “hedge funds” que detêm posição vendida no “swap cambial” reverso que o BC realizou no último dia 5, vincenda na virada do mês,  no montante de US$ 3,4 Bi e que proporcionará maior ganho aos mesmos quanto maior for a variação cambial negativa para o BC na transação, realizada em preço no entorno de R$ 2,14, e, também detêm  posições vendidas no mercado futuro de dólar.

 

O fluxo positivo pode influenciar a apreciação do real ante o dólar, porém desde que o BC não retire os excedentes do mercado de câmbio à vista e assim ocorra excessiva liquidez no mercado que desequilibre a formação do preço. Caso contrário, os movimentos especulativos que acabam por deformar a formação do preço tem origem no mercado futuro de dólar que só se tornam efetivos quando, não havendo crises efetivas/pânico em relação ao risco do país, sejam utilizados pelo BC na busca de influenciar a formação do preço da moeda. Ofertados em ambiente em que não há crise efetiva instalada face a aversão ao risco brasileiro fundamentado, os instrumentos financeiros utilizados pela autoridade no mercado futuro de dólar tem um histórico de provocar efeitos inversos aos objetivados.

 

Este ano os estrangeiros já deixaram quase R$ 10,0 Bi, algo entre US$ 4,5 a R$ 5,0 Bi, na BOVESPA desde o início do ano, e maio deve ser o 4º mês consecutivo de saldo positivo, até o dia 20 deste mês, de R$ 4,68 Bi. O giro de maio envolveu compras de R$ 29,159 Bi e vendas de R$ 24,475 Bi.

 

O movimento na abertura do mercado de câmbio ontem sinalizando tendência de alta não se sustentou, já que esta semana, principalmente, o viés de apreciação do real deve se acentuar podendo conduzir o preço abaixo do piso de R$ 2,00, salvo algum evento inesperado e absolutamente imprevisível de grande impacto no mercado internacional.

 

O mercado de juro continuou com tendência de queda, com o janeiro 2010 apontando 9,25% na BM&F.

 

O Presidente do BC, Henrique Meirelles, manifestou-se ontem com otimismo crescente em relação ao Brasil, porém com a sensatez necessária para sugerir cautela com os euforismos. Demonstrou-se despreocupado com a valorização do real, salientando que o foco do BC é a economia interna e não o câmbio, salientando ainda que o dólar a preço baixo tem sido aproveitado por empresas brasileiras que estão liquidando dividas pela oportunidade ao invés de buscarem a rolagem. Destacou pontualmente que o total de reservas cambiais do país em 22 deste mês era de US$ 205,4 Bi acima dos US$ 205,1 Bi de agosto de 2008 quanto se acentuou a percepção da crise internacional.

 

Na prática todos nós sabemos que não é bem assim em relação ao câmbio, até porque a taxa de câmbio tem repercussões imediatas e importantes na economia brasileira, para o bem e para o mal, e seguramente não passa ao largo da visão do BC, que, porém, deve manter discurso de não intervenção já que o sistema é de câmbio flutuante.

 

Devemos destacar da fala do Presidente do BC a importante colocação de que o declínio da taxa Selic não é somente conjuntural, mas também estrutural, portanto sustentável e indicando que o país está mudando efetivamente o patamar de sua taxa de juros.

 

Ontem o giro no interbancário no mercado de câmbio à vista demonstrou forte recuperação superando os US$ 5,0 Bi e o BC adquiriu pouco mais de US$ 150,0 MM no leilão de compra à taxa de corte de R$ 2,0228, mas ainda assim a moeda americana manteve a tendência de queda do preço. 

 

Na medida em que os números do setor externo vão sendo anunciados cresce a percepção de que o mundo acredita, até talvez mais do que nós mesmos, que o Brasil sairá da crise na frente dos demais países, e, os sinais estão sendo cada vez mais fortes. 

Sidnei Moura Nehme
Diretor Executivo, Economista
NGO CORRETORA DE CÂMBIO LTDA.
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O mercado de câmbio brasileiro iniciou os negócios do dia com indicativos de que buscava capitalizar os impactos …

O mercado de câmbio brasileiro iniciou os negócios do dia com indicativos de que buscava capitalizar os impactos maiores esperados como aversão aos riscos decorrentes dos testes nucleares da Coréia do Norte, porém a despeito dos reflexos ocorridos nos mercados asiáticos e também em menor grau na Europa, os Estados Unidos não repercutiram o fato na sua abertura, provavelmente considerando “normal e habitual” as provocações do Presidente da Coréia do Norte, que não pode ser considerado uma pessoal normal e equilibrada, mas que costumeiramente, apesar dos arroubos, conhece seus limites.

 

Desta forma, consideramos que a alta que vem se verificando no período matinal não tem sustentação e não deve ser entendida como uma eventual mudança da tendência de apreciação do real, que, espera-se, até pela existência de fatores pontuais, venha a se acentuar nesta semana conduzindo o preço da moeda americana a recordes de queda nesta fase pós-início da crise internacional.

 

A despeito dos fatores já existentes e identificados, os fatos novos contribuem para fortalecer a percepção de que o país não corre, cada vez mais, riscos de problemas no ambiente cambial.

 

Ontem foi divulgado o superávit da balança comercial na 3ª semana de maio de US$ 698,0 MM, acumulando no mês US$ 1,75 Bi e no ano expressivos US$ 8,472 Bi superior 26,1% ao superávit de US$ 6,717 Bi alcançado no mesmo período do ano passado. O saldo surpreende e decorre do fato da retração (-12,3%) nas exportações ter se revelado menor do que nas importações (-30,1%), um cenário que muitos analistas não consideraram aos realizar suas projeções ao final do ano passado.

 

Hoje, novo dado positivo, com as contas externas brasileiras ficando positivas pela 1ª vez após 18 meses. Transações em contas correntes registraram em abril superávit de US$ 146,0 MM, segundo dados divulgados pelo BC, resultante de superávit de balança comercial de US$ 3,712 Bi, déficit com gastos com serviços e rendas de US$ 3,832 Bi e superávit nas transferências unilaterais de US$ 265,0 MM. No ano o déficit acumulado é de US$ 4,874 Bi abaixo dos US$ 13,3 Bi registrados no mesmo período de 2008. Uma grata surpresa foi o volume de IED´s - Investimentos Estrangeiros Diretos que atingiu US$ 3,4 Bi, ante projeção de US$ 2,3 Bi, ligeiramente abaixo dos US$ 3,8 Bi apurados no mesmo mês de 2008. No ano os IED´s acumulam US$ 8,751 Bi ante US$ 12,671 Bi, 30% de queda, menor do que as projeções realizadas ao final do ano. Merece observação também a queda das remessas de juros e dividendos em decorrência da queda de atividade econômica do país.

 

Ontem, conseqüente dos feriados em New York e Londres, o volume de negócios no mercado de câmbio sofreu forte retração registrando o giro no interbancário de tão somente US$ 530,0 MM, algo como 1/6 do que vem sendo o giro normal, e o BC comprou no seu leilão diário US$ 45,0 MM.

 

O fato da moeda americana estar apresentando alta frente a grande parte das moedas no exterior não deve determinar movimento sinérgico com o real, tendo em vista que os fatores internos que devem impulsionar o preço da moeda americana para queda no Brasil são pontuais e internos do país.

 

 

A FIPE divulgou hoje o IPC da terceira medição de maio apurando inflação de 0,34%, a mesma das duas leituras antecedentes.

 

O mercado de juro da BM&F continua ajustando as taxas à perspectiva de novo corte da SELIC pelo COPOM em sua reunião do próximo dia 10 de junho. Acreditamos que o ajuste poderia ser mais intenso, pois o cenário atual sugere que a autoridade acentue a queda da SELIC, não sendo descartada a possibilidade de um próximo corte de 1,0%.

 

A BOVESPA começou também valorizando o efeito Coréia do Norte operando em baixa, mas após as bolsas americanas, que também abriram em baixa, ter assumido comportamento positivo, reverteu a tendência e retoma a linha positiva.

 

Nos Estados Unidos além dos ruídos iniciais discretos relativos a Coréia do Norte repercutiu também a expressiva queda do preço dos imóveis de 18,70% em março divulgada pela Standard & Poors, porém o Consumer Confidence (confiança do consumidor americano) registrou 54,9 pontos (nível de 9/08 inicio da crise), expressivo, ante a projeção de 42,6 pontos, provocou impacto tão positivo que neutralizou os fatos negativos presentes.

 

As bolsas americanas operam em alta substantiva repercutindo com certo euforismo o novo dado. As bolsas européias que operavam em baixa, reverteram com o clima instalado de otimismo nas bolsas americanas.

 

A Rússia anunciou queda de 9,8% do PIB no 1º quadrimestre, ao mesmo tempo em que a Alemanha divulgou queda do PIB de 3,8% no 1º trimestre.

 

A África do Sul entrou em recessão no 1º trimestre deste ano, pela primeira vez em 17 anos, com uma queda de 6,4% no PIB.

 

Os “treasuries” americanos de 10 anos apontam remuneração de 3,453%. O petróleo está cotado a US$ 61,40 o barril na Nymex. O Euro vale US$ 1,3989. A Libra US$ 1,5946 e Yens 94,76 valem US$ 1,00.

 

Sidnei Moura Nehme
Diretor Executivo, Economista
NGO CORRETORA DE CÂMBIO

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O mercado de câmbio deverá ser o centro das atenções esta semana

O mercado de câmbio deverá ser o centro das atenções esta semana em que tudo conduz à perspectiva de que o piso de R$ 2,00 seja rompido, independente da intensidade ou não do fluxo cambial.

 

É final do mês e existem posicionamentos pontuais de instrumentos financeiros no mercado de dólar futuro que exercerão forte motivação para que as tesourarias dos bancos e “hedge funds” exerçam pressão visando à apreciação forte do real.

 

Há uma posição de US$ 3,4 Bi de “swaps cambiais reversos” vincenda no início da semana próxima, já em junho, em que os “players” vendedores são credores do juro e o BC, comprador, credor da variação cambial positiva, contudo, tornando-se negativa como certamente será, pois as operações foram realizadas num ambiente de preço do dólar no entorno de R$ 2,14, passa a ser um ônus para o BC e um ganho adicional aos “players” que se somará ao juro previsto na transação. Assim, quanto maior a apreciação do real, maior o ganho dos vendedores naquela operação.

 

No mercado futuro de dólar, especificamente, os “hedge funds” estão “vendidos” US$ 2,07 Bi e as tesourarias dos bancos outros US$ 1,03 Bi, e o posicionamento vendido enseja interesse que o real seja apreciado para elevar os ganhos.

 

Estes fatores pontuais devem se sobrepor largamente a qualquer ação do BC visando conter a apreciação do real que estará fortemente motivada por parte das tesourarias dos bancos e “hedge funds”.

 

Os bancos ainda continuam com posições compradas no mercado de câmbio à vista, mas a prioridade no momento são as posições vendidas nas quais as tesourarias tem foco de ganho imediato.

 

Ao BC restará dar continuidade aos leilões de compra diários retirando excessos da oferta no mercado de câmbio à vista, não sendo recomendável que utilize instrumentos financeiros (swaps cambiais reversos) no mercado de dólar futuro, pois estas operações poderiam acabar provocando efeito contrário ao objetivo e até viabilizar um movimento especulativo mais duradouro no mercado de câmbio.

 

Passado este momento pontual de final/virada do mês, acreditamos que o dólar não deva conseguir sustentabilidade abaixo de R$ 2,00, desde que o BC se mantenha ausente do mercado futuro de dólar e presente no mercado de câmbio à vista,  poderá encontrar o equilíbrio flutuando entre R$ 2,00 a R$ 2,10.

 

Hoje é feriado nos Estados Unidos e na Inglaterra e este fato certamente repercutirá deprimindo os volumes de negócios no nosso mercado financeiro.

 

A FGV divulgou hoje o IPC-S em sua 3ª prévia de maio com inflação 0,46% ante 0,48% da semana anterior, ligeiramente abaixo da previsão de 0,47%.

 

Esta semana devemos ter dados sobre o IGP-M, contas externas brasileiras, dados sobre o crédito, dívida pública, que merecerão especial atenção.

 

O Boletim FOCUS, em sua edição deste final de semana, indica que as medianas das projeções de 100 instituições financeiras apontaram:

 

IPCA próximos 12 meses – redução de 4,03% para 4,02%.

IPCA 2009 – mantida em 4,33%, que nos parece continuar fora do ponto, já que é crescente a percepção de que tende a 4,0% ou menos.

IPCA 2010 – reduz de 4,33% para 4,30%, parecendo na direção correta, mas ainda é prematura projeção confiável para o ano de 2010.

US$ 2009 – reduz de R$ 2,12 para R$ 2,10, nos parece no ponto.

Taxa SELIC – mantém 9,0%, dentro do consenso prevalecente no mercado.

DP/PIB - 39% dentro do consenso.

PIB – eleva de negativo de 0,49% para negativo 0,53%. Acreditamos que a consistência das projeções em torno do PIB será possível a partir do final do 2º semestre.

Produção industrial – certamente será cadente, porém da mesma forma acreditamos que somente será possível projeção com consistência a partir do final de 2º semestre.

Conta Corrente – reduz de déficit de US$ 18,90 Bi para negativos US$ 17,56 Bi, porém entendemos que tudo indica que poderá ser, pelo menos, algo como 10% menos.

Balança Comercial – eleva a projeção de superávit de US$ 18,15 Bi para US$ 20,0 Bi, mas tudo indica que poderá superar este montante.

 

A FGV divulgou que a confiança do consumidor brasileiro subiu 1,3% entre abril e maio, passando para 100,5 pontos.

Sidnei Moura Nehme
Diretor Executivo, Economista
NGO CORRETORA DE CÂMBIO
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Há fluxo positivo transitando pelo mercado de câmbio brasileiro.

Há fluxo positivo transitando pelo mercado de câmbio brasileiro, porém não é só isto que impulsiona a pressão de apreciação do real neste momento, pelo menos até o início do mês de junho e desde que o BC não interfira neste período com oferta de novos instrumentos financeiros (swaps e swaps reversos) no mercado futuro de dólar.

 

Há um bom volume de ingressos de investimentos, muito fomentados pelas operações de “carry trade”, direcionadas para a BOVESPA e para os títulos públicos, na busca da rentabilidade de oportunidade com baixo risco.

 

Esta é a parte “visível”, de fácil entendimento generalizado, e da qual se valem as autoridades brasileiras para justificar a apreciação do real. Porém, este desequilíbrio entre a oferta e demanda presente pode ser equacionado com a ação pontual do BC realizando leilões de compra no mercado de câmbio à vista, retirando os excedentes e posteriormente “esterilizando” os reais do mercado financeiro com a colocação de títulos públicos.

 

Uma operação de custo elevado de carregamento do aumento das reservas cambiais, mas o momento justifica e o BC pode até intensificar o refluxo destas reservas cambiais na forma de linha externa para o sistema bancário brasileiro, para otimizar a ponta da rentabilidade e dar maior liquidez em linhas externas ao mercado.

 

A outra parte que não é “fluxo” e neste momento está pontualmente induzindo a apreciação do real é a posição de “swap cambial reverso” de US$ 3,4 Bi colocada pelo BC no último dia 5 de maio e vincenda no início de junho, que induz as tesourarias dos bancos a atuar focando esta apreciação de forma a garantir variação cambial negativa que será paga pelo BC, que seria credor de variação cambial positiva se ocorresse, aos intervenientes naquela operação de “swap cambial reverso”, além do juro. Assim, quanto mais apreciado o real maior será o ganho das tesourarias dos bancos naquela operação pontual, e tudo indica que os ganhos serão exuberantes.

 

Esta é a parte pouco “visível” e de difícil entendimento geral, pois técnica e de baixa percepção pela coletividade em geral e as autoridades de governo simplesmente não mencionam este fator, até porque poderia não ter sido realizada já que o ambiente presente no dia 5 de maio já tinha um viés de apreciação do real e assim poderia promover a liquidação de posição inversa também vincenda ao início do mês de junho sem qualquer atropelo, sem ter “adicionado” uma operação antecipada no tempo que tornou-se um fator especulativo que está pressionando a apreciação do real.

 

Portanto, é bastante previsível que a apreciação do real seja acentuada na próxima semana, podendo até ultrapassar para baixo o piso de R$ 2,00, porém após a liquidação do evento pontual não entendemos sustentável o preço da moeda americana abaixo de R$ 2,00, devendo ficar entre este piso e R$ 2,10, como preço de equilíbrio, bastante para que os exportadores consigam vender e suficiente para restringir as importações de bens não essências. O BC deve manter-se ativo somente no mercado de câmbio à vista.

 

Acreditamos que neste momento será possível aferir-se exatamente o preço de equilíbrio da moeda americana no Brasil, sendo possível analisar-se melhor os fundamentos do preço da moeda, já que o preço antecedente aos sinais da crise estava deformado pela especulação pró-real e os imediatos posteriores aos sinais da crise estavam deformados pela especulação contra o real, ambos movimentos acabaram sendo fomentados pelas intervenções do BC no mercado futuro de dólar com a oferta de instrumentos financeiros, que acabaram por ter efeitos absolutamente contrários aos objetivos técnicos preconizados. Os “swaps cambiais reversos” que tinham por objetivo inibir a apreciação do real acabaram por ser os instrumentos fomentadores da ativação da apreciação cambial e os “swaps cambiais” que tinham por objetivo contrair a apreciação do dólar acabaram por fomentar a alta do preço da moeda americana.

 

Por isso, temos defendido a idéia que a autoridade monetária atue somente no mercado de câmbio à vista, mantendo-se ausente do mercado futuro de dólar, que no nosso entender só deve ser utilizado quando há efetiva crise no país motivando pânico e insegurança em relação ao país, quando surgem então os instrumentos financeiros “quase moeda” como os títulos indexados à variação cambial e as ofertas de “swaps”. Os “swaps cambiais reversos” só são justificáveis quando o interesse da autoridade monetária busca transformar a queda do preço do dólar como “âncora” do controle inflacionário por repercutir efeitos mais rápidos do que o juro, pois sabidamente não inibem queda do preço como tecnicamente sugere a operação e sim acabam estimulando a queda, com a instalação da especulação focando otimizar a rentabilidade pela variação cambial.

Sidnei Moura Nehme
Diretor Executivo, Economista
NGO CORRETORA DE CÂMBIO
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A chegada de montante extremamente substantivo de recursos externos ontem coincidentemente no momento em que as tesourarias dos bancos…

A chegada de montante extremamente substantivo de recursos externos ontem, provavelmente oriundos de operações de “carry trade” direcionados às oportunidades de rentabilidade no Brasil no ambiente da BOVESPA e títulos públicos, coincidentemente no momento em que as tesourarias dos bancos realizam movimento visando a apreciação do real com foco no vencimento da operação de “swap cambial reverso” vincendo ao início do mês de junho objetivando obtenção de expressivo lucro, provocou rápida e forte apreciação do real “fora do ponto”, conduzindo o preço da moeda americana a R$ 2,01, com grande probabilidade de romper o piso de R$ 2,00, o que se espera que ocorra  mais na proximidade do final do mês.

 

A queda induzida pelas tesourarias e pela oferta efetiva dos ingressos externos exigiu uma intervenção mais contundente por parte do BC, que adquiriu US$ 1,160 Bi ao realizar leilão de compra. Neste mês a partir do dia 8 até o dia 19 o BC havia comprado do mercado US$. 1,222 Bi, em volumes diários considerados baixos. Agora acumula no mês um total de US$ 2,382 Bi.

 

Ontem foi divulgado o fluxo cambial do mês até o dia 15, com saldo positivo de US$ 2,059 Bi, o que determinou que o fluxo cambial do ano assumisse saldo superavitário de US$ 516,0 MM. Os bancos detinham estimados US$ 2,441 Bi em posição comprada no dia 15 já deduzidos os US$ 875,0 MM vendidos ao BC nos leilões até aquela data. E esta posição certamente foi construída com o preço do dólar em patamares muito elevados. Na virada de março detinham posição de US$ 145,2 MM e a elevaram para US$ 1,257 Bi ao final de abril, mês em que as taxas oscilaram de R$ 2,17 a R$ 2,28. Em maio até o dia 6 elevaram para US$ 2,350 Bi  com a taxa cedendo a R$ 2,12. A partir do dia 7 quando a taxa caiu a R$ 2,09 caindo dia 8 para R$ 2,07  o BC iniciou suas compras com leilões diários. Neste período de 7 até 15 o fluxo foi positivo em US$ 967,0 MM e o BC comprou US$ 875,0 MM.

 

Observados estes dados pode-se concluir que a posição comprada em poder dos bancos está com um preço elevado de custo, entre R$ 2,17 e R$ 2,28, fato que vem inibindo que a vendam ao BC nos preços atuais, e assim venderam somente o valor agregado as suas posições depois do dia 7 quando a taxa já estava mais baixa e em linha com as pagas pela autoridade nos leilões.

 

Independente das proteções que os bancos possam ter adotado para estas posições no mercado futuro de dólar, há o custo financeiro de carregamento que não é conveniente neste momento.

 

Afastado a ocorrência pontual de ontem, que naturalmente pode repetir-se na sequência, a tendência do preço da moeda americana, a despeito da discreta recuperação que evidencia hoje, continua sendo francamente de queda. A volatilidade é provável.

 

O BC deve continuar com os seus leilões de compra no mercado à vista. Evidentemente, até o vencimento das operações de “swaps cambiais reversos” ao início de junho, não deve obter sucesso na contenção da apreciação do real que será fortemente induzida no tempo certo pelas tesourarias independente de fluxo.

 

Acreditamos que a taxa do dólar possa ultrapassar para baixo o piso de R$ 2,00 na virada do mês em decorrência do fator pontual dos vencimentos dos “swaps cambiais reversos” de US$ 3,4 Bi, porém não consideramos viável que após este evento pontual tenha sustentabilidade abaixo de R$ 2,00, desde que o BC mantenha-se ativo com os leilões de compra no mercado de câmbio à vista e não ofereça instrumentos financeiros (swaps e swaps reversos) no mercado futuro de dólar, que poderiam fomentar movimentos especulativos, que, contudo, atualmente não teriam o mesmo potencial de depreciação da moeda americana em decorrência da nefasta experiência de empresas e “hedge funds” no movimento especulativo anterior a agosto do ano passado e também ao fato dos “hedge funds” deterem volumes menores de recursos.

 

A experiência deixada para os especuladores no mercado futuro de dólar foi muito drástica e os danos ainda estão muito presentes e perceptíveis em sua dimensão.

 

Este cenário, sinalizando que o “carry trade” pode retornar com força ao país, é um fator a mais para que o COPOM considere a possibilidade de corte contundente na SELIC, primeiro porque há espaço para isto e mais por ser  preciso abrandar a atratividade do país para este tipo de fluxo de recurso que pode deprimir o preço da moeda americana provocando dano efetivo a economia brasileira, já que tira competitividade das nossas exportações e estimula importações.

 

O governo divulgou ontem a sua revisão de previsão de crescimento do PIB de 2,0% para 1,0%, ainda acima das projeções, porém compreensível, pois é natural que deseje propagar otimismo.

 

Dado surpreendente foi a queda da taxa de desemprego no Brasil apurada em abril pelo IBGE apontando 8,9% ante 9,0% em março. As projeções eram de alta para 9,3%.

 

A Moody´s, agência de rating, dá sinais de que poderá elevar o conceito de risco do Brasil para grau de investimento, porém está atrasada no tempo, visto que a S&P e a Fitch já o fizeram a muito tempo, e embora seja um fato positivo, há que se considerar o descrédito que assola estas agências que cometeram erros grotescos de avaliação recentemente.

 

A ata da mais recente reunião do FED americano, divulgada ontem, trouxe a revisão da projeção do PIB para 2009 piorando-a para queda entre 1,3% a 2,0%, na contramão das expectativas predominantes.

 

Além disto, foi divulgado que os pedidos de seguro desemprego na semana finda em 16 atingiram 631 mil ante projeção de 625 mil, acumulando agora 6,662 MM de americanos recebendo seguro desemprego nos Estados Unidos.

 

Pesa também negativamente o fato da Standard & Poor´s ter reduzido a perspectiva da economia britânica, afetada pela recessão e que pode perder o nível máximo de confiança de crédito por causa do abalo nas finanças públicas.

 

Este fato impacta fortemente nas bolsas no mundo todo, e a nossa Bovespa, mesmo com perspectivas favoráveis, opera em linha com as demais bolsas, certamente sendo mais um movimento de realização de lucros.

 

Os “treasuries” americanos valorizam-se e fecham as curvas de juros “yeld”, com os papéis de 10 anos indicando rentabilidade de 3,171%. O petróleo está cotado a US$ 62,04 o barril na Nymex. O Euro vale US$ 1,3756. A Libra US$ 1,5707 e Yens 94,66 valem US$ 1,00. 

Sidnei Moura Nehme
Diretor Executivo, Economista
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A presunção de que o giro de US$ 4,6 Bi indique um fluxo de ingresso de divisas intenso ….

A presunção de que o giro de US$ 4,6 Bi, revelado ontem pelo mercado de câmbio brasileiro, indique um fluxo de ingresso de divisas intenso impondo a apreciação verificada do real pode não ser rigorosamente verdadeira, até porque não foi perceptível no movimento do mercado de ontem indícios de que tenha ocorrido forte ingresso de recursos externos.

 

No nosso entender o giro foi substantivamente incrementado por operações de giro de tesourarias, casadas, com o objetivo de apreciar o preço do real com foco direto na posição de “swaps cambiais reversos” de US$ 3,4 Bi realizadas pelo BC no ultimo dia 5 e vincenda no inÍcio de junho, da qual participaram assumindo naquela operação financeira no mercado de dólar futuro posição de vendedores de dólares, portanto beneficiários de juro e devedores da variação cambial positiva para o BC, porém com o movimento impondo apreciação do real tornam-se beneficiários desta variação cambial negativa para o BC e ganham nas duas pontas.

 

Considerando-se que o preço da moeda americana ficou no entorno de R$ 2,14 (Ptax R$ 2,1476) quando o BC anunciou que realizaria e realizouo leilão do “swap cambial reverso” no último dia 5, quanto maior for a apreciação do real mais extraordinário será o ganho das tesourarias participantes daquela operação.

 

Desta forma, neste momento o real mantém a tendência de apreciação mais por motivos de interesses pontuais das tesourarias do que dos fluxos próprios do mercado, e, esta circunstância torna, a rigor, o preço da moeda americana insensível aos leilões de compra do BC no mercado de câmbio à vista, visto que sustenta a tendência induzida de queda.

 

Este interesse pontual das tesourarias deixa a autoridade monetária sem alternativa para inibir a derrocada do preço da moeda americana, a qual cabe manter somente a dinâmica de realizar os leilões de compra no mercado à vista, não sendo recomendável que utilize os instrumentos financeiros, “swaps cambiais reversos” no mercado futuro de dólar, pois agora o movimento presente é irreversível, mas perderá motivação e sustentação após realizado o ganho pelas tesourarias. Se incorrer no erro de ofertar novos “swaps cambiais reversos” a autoridade acabará por renovar a retomada do movimento especulativo, que poderá apreciar o real excessiva e irrealisticamente, o que causaria forte impacto negativo nas exportações brasileiras.

 

Onde vai chegar? Há tempo até o final de semana para que o preço da moeda americana seja conduzida abaixo de R$ 2,00, visto que, seguramente, as tesourarias irão até onde seja possível para otimizar seus ganhos na operação vincenda de “swap cambial reverso”.

 

A FGV divulgou hoje a 2ª prévia do IGP-M com deflação de 0,14% ante 0,33% no mesmo período de abril.

 

No nosso entendimento, muito embora não tenha sido co-relacionado com o assunto SELIC, a manifestação do Presidente Henrique Meirelles do BC acerca de preocupações com o desemprego no país, alongando-se ao expor que retroagimos 2 anos,etc., é um importante indicativo a mais de que efetivamente poderemos ter um corte mais substantivo da SELIC, já que o antídoto ao problema de desemprego passa por queda de juro para estimular o setor produtivo, o emprego, a renda e o consumo.

 

O mercado de juro da BM&F já sinalizou hoje Janeiro-2010 até 9,23%, estando agora em 9,27%.

 

Já ocorrem sinalizações no mercado internacional, a partir de movimentos de estocagem por parte da China, que as “commodities” poderão retomar espaço como reserva de valor em substituição ao dólar principalmente, e este é um fato importante para o Brasil, grande produtor e exportador de “commodities” agrícolas e metálicas.

 

O Ibovespa aponta alta impulsionada pelo estímulo da melhora das perspectivas de preços para as “commodities”.

 

Este é mais um fato relevante para otimizar-se as expectativas acerca do desempenho da nossa balança comercial, que já vem surpreendendo positivamente e pode superar com superávits acima da melhor projeção.

 

Contudo, a China continua pressionando a Vale por uma redução de 40% no preço do minério de ferro e isto pode afetar o desempenho da empresa brasileira. Por outro lado, a World Steel Association divulgou que a produção mundial de aço caiu 23% em 1 ano, para 89 MM de toneladas em abril.

 

O Japão, segunda maior economia do mundo, anunciou queda recorde do seu PIB no 1º trimestre deste ano de 4% e 15,2% nos últimos 12 meses, sendo a maior contração desde que os registros começaram em 1955. No 1º trimestre deste ano as exportações japonesas caíram 26% e os investimentos em fábricas e equipamentos registraram queda de 10,4%.

 

Nos Estados Unidos os pedidos de hipotecas imobiliárias cresceram 2,3% na semana finda em 15 deste mês, em relação à semana antecedente.

 

As bolsas americanas operam em alta impulsionadas pelas altas dos preços da “commodities” e a melhora de perspectivas para os bancos que sinalizaram que devolverão ao FED recursos da ordem de US$ 45,0 Bi e o fato pontual do BofA ter captado US$ 14,5 Bi através da colocação de ações, já que foi o banco com maior carência de aporte de recursos nos testes de “estresse” realizados pelo FED americano.

 

Os “treasuries” de 10 anos apontam rentabilidade de 3,23%. O petróleo está sendo cotado em alta na Nymex a US$ 60,10 o barril. O Euro vale 1,3674. A Libra US$. 1,5482 e Yens 95,75 compram US$ 1,00.

Sidnei Moura Nehm
Diretor Executivo, Economista
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O mercado de câmbio brasileiro sinaliza que os bancos tenham assumido como prioridade promover a gradual apreciação do real.

O mercado de câmbio brasileiro sinaliza que os bancos, detentores de posições compradas no mercado à vista e posições vendidas pontuais no mercado futuro de dólar relacionadas com a participação na recente colocação pelo BC de “swaps cambiais reversos”, tenham assumido como prioridade promover a gradual apreciação do real, dada à ausência de viabilidade de elevação da taxa cambial neste momento, focando diretamente a realização de substantivo ganho financeiro nas aludidas operações de “swaps cambiais reversos” vincendos ao início de junho.

 

Nas operações de “swaps cambiais reversos”, que é puramente financeira não envolvendo efetiva moeda, o BC assume posição compradora de dólares e fica beneficiário da variação cambial positiva enquanto os bancos assumem posição vendedora de dólares e ficam beneficiários da remuneração com juro. Todavia, ocorrendo variação cambial negativa isto resulta em ônus para o BC e ganho adicional aos bancos. A queda do preço da moeda americana nestas circunstâncias agrega uma segunda fonte de renda, a mais expressiva, para os bancos na operação.

 

Este é o quadro presente no nosso mercado, e, fundamenta a projeção de que o preço da moeda americana possa sofrer queda até R$ 2,00 ou até menos na virada do mês, pois há uma razão pontual.

 

Discreta volatilidade pode estar presente, porém a tendência é de apreciação gradual do real até o final do mês.

 

Temos salientado a imperativa necessidade do BC manter-se atuante tão somente com leilões de compra no mercado de câmbio à vista, não utilizando instrumentos financeiros no mercado futuro de dólares, que resultariam absolutamente incapazes de evitar a queda, mas seguramente poderiam incentivar novas rodadas futuras de pressão de apreciação do real, que acabaria por deprimir o preço do dólar a patamares irreais e totalmente contrários aos interesses do país, visto que nem mesmo como fator de convergência para redução da tendência inflacionária se prestaria no momento.

 

Se o BC permanecer ausente do mercado futuro de dólar, acreditamos que o preço da moeda americana tenda, posteriormente ao vencimento dos “swaps cambiais reversos” ao início de junho, ficar no intervalo de R$ 2,00 a R$ 2,10, já que o mercado, a menos que induzido por novas operações do BC no mercado futuro de dólar, perdeu atratividade por operações exóticas ou alavancadas, face à experiência dramática ocorrida recentemente, e também pela expressiva queda de recursos financeiros dos “hedge funds”.

 

O mercado de juro na BM&F assimilou a tendência de cortes mais substantivos da SELIC, porém demonstra certa resistência neste momento a um ajuste mais forte. Janeiro de 2010 aponta taxa de 9,32% AA.

 

A BOVESPA após uma alta expressiva ontem, absolutamente fora do ponto da razoabilidade, puxada principalmente pelas “blue chips” VALE e PETRO, hoje opera com volatilidade, porém surpreendendo pelo fato de não ter ocorrido um imediato movimento de realização, o que pode tornar sustentável a alta. Até o dia 13 de maio o fluxo de investidores estrangeiros esta positivo em R$ 2,2 Bi.

 

A FGV e o “Institute for Economic Research at the University of Munich”, em parceria, elaboram o índice de Sondagem Econômica da América Latina. O ICE- Índice de Clima Econômico da AL atingiu o nível de 3,6 pontos em abril, acima do último levantamento realizado em janeiro que apontava 2,9%, o que evidencia melhora do clima econômico. Conceitualmente índices abaixo de 5,0% apontam clima ruim, mas a leitura do resultado revela que está menos ruim, tendente a atingir o índice de corte.

 

A revista “The Economist” realizou em sua área de pesquisa, avaliação do sistema bancário brasileiro e a resultante indicou sinais de solidez.

 

Outra manifestação importante foi do principal executivo da PIMCO – Pacific Investiment Management Co., um dos maiores gestores de fundos do mundo, que fez menções elogiosas citando que o Brasil administra bem a crise e, afirmou ainda,que deve adquirir mais títulos brasileiros.

 

A FIPE divulgou hoje o IPC da cidade de São Paulo na segunda semana de maio apontando alta de 0,34% , idêntica à da semana passada.

 

No exterior bons sinais vindos da economia japonesa, que aumentou sua produção industrial em 1,6% em março, com os embarques crescendo 1,5% e os estoques declinando 3,6%. Da Alemanha vem dado sinalizando que o índice de confiança dos negócios cresce pelo sétimo mês consecutivo. E da China notícias de ações do governo visando alcançar um crescimento do PIB este ano da ordem de 8,0%.

 

O índice das bolsas asiáticas, exceto Japão, subiu 3,0% atingindo 313 pontos, o nível mais alto desde outubro do ano passado. No Japão o índice Nikkei subiu 2,8%, porém há expectativa sobre a divulgação do PIB amanhã que pode evidenciar que a segunda economia do mundo se retraiu 4,2% no trimestre, que seria a mais profunda desde a 2ª guerra mundial.

 

Nos Estados Unidos as bolsas apontavam tendência de alta no mercado futuro, mas não confirmaram na abertura repercutindo o dado negativo relativo ao número de casas em início de construção que ficou em abril (anualizado) em 458 mil ante expectativa de 520 mil, após ter registrado 525 mil em março. Na mesma linha negativa foi anunciada queda do número de permissões para construir para 494 mil, queda de 3,3% em relação a março, ante projeção de 530 mil. Porém, na sequência já se reposicionam em alta.

 

Na contramão da crise, a Home Depot, uma das maiores varejistas dos Estados Unidos, divulgou lucro 44,0% maior no 1º trimestre na comparação com o mesmo período do ano passado.

 

Os “treasuries’ de 10 anos apontam rentabilidade de 3,271%. O petróleo está sendo cotado a US$ 59,03 o barril na Nymex. O Euro vale US$ 1,3599. A Libra US$ 1,5496 e Yens 96,28 valem US$ 1,00.

Sidnei Moura Nehme
Diretor Executivo, Economista
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O mercado de câmbio brasileiro permanece sem fundamentos para sustentar valorização da moeda americana.

O mercado de câmbio brasileiro permanece sem fundamentos para sustentar valorização da moeda americana, tudo convergindo para a apreciação do real tendência sustentável. A volatilidade constatada na semana finda decorreu diretamente de movimentos estratégicos das tesourarias dos bancos buscando ainda um alinhamento do preço a um patamar desejável em torno de R$ 2,15 para permitir o desmonte de suas posições compradas, mas tudo indica que, sem um fato concreto relevante, isto não se torne factível.

 

Na sexta-feira a volatilidade continuou e o preço após atingir R$ 2,07 acabou fechando a R$ 2,11, e o BC adquiriu em seu leilão de compra US$ 79,0 MM acumulando estimados  US$ 875,0 MM neste mês de maio, o que permite supor  que  as posições compradas dos bancos estejam no mínimo em torno de US$ 1,5 Bi.

 

Em tese, esta é a última semana para articularem a estratégia de forçar o preço da moeda focando a alta do preço, mas apesar de ter indicado no pré-mercado R$ 2,11, abriu com o preço de R$ 2,09 e não está conseguindo se sustentar sinalizando neste período da manhã tendência de maior apreciação do real.

 

Nossa percepção indica que os bancos não obterão sucesso em otimizar o ambiente para desmontar suas posições compradas no momento, e, assim, deverão voltar suas ações, principalmente ao final da semana, no sentido de promover apreciação do real, já focando a liquidação da operação de “swap cambial reverso” de US$ 3,4 Bi que realizaram com o BC, assumindo a posição vendedora, o que lhes permitirá alcançar expressiva rentabilidade de variação cambial num curto período, além do juro.

 

O próprio BOLETIM FOCUS já sinalizou a tendência sustentável de apreciação do real, e assim na sua edição de final de semana reformula sua projeção anterior de US$ final do ano de R$ 2,20 para R$ 2,12, que parece bastante sensata. Neste momento, espera-se que dada às oportunidades presentes e imediatas de ganhos por parte dos bancos a taxa possa ser conduzida a R$ 2,00 ou até abaixo, porém, posteriormente deve ficar no intervalo de R$ 2,00 a R$ 2,10, como taxa de equilíbrio.

 

Importantíssimo para que este cenário seja mantido é a não intervenção do BC com leilões de “swap cambial reverso”, que seria estimulante ao surgimento do “especulador predador” que deforma expressivamente o preço da moeda americana, fazendo com que a especulação predomine sobre a demanda técnica e necessária por parte das empresas com efetivas posições expostas à variação cambial, podendo causar efetivos danos às exportações brasileiras e aos exportadores incautos como se viu num passado recente. Como temos salientado, não há crise cambial no país que fomente ambiente de pânico que estimule descontrolada demanda de moeda americana tanto no mercado de câmbio à vista quanto no mercado futuro de dólar que justifique a prática pela autoridade de vender “swap cambial”, da mesma forma, não ocorre nenhuma euforia incontrolável com o país que acentue o fluxo de moeda para o país, e neste caso pontual, a ação da autoridade seria primeiro esterilizar no mercado à vista e posteriormente, se o fluxo for efetivo e verdadeiro, atuar no mercado futuro de dólar de forma técnica e com a rigorosa análise e percepção de que a oferta esteja atendendo seus objetivos e não sendo utilizados como fomento para especulação “predadora”.

 

A balança comercial na segunda semana deste mês registrou novo saldo positivo de US$ 505,0 MM, acumulando no ano US$ 7,774 Bi. A média diária das exportações está em US$ 543,4 MM, 19% acima da média diária das importações que está em US$ 458,0 MM. O Boletim FOCUS revê a sua projeção de superávit da Balança Comercial neste ano de US$. 17,5 Bi para US$ 18,15 Bi, mas entendemos que o país possa vir a alcançar um superávit de US$ 20,0 Bi, pois havendo sinais de abrandamento da crise econômica os preços das “commodities” devem melhorar e os volumes também serão maiores.

 

A FGV divulgou o IPC-S com alta de 0,48% após 0,57% na leitura da semana anterior.

 

Nesta semana as atenções estarão focando o desemprego, o IPCA-15 e a ata do FED americano.

 

A economia brasileira criou em abril 106.205 empregos formais, melhor período desde setembro de 2008, e com este número tornou o resultado do 1º quadrimestre do ano positivo em 48.454 empregos formais.

 

O BOLETIM FOCUS na edição deste final de semana ainda contempla revisão do IPCA nos próximos 12 meses de 4,08% para 4,03%, porém continua relutante em sancionar uma projeção de queda maior no IPCA-2009 que revê de 4,36% para 4,33%, quando a maioria dos analistas já projeta inflação abaixo de 4,0%.

 

Revê de forma bastante pontual nova queda na projeção da SELIC para final do ano de 9,25% para 9,0%, o que é um piso mais próximo do consensual que, contudo já vê possibilidade de uma queda maior depois da acomodação dos problemas de rentabilidade dos fundos frente aos da poupança, visto que há espaço para que seja sancionada redução maior.

 

O mercado de juro da BM&F vem sensibilizando suas cotações de juro a um cenário de queda, com o Jan-2010 apontando 9,27% AA.

 

Pontualmente, revê para menor a projeção para o déficit em transações correntes de US$ 20,0 Bi para US$ 18,90 Bi, em linha com a perspectiva de gastos menores do país com lucros e dividendos, até porque eleva a projeção para a queda do PIB 2009 de 0,44% para 0,49%.

 

A BOVESPA retoma o alinhamento com o otimismo e como os recursos retirados nas baixas não deixaram o país ocorre a realocação e torna a alta de hoje expressiva, reconduzindo o IBOVESPA para patamar acima dos 50.000 pontos.

 

No mundo as bolsas também operam em alta, face ao aumento do sentimento de abrandamento da crise econômica não por dados entusiasmantes, mas simplesmente por estarem sendo “menos ruins”. Ainda há muitas incertezas, portanto estes movimentos estão sempre muito sensíveis a dados e fatos de curtíssimo prazo, por isso a perspectiva de ocorrência de volatilidade é sempre presente.

 

Os “treasuries” de 10 anos apontam rentabilidade de 3,134%aa. O petróleo está sendo cotado a US$ 57,82 o barril, em alta, na Nymex. O Euro vale US$ 1,3485.

 

Sidnei Moura Nehme

Diretor Executivo, Economista
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