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Archive for Abril, 2009

Após um longo período em que houve relutância em atribuir a expressiva apreciação do dólar ao movimento especulativo instalado…

Após um longo período em que houve relutância em atribuir a expressiva apreciação do dólar ao movimento especulativo instalado, em especial, no mercado futuro de dólar da BM&F, como ficou evidenciado nos movimentos de desmonte recente, visto que o mercado futuro de cupom cambial – DDI praticamente vem mostrando que as posições dos “players” se mantêm inalteradas, ocorre forte convergência das projeções já atribuindo preço de R$ 2,00 para a moeda americana ao final do ano, bastante distante da contida no Boletim FOCUS que é de R$ 2,25.

 

Este final do mês, a rolagem parcial pelo BC de US$ 2,0 Bi da posição de “swaps” de US$ 5,7 Bi vincenda no próximo dia 4 de maio, acabou por fulminar as resistências que já eram absolutamente residuais em posição “compradas” detidas pelos investidores estrangeiros, mas que perturbavam a tendência latente de apreciação do real, causando volatilidade estreita, mas muito presente, e que se mantinha na expectativa de que a demanda reprimida de “hedge” pudesse vir a aceitar um preço acima de R$ 2,20, o que foi rompido pela estratégia do BC.

 

Ontem e não antes, finalmente, os investidores estrangeiros alteraram seus posicionamentos no mercado futuro de dólar, revertendo os saldos comprados líquidos de 13.309 contratos para vendidos líquidos de 979 contratos.

 

Agora, ainda terão oportunidade de aumentar estas posições vendidas no próximo dia 4 quando o BC procederá a liquidação da parte não rolada da posição vincenda, algo como US$ 3,7 Bi, que tem um efeito “compra” no mercado futuro de dólar, mas já com a existência de uma pressão menor de demanda compradora de “hedge”, o que aumenta o risco de ganho com a especulação, mas que certamente não será fator para neutralizá-la totalmente, já que agora, com os investidores estrangeiros vendidos,  a convicção de apreciação do real fica fortalecida.

 

Naturalmente, a especulação, desenvolvida a partir de setembro do ano passado, provocando forte movimento reversivo do movimento especulativo que apostava no real para nova aposta no dólar, determinou expressivo percentual de valorização da moeda americana, visto que saiu de um preço exacerbado para baixo para um novo preço exacerbado para cima, tinha muito de causas “psicológicas” oportunísticas exploradas pelos especuladores num momento de agravamento da crise internacional, mas que não encontrava fundamentos concretos no cenário brasileiro, que foram em grande parte ignorados.

 

O Brasil sempre teve reservas cambiais ao longo desta crise, reservas cambiais suficientes para liquidar a totalidade do seu passivo externo público e privado, e este é um escudo que, no caso do preço do dólar no mercado interno, foi subestimado, ainda porque o BC mostrou-se extremamente ágil em reverter de forma pontual estas reservas cambiais como linhas de financiamento em moeda estrangeira substitutivas das linhas retiradas pelas fontes internacionais e vendeu dólares à vista sempre que observou desequilíbrios entre a oferta e demanda no mercado à vista.

 

Errou sim, errou ao vender “swaps” no mercado futuro de dólar tentando gerar liquidez num ambiente de forte especulação, não conseguindo atender a demanda dos posicionados “vendidos” surpreendidos pela instalação rápida do movimento especulativo no sentido oposto, e assim com estimulou o movimento especulativo e a formação crescente de posições “compradas” pelos investidores estrangeiros, enfim acabou estimulando a elevação do preço da moeda americana, efeito diverso do objetivado. Tardiamente atentou para o erro e cessou as ofertas de “swaps” naquele mercado e como conseqüência o deixou sem liquidez, mas resistente à queda, visto que o mercado à vista tinha volume de negócios muito baixo, quadro que agora se encerra pela percepção gradual dos especuladores da absoluta inviabilidade de sustentarem “suas apostas”, pois o quadro cambial do país acabou por fragilizar totalmente o movimento.

 

O 1º trimestre deste ano “corrigiu” as severas projeções que foram realizadas extrapolando as perspectivas negativas para o comércio exterior, fluxo de investimentos, etc. sem usar o mesmo peso para a queda das importações, queda da remessa de lucros e dividendos, queda dos gastos com viagens internacionais. Saldo surpreendente da balança comercial no trimestre superior ao mesmo período de 2008 e abril com desempenho positivo fortíssimo; fluxo de investimentos para a Bovespa sinalizando retorno dos investidores com perspectivas crescentes; fluxo cambial não preocupante visto que o negativo decorreu de liquidação de empréstimos e linhas de financiamentos externos, que em contrapartida reduziram o passivo externo do país, que em março totalizada US$ 192,0 Bi ante as quase imutáveis reservas cambiais de US$ 202,0 Bi.

 

Na próxima segunda feira, dia 4, o BC liquidará a posição residual provocando um efeito “compra” e isto dá uma certa resistência temporária ao preço ao início dos negócios hoje, pois os investidores que desejam aumentar suas posições vendidas no mercado futuro de dólar, naturalmente, desejam fazê-lo no melhor preço, porém como teremos um final de semana longo e o mercado à vista sinaliza que terá volume expressivo, a taxa perderá a resistência e seguirá em queda, visto que o mercado futuro de dólar hoje deve ter baixo volume e ficará à mercê do preço formado no mercado à vista.

 

Caso se acentue a tendência de apreciação do real nos próximos dias, o BC não deve cometer o erro do passado quando isto ocorreu intervindo no mercado futuro de dólar se estiver presente movimento especulativo, pois acaba por causar a intensificação do mesmo. O BC deve limitar a sua intervenção ao mercado de cambio à vista, onde há a efetiva sinalização do que ocorre em termos reais, comprando os excedentes e suprindo as faltas. Neste momento não há nenhuma razão para movimentos mais acentuados no mercado futuro de dólar que não sejam limitados a “hedge” verdadeiro, tudo o mais será especulação e não cabe ação por parte da autoridade neste caso, e a sua ausência é mais eficaz para conter do que a sua interferência.

 

A BOVESPA repercute o cenário favorável e mantém a alta, já que a perspectiva de continuidade de ingresso de investimentos direcionados para o mercado acionário é consistente.

 

O COPOM decidiu ontem dentro do consenso do mercado financeiro e assim reduziu a SELIC em 1,0% passando-a a 10,25% AA., porém desagradando o setor produtivo da economia que deveria ser o foco principal neste momento e está carente de estímulos para retomar ritmo e recuperar empregos e renda, que é fundamental para o país, visto que o nosso PIB tem acentuada dependência do nosso mercado interno.

 

Antever “fantasmas” não é a melhor decisão neste momento, que requer realismo e sugere que se erre pelo excesso de estímulo à economia, corrigindo posteriormente se necessário, mas definindo de forma objetiva quais as prioridades imediatas. Cortar já 1,5% e até não cortar nada na próxima reunião teria sido mais emergencial e pontual no momento.

 

Modelos econométricos acabaram de ser destruídos pelo mercado financeiro internacional nesta crise, e todos os países fizeram a opção pela recuperação de suas economias, com a certeza de que a inflação será dominada pela própria perda inevitável de atividade econômica.

 

Surge agora uma contribuição adicional para “exterminar” os riscos inflacionários e cujos efeitos são de curtíssimo prazo: a taxa cambial. Esta é o antídoto mais eficaz e rápido e nem seria necessária neste momento de forma tão acentuada como se pressupõe que será o recuo da taxa cambial, que pode comprometer a dinâmica das nossas exportações que vem superando as importações e gerando excelentes superávits. Este foi um detalhe que parece não mereceu muita atenção pelo COPOM.

 

Em contextos com o atual percebe-se que o Brasil tem dificuldades em admitir que pode ser grande, há muitos temores, mesmo considerando que o país instalou uma capacidade produtiva que está com capacidade ociosa e que o desemprego elevou-se a nível preocupante, razão pela qual não há porque se falar em possível hiato do produto em caso de retomada da atividade econômica.

 

O Brasil já não lidera mundialmente o “ranking” de maior juro real, porém tem a sua frente a China, cujo mercado não tem a liquidez brasileira e nem regras tão claras, e, a Hungria que já esta sob a tutela do FMI. Assim, o Brasil deverá continuar sendo o “oásis” principal para o fluxo do “carry trade”.

 

Caso o país venha a ser reclassificado para melhor no seu “investment grade” melhoraria o ambiente para atração de investimentos, mas será fundamental que a sua economia esteja em recuperação e o foco do COPOM foi na inflação e não na atividade econômica.

 

Esta decisão vem em oposição ao dado captado pela FGV com o seu ICI (Índice de Confiança da Indústria) que cresceu 8,7% em abril, ao passar de 77,8 para 84,6 pontos. Esta é a 4ª elevação consecutiva do índice consolidando a tendência de recuperação gradual da confiança, após diminuição acentuada no 4º trimestre de 2008.

 

O governo divulgou hoje um surpreendente superávit primário em março de R$ 11,6 Bi superior às projeções de R$ 9,3 Bi e maior desde outubro de 2008 e 4 vezes o obtido em fevereiro. No 1º trimestre acumula superávit de R$ 21,0 Bi, metade do obtido no mesmo período do ano passado. O déficit nominal em março foi de R$ 2,5 Bi menor do que os R$ 6,1 Bi apurado em fevereiro. A relação DP/PIB elevou-se para 37,6%, maior desde setembro do ano passado, após ter registrado 37,1% em fevereiro.

 

No exterior as bolsas operam em alta, desde a Ásia, Europa e Estados Unidos.

 

Nos Estados Unidos, onde o FED ontem decidiu manter a taxa de juro básica entre zero e 0,5%, foi divulgado o PCE (Personal Consumption Expenditures) apontando a 3ª alta após meses de variação nula, com o núcleo apontando alta de 0,2% em março idêntica a de fevereiro. A renda dos norte-americanos caiu 0,3% ante projeção de queda de 0,2% e após ter registrado queda de 0,2% em fevereiro. O consumo caiu 0,2% em março acima da expectativa do mercado que era de recuo de 0,1%, contrariando o resultado de fevereiro que foi de alta de 0,4%.

 

Também foi anunciado que os pedidos de auxilio-desemprego na última semana ficaram abaixo do esperado atingindo 631mil ante estimativas de 640 mil e abaixo da medição passada revisada de 645 mil. 

Os “treasuries” de 10 anos apontam rendimento de 3,096% AA. O petróleo está sendo cotado a US$ 51,66 o barril na Nymex. O Euro vale US$ 1,3277. A Libra US$ 1,4861 e Yens 98,12 valem US$ 1,00.

Sidnei Moura Nehme
Diretor Executivo, Economista
NGO ASSOCIADOS CORRETORA DE CÂMBIO LTDA.
www.ngo.com.br

O Banco Central do Brasil rolou ontem 40.000 contratos, algo como US$ 1,99 Bi, equivalente a 35% da posição vincenda …

O Banco Central do Brasil rolou ontem 40.000 contratos, algo como US$ 1,99 Bi, equivalente a 35% da posição vincenda em 4 de maio de US$ 5,7 Bi, e com isto contrariou em pate as expectativas de bancos e “hedge funds” que esperavam que não rolasse nada e assim no dia do vencimento procedesse a liquidação do todo, causando um forte efeito “compra” no mercado futuro de dólar.

 

Em realidade, ao rolar parcialmente e tudo leva a crer que não rolará os 65% restantes da posição vincenda, ainda causará o efeito “compra” em menor intensidade no dia 4, porém com a decisão adotada “esvaziou” o movimento volátil que vinha se verificando no preço da moeda americana, pois atendeu a demanda reprimida a preço abaixo de R$ 2,20 e retirou a pressão que alimentava o movimento entre R$ 2,17 e R$ 2,22, pois quando a demanda se manifestava e o mercado de câmbio à vista tinha baixo volume, aviltavam o preço para eventualmente vender aos interessados, que não consolidavam, e principalmente “aguardar” o BC com a liquidação da posição vincenda, para aumentarem (os bancos) as posições vendidas e reverterem (os “hedge funds”) suas posições compradas para vendidas.

 

Retirada parte da demanda real reprimida no mercado futuro de dólar foi reduzida substantivamente a pressão e o dólar que já tinha claro viés de queda no preço, em decorrência dos inúmeros fatores presentes, como ausência de riscos de crise cambial fundamentada em reservas cambiais, balança comercial surpreendendo e fluxo cambial não preocupante, acabou por perder também a causa que permitia os movimentos de elevação do preço especulativamente para tentar aviltar o preço da moeda.

 

Com o preço num piso mais baixo fica mais “arriscado” especular com posições vendidas no mercado futuro de dólar a partir deste piso, já não haverá muito conforto quanto ao ganho da variação cambial, mas de toda forma ainda ocorrerá movimento desta natureza.

 

Desta forma, com a estratégia do BC a queda do preço será mais gradual, enquanto que se não tivesse rolado permitiria que até o dia 4 continuasse a volatilidade e a partir de então pudesse ocorrer um movimento abrupto de queda de natureza especulativa para viabilizar o ganho cambial com a ativação das arbitragens. Não descartamos que venha a se aproximar ou chegar a R$ 2,00 ainda no mês de maio.

 

Certamente o preço da moeda americana tende firmemente a continuar em depreciação, podendo chegar até a piso que pode surpreender e trazer um cenário desfavorável às exportações brasileiras e estimular as importações que poderão concorrer com os produtos nacionais.

 

Neste momento a inflação está prospectivamente indicando que ficará abaixo da meta do governo, não precisando que o câmbio dê sua colaboração que é de rápida repercussão.

 

O fluxo de investimentos direcionados para a BOVESPA supera R$ 5,0 Bi no ano e deve continuar forte e aguarda-se também que recursos alocados em renda fixa comecem a se direcionar para aplicações em ações. Passado o momento de realização de lucros, encoberto por suposto efeito da “gripe suína”, a BOVESPA retoma a dinâmica de alta firme.

 

Hoje o BC realiza leilão de linha de crédito em moeda estrangeira aos bancos, com o mecanismo de venda e compra conjugados da moeda americana, com 3 vencimentos.

 

A FGV divulgou hoje o IGP-M de abril com deflação de 0,15%, após deflação de 0,74% em março, acumulando nos últimos 12 meses 5,38%. A projeção do mercado era de deflação de 0,32%. O IPA caiu 0,44% em abril após queda de 1,24% em março, enquanto o IPC subiu de 0,43% em março para 0,58% em abril. Provavelmente em maio já tenhamos um IGP-M positivo, porém é bastante provável que chegue ao final do ano abaixo de 3,5%, menor do que o IPCA.

 

O DIEESE divulgou que o desemprego nas seis principais regiões do país registrou em março desemprego de 15,1% após 13,9% em fevereiro, sendo que em São Paulo ficou em 14,9% após 13,5% em fevereiro, estimando-se 1,55 pessoas desempregadas.

 

A CNI informou que pelo índice de Sondagem Industrial o nível de produção recuou 4,7 pontos no 1º trimestre de 2009 em relação ao 4º trimestre de 2008 chegando a 36,1 pontos, menor patamar desde 1999. O número de trabalhadores na indústria caiu para 39,2 pontos, redução de 4,8 pontos na mesma comparação e também o mais baixo da série iniciada em 1999. Os dados confirmam que o desempenho da indústria brasileira no 1º trimestre de 2009 foi ainda pior que o registrado no 4º trimestre de 2008.

 

Hoje o COPOM anunciará, ao término da reunião iniciada ontem, a nova taxa SELIC, cujo consenso é de um corte de 1,0%, passando-a para 10,25%, porém entendemos que a autoridade devesse sancionar mais um corte de 1,5% focando os dados da atividade econômica estimulando-a e tendo especial atenção com o emprego no país, pois o nosso mercado interno é o sustentáculo do nosso PIB. Estudos revelam que o conflito com o rendimento das cadernetas de poupança só ocorrerá quando a SELIC chegar a 9,0% AA e mesmo assim com os fundos que cobram mais de 1,5% de taxa de administração.

 

Não vemos risco de aquecimento da inflação, visto que, se houver recuperação da economia, não corremos risco com o hiato do produto visto que a indústria está com capacidade ociosa aumentada e bastará gerar empregos para atender a demanda. O risco, como temos salientado, está na possibilidade do governo federal necessitar de financiamento o que impactaria pressionando a alta do juro.

 

No cenário externo, foi anunciado uma pequena leitura do PIB do 1º trimestre com queda de 6,1%, ante previsões entre queda de 4 a 5%, porém menor do que os 6,3% de queda no 4º trimestre de 2008. O consumo cresceu 2,2% ante projeção de 0,9% após queda de 4,3% no trimestre anterior.

 

O FED anunciará hoje a sua decisão sobre juros, que se espera seja mantida inalterada, porém a expectativa centra-se no relatório pós-reunião que deverá expressar as percepções da autoridade a respeito da economia americana.

 

As bolsas americanas “atropelam” o dado do PIB do 1º trimestre e buscam recuperação após as quedas atribuídas às preocupações com a gripe “suína”, o que deixa evidente que houve na realidade um movimento especulativo oportuno, pois nem mesmo a “reprovação” do Citigroup e do BofA e, comenta-se, mais 4 outros bancos,  no teste de estresse realizado pelo governo americano causou grande repercussão ao indicar que continuam precisando de recursos bilionários.

 

Os “treasuries” de 10 anos indicam rentabilidade de 3,002% sinalizando que não há pressão de demanda. O petróleo está sendo cotado a US$ 50,85 o barril na Nymex. O Euro vale US$ 1,3313. A Libra US$ 1,4778 e Yens 96,94 valem US$ 1,00.

 

Sidnei Moura Nehme

Diretor Executivo, Economista
NGO ASSOCIADOS CORRETORA DE CÂMBIO LTDA.
www.ngo.com.br

 

Entre a realidade de uma doença grave ainda muito restrita em sua abrangência de área de ocorrência …

Entre a realidade de uma doença grave ainda muito restrita em sua abrangência de área de ocorrência e as dimensões que possa vir a atingir como epidemia e a ficção que o imaginário da especulação desenvolve com extrema rapidez propagando ilações desastrosas, o mercado financeiro internacional apresentou ontem um grande movimento de realização e utilizou como pano de fundo a denominada “gripe suína”, encobrindo e desviando as atenções dos problemas da crise financeira internacional.

 

Há relação entre a “gripe suína” e a alta do dólar no mercado de câmbio brasileiro ocorrida ontem e que já não resiste hoje quando a preocupação com a doença ainda está latente no mundo todo?

 

Fundamentalmente poder-se-ia identificar que o movimento dos investidores estrangeiros no mercado futuro de dólar elevando suas posições compradas em 21.000 contratos, algo como US$ 1,05 Bi, tenha sido preventivo e que foi hábil e oportunamente aproveitada pelos bancos que elevaram suas posições vendidas em 18.000 contratos, algo como US$ 900,0 MM, por ter a percepção de que não há ambiente para que o preço da moeda americana e que assim, tão somente, aproveitaram o momento para elevar este preço visando otimizar seus ganhos na certeza de que o mesmo recuaria na sequência, o que ocorre hoje.

 

Por outro lado, a alta pode ter decorrido, num primeiro momento, do interesse dos bancos em aumentar suas posições vendidas e dos investidores estrangeiros em aumentá-las  para puxar o preço do dólar, embora mantendo a perspectiva de reverter suas posições liquidamente compradas para vendidas num patamar de taxa mais elevado para garantir o conforto do ganho da variação cambial, já que não acreditam que o real se valorizará no curto prazo. E mais, num segundo momento, após o BC ter anunciado a pesquisa de mercado para definir rolagem da posição de “swaps” vincenda ao início de maio, uma nova rodada acentuando a alta com o objetivo de desincentivar o interesse dos investidores pela nova oferta de “swaps” com a taxa do dólar em patamar acima de R$ 2,20, já que o interesse maior do mercado futuro de dólar seria a não rolagem da posição vincenda para ocorrer o efeito “compra” naquele mercado e viabilizar novas estratégias em desenvolvimento.

 

Com o BC tendo definido a rolagem, ainda que parcial, com a oferta hoje de 40.000 contratos, algo como US$ 2,0 Bi dos US$ 5,7 Bi vincendos, fica agora a expectativa sobre a decisão sobre o saldo remanescente.

 

No nosso entendimento a “gripe suína” tem mais efeitos psicológicos do que efetivos em termos de danos econômicos, pois envolve saúde e risco de vida.

 

A moeda americana continua com viés de queda, a despeito da volatilidade decorrente de movimentos pontuais e estratégicos dos agentes e investidores.

 

A BOVESPA continua com movimento de realização de lucros encoberto por presumida preocupação com a “gripe suína”, da qual não há casos no Brasil e que ainda tem dados muito frágeis, inclusive de mortalidade, para que se possam considerar efetivas perspectivas de impactos nas “commodities”, etc.

 

Hoje tem início a reunião do COPOM que divulgará amanhã sua decisão sobre a taxa SELIC, cujo consenso do mercado projeta corte de 1,0%, porém continuamos entendendo que o corte deveria ser de 1,5% focando diretamente a atividade econômica como prioridade, até porque a inflação não sinaliza preocupação neste momento.

 

No cenário americano, que está envolvido na questão da gripe “suína”, o ambiente parece minimizar os efeitos da mesma do ponto de vista da economia que já está extremamente debilitada pelo “vírus da irresponsabilidade do sistema financeiro”, e volta a observar que os seus bancos líderes não estão tão recuperados quanto se buscou fazer acreditar e continuam indicando carência de capital; que a GM só terá solução se for assumida pelo governo; mas olha também que a confiança do consumidor avançou neste mês com o Conference Board indicando que este sentimento avançou de 26,9 em março para 39,2 e que o setor manufatureiro, ainda em ritmo fraco, melhorou em abril.

 

As bolsas americanas operam com volatilidade, mas conseguem manter discreta alta afastando-se do comportamento das demais bolsas do mundo.

 

O petróleo está sendo cotado a US$ 49,10 o barril na Nymex. Os “treasuries” de 10 anos apontam rendimento de 2,942%. O Euro vale US$ 1,3040

Sidnei Moura Nehme
Diretor Executivo, Economista
NGO CORRETORA DE CÂMBIO LTDA
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www.ngo.com.br

O mercado de câmbio continua convivendo com a incerteza sobre a decisão do BC sobre a rolagem da posição de “swaps” de US$ 5,7 Bi vincenda ao início de maio….

O mercado de câmbio continua convivendo com a incerteza sobre a decisão do BC sobre a rolagem da posição de “swaps” de US$ 5,7 Bi vincenda ao início de maio, que se não efetivada terá um efeito “compra” no mercado futuro de dólar, e tudo leva a crer que a autoridade monetária não realizará a renovação da posição, visto que não há demanda para “swaps” em piso superior a R$ 2,20, agora já provavelmente, um pouco abaixo deste piso, pois acentua-se a percepção de que o viés de apreciação do real tende ao fortalecimento.

 

As posições remanescentes no mercado futuro de dólar, detidas pelos investidores estrangeiros, são praticamente residuais, algo liquidamente como 15.000 contratos equivalentes a US$ 750,0 MM, o que por si só não justificaria movimentos de resistência à depreciação do preço do dólar, porém, é notória a intenção destes investidores em mudarem de posição, passando a apostar doravante na apreciação do real, mas para que isto se consolide é imprescindível que o movimento reversivo ocorra num ambiente em que o dólar já não esteja com o preço muito deprimido, para manter a perspectiva de ganho de variação cambial.

 

Alimentando a perspectiva de que o BC não renove a posição de “swaps” vincenda provocando o efeito “compra” focam este momento como extremamente oportuno para levarem a cabo seu objetivo de reverter suas posições a vendidas.

 

Este contexto provoca a volatilidade, com os investidores estrangeiros conseguindo elevar o preço da moeda americana sempre que o volume do mercado de câmbio à vista perde volume, porém não conseguindo proporcionar-lhe sustentabilidade quando aquele mercado eleva seu volume e acaba por sobrepor-se às influências do mercado futuro de dólar.

 

Adicionalmente, há a reunião do COPOM que deverá decidir sobre novo corte na taxa SELIC, e que está sob forte atuação de “lobbies” opinativos, que forjando cenários os mais diversos conseguiram retirar o consenso do corte de 1,5% para 1,0% e até 0,75%. Justificativas não faltam, todos acentuando o olhar sobre a inflação em detrimento da atividade econômica que deveria preponderar neste momento.

 

Colocam-se os pontos conflitantes com a renda das cadernetas de poupança; sinais de reaquecimento da atividade econômica, embora mantenham a projeção do PIB 2009 negativa, que determinaria cautela por parte da autoridade; etc., e até mesmo de que o reaquecimento da atividade possa causar o hiato do produto, ignorando que a indústria está com capacidade ociosa e para aumentar a produção basta utilizá-la com aumento do emprego e não dos investimentos que já foram feitos.

 

Contrariamente ao consenso, entendemos que este momento exige empenho máximo visando estimular o reaquecimento da atividade econômica, e isto sugere um corte de 1,50%, já que a inflação não é preocupante de forma absoluta e a prioridade é outra e quanto mais rápido o país restabelecer o nível de atividade econômica e consumo interno, mais próximo estará de efetivamente reverter o quadro atual.

 

O risco que vislumbramos não está na inflação, mas sim na possibilidade do governo, caso não consiga restabelecer níveis recuperatórios da atividade econômica que elevem a arrecadação de tributos, vir a demandar financiamentos já que houve elevação excessiva dos gastos permanentes e, isto sim, poderia pressionar o governo a elevar a taxa de juro.

 

O movimento volátil do preço do dólar no nosso mercado não tem nenhuma co-relação com a cena externa, consubstancia-se diretamente ao cenário interno. A alta não tem sustentabilidade e na medida em que o mercado à vista ganhe volume e passe a determinar o preço, sobrepondo-se aos movimentos artificializados pelo mercado futuro de dólar, que está praticamente sem volume e liquidez, reverte para baixa.

 

A gripe suína causa efeitos imediatos nos mercados de “commodities” mais intensos do que o fato em si, aliás, como sempre acontece, até porque ainda são muito precárias as perspectivas de transformação em epidemia, mas é inevitável que ocorra forte especulação neste momento em torno do assunto. Para o Brasil aumentam as perspectivas para as vendas de frangos e carne bovina, que podem compensar a eventual e efetiva retração na demanda de grãos.

 

A balança comercial brasileira continua surpreendendo positivamente e revelou superávit de US$ 880,0 MM na 4ª semana de abril, acumulando no mês expressivos US$ 2,575 Bi e no ano US$ 5,557 Bi, sugerindo revisões para mais nas projeções atuais, não sendo improvável que venha a apurar um resultado em torno de US$ 20,0 Bi, provavelmente maior do que o déficit em contas correntes.

 

A Bovespa opera em baixa repercutindo a queda do preço das “commodities” em decorrência dos temores com a gripe suína, havendo evidentemente um conteúdo especulativo no movimento, que acaba tornando-o maior do que a causa e encobre um movimento de realização de lucros.

 

Os investidores estrangeiros na Bovespa que até 22 último atingirá R$ 3,3 Bi, já atingem agora R$ 4,0 Bi, e a tendência é de que tenha continuidade e se acentue com a chegada de recursos oriundos de operações estruturadas de “carry trade”, que prioritariamente devem buscar rentabilidade nas ações, porém também direcionados para renda fixa, já que o juro brasileiro continua extremamente elevado comparado com os padrões internacionais neste momento.

 

Hoje é um dia fraco de indicadores econômicos no geral.

 

O Boletim FOCUS do BC divulgado hoje revê o IPCA para os próximos 12 meses de 4,18% para 4,13%, mas contrariando a visão multissetorial eleva o IPCA 2009 de 4,23% para 4,30% e reduz o IPCA 2010 de 4,40% para 4,30%. Entendemos estas projeções de IPCA´s ainda muito prematuras e frágeis, pois tudo leva a crer que o IPCA possa ficar em 4,0% ao final do ano em decorrência da queda da atividade e até em razão da queda do preço do dólar que consideramos muitíssimo provável, e que deve fechar o ano em R$ 2,15 abaixo da projeção de R$ 2,25 apontada no boletim.

 

A revisão para menos ruim da projeção do PIB 2009 reduzindo a retração de 0,49% para 0,39%, o que no nosso entender ainda está fora do ponto, visto que vislumbramos que o país deva crescer em torno de 0,5%, minimamente.

 

O saldo de balança comercial projetado em US$ 16,0 Bi já sinaliza franca possibilidade de uma revisão para um valor mais próximo de US$ 20,0 Bi, com base nos dados recentes, ao mesmo tempo em que entendemos que o déficit em contascorrentes deve acentuar sua curva de redução, provavelmente registrando valor abaixo dos US$ 19,5 Bi projetado pelo boletim.

 

As bolsas americanas e européias operam com volatilidade repercutindo os efeitos da gripe suína afetando as “commodities”, mas favorecendo os grandes laboratórios detentores de vacinas. Após abertura em baixa, agora operam em alta.

 

Nos Estados Unidos, os “treasuries” de 10 anos estão apontando rentabilidade de 2,985%. O Euro vale US$ 1,3132. A Libra US$ 1,4667 e Yens 96,61 valem US$ 1,00. O petróleo está sendo cotado a US$ 48,85 o barril na Nymex.

Sidnei Moura Nehme
Diretor Executivo, Economista
NGO CORRETORA DE CÂMBIO LTDA.
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O mercado de câmbio à vista voltou ontem a registrar pífios US$ 660,0 MM de giro no interbancário .

O mercado de câmbio à vista voltou ontem a registrar pífios US$ 660,0 MM de giro no interbancário confirmando o baixo volume de negócios, enquanto o mercado futuro de dólares, também sem volume, aproveitou para “orquestrar” visivelmente um movimento entre bancos e “hedge funds” buscando recuperar preço para o dólar, desta vez com os primeiros aumentando suas posições “vendidas” em próximos 9.000 contratos e os segundos reduzindo suas posições “vendidas” na mesma proporção.

 

Lograram sucesso momentâneo, a exemplo do que ocorreu na última segunda-feira, porém são movimentos sem sustentabilidade e isto fica evidente pelo fato de logo em seguida o preço da moeda americana retomar à tendência de queda, que é algo consistente.

 

Existem razões determinantes para este movimento de resistência à tendência natural do preço do dólar neste momento.

 

O BC tem uma posição de “swaps” de US$ 5,7 Bi vincenda ao início de maio e provavelmente não a rolará no todo ou parte pela inexistência de demanda, o que tecnicamente terá um efeito “compra” no mercado futuro de dólar.

 

Há presente forte probabilidade dos “hedge funds” reverterem suas posições de liquidamente “compradas” para “vendidas”, passando a apostar na apreciação do real, e o contexto da não rolagem é uma oportunidade para que isto ocorra, mas só seria interessante com o preço do dólar num patamar superior a R$ 2,20 para haver conforto em relação à possibilidade de ganho de variação cambial.

 

Por outro lado, a decisão do COPOM sobre a taxa SELIC, que ocorrerá antes do vencimento dos “swaps”, também é um fator relevante na formação da estratégia dos “hedge funds”, e muito embora tenha aumentado muito a projeção de corte de 1,0%, ainda não se pode considerar descartada a possibilidade de um corte mais agressivo da ordem de 1,5% por parte da autoridade, buscando assim alinhar-se com as demais ações do governo visando restabelecer o ritmo da atividade econômica.

 

No nosso entender os prognósticos para o crescimento do PIB brasileiro neste ano, cada vez piores pelo FOCUS e pelo FMI, nos parecem precipitados e prematuros, mas, como estão sendo considerados como “efetivos”, sinais de recuperação da atividade econômica e demanda do crédito não deveriam ser preocupantes a ponto de provocar contração num corte mais expressivo da SELIC. Na nossa visão o comportamento do mercado de juros futuro pode estar mais focado nas perspectivas de queda de arrecadação do governo pela perda de atividade e até concessões pontuais de benefícios setoriais num ambiente em que as despesas permanentes do governo foram fortemente elevadas, o que pode torná-lo carente de financiamentos do mercado e, como todos sabemos, a necessidade de financiamento do governo é que determina a elevada taxa de juro do país. Desta forma, um corte mais incisivo agora estaria mais focado no estímulo ao sistema produtivo, renda e emprego e, ainda, como fator redutor de despesas do governo com a dívida, já que a inflação não é efetivamente uma preocupação na atualidade.

 

O IPCA-15 divulgado hoje pelo IBGE aponta inflação de 0,36% em abril, acima do 0,11% apurado no mesmo período de março, porém abaixo do 0,59% observado em abril de 2008. O IPCA-15 acumulado nos últimos 12 meses atinge 5,40% abaixo dos 5,65% até março.

 

O IBGE também divulgou que a taxa de desemprego subiu em março para 9,0%, maior patamar desde setembro de 2007, dentro das projeções que se situavam em torno de 9,1%. O numero não é surpreendente considerando-se a perda da atividade econômica em razão da crise internacional e da forte retração havida no crédito desde o início da mesma, que agora começa a ser restabelecido aos parâmetros antecedentes à crise, porém com custos mais elevados, tanto para pessoas jurídicas quanto para físicas.

 

Os números da evolução do crédito divulgados pelo BC contrariam frontalmente as alegações contumazes que ainda perduram de falta de crédito no país.

 

Estudo desenvolvido pela Fecomércio e Ordem dos Economistas do Brasil apurou um ISE (Índice de Sentimento dos Especialistas em Economia) com alta de 15,4% de alta, passando de 72,6 pontos para 83,7 pontos.

 

A BOVESPA mantém alta desde o início dos negócios, com quase 24% de alta no ano, e evidenciando que a tendência é bastante consistente com o fluxo positivo de investidores estrangeiros.

 

No exterior notícias de que a economia britânica registra contração de 1,9% no 1º trimestre e que o nível de desemprego na Espanha no 1º trimestre atingiu expressivos 17,36% da população ativa, após 13,91% do trimestre anterior. A Espanha é o país com o maior nível de desemprego da eurozona que atinge a média de 8,5%.

 

As bolsas americanas operam em alta, com os números de vendas de casas novas sinalizando resultado melhor do que as expectativas, queda menor do que as projeções das encomendas de bens duráveis permitindo especular-se que a queda livre foi interrompida e o resultado da FORD que embora com prejuízo de US$ 1,4 Bi ficou abaixo das projeções e assim estão em forte alta.

 

Os “treasuries” de 10 anos indicam rentabilidade de 2,979%. O petróleo está sendo cotado a US$ 48,85 o barril na Nymex. O Euro vale US$ 1,3263. A Libra US$ 1,4716 e Yens 97,30 valem US$ 1,00.

Sidnei Moura Nehme
Diretor Executivo, Economista
NGO CORRETORA DE CÂMBIO LTDA.
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Recuperação pontual de volume do mercado à vista, ontem.

Recuperação pontual de volume do mercado à vista, ontem, com giro no interbancário de US$ 5,781 Bi e ingressos de recursos externos em torno de US$ 400,0 MM, restabeleceram o dinamismo a este mercado promovendo o recuo imediato do preço do dólar aos patamares normais e tendentes à queda, dos quais havia sido afastado na 2ª feira passada, dia 20, quando ocorreu uma alta artificializada viabilizada pelo baixíssimo volume operacionalizado por tratar-se de dia útil entre dias não úteis.

 

No mercado futuro de dólar, os bancos aumentaram suas posições compradas em 1.210 contratos e reduziram suas posições vendidas em 6.065 contratos, enquanto os “hedge funds” elevaram suas posições compradas em 14.705 contratos e elevaram também suas posições vendidas em 21.630 contratos. A posição líquida dos “hedge funds” resulta comprada em 22.578 contratos, algo em torno de US$ 1,1 Bi, e há perspectiva de que esta posição venha a se reverter à vendida, sinalizando uma reversão para apostas na valorização do real.

 

A rigor, imaginamos que a intenção dos “hedge funds” seria promover esta reversão com o preço do dólar em piso mais elevado, por isso forçaram o movimento de elevação na segunda-feira dia 20, para garantir uma margem maior de segurança no lucro, porém a demanda efetiva por “hedge” por parte de empresas para proteção de suas exposições comerciais se situa em preço abaixo de R$ 2,20, e provavelmente neste momento com a maior percepção de que a curva do preço tem real tendência de queda pode estar no entorno de R$ 2,15 ou abaixo.

 

Enquanto não ocorre a convergência da oferta a parâmetros abaixo de R$ 2,20 ou R$ 2,15 haverá volatilidade no entorno de R$ 2,20, face à resistência dos pretensos “vendedores” na busca de dar suporte a este preço e favorecidos neste intento, já que o volume do mercado à vista, em regra, não deve revelar recuperação de volume, sendo exceção o ocorrido ontem. Assim, o mercado futuro de dólar deve continuar revelando baixa liquidez e volume.

 

O foco de observação está centrado na chegada ao país do fluxo maior de recursos oriundos de operações de “carry trade”, que é absolutamente factível, porém pode ser que os investidores/especuladores estejam aguardando a decisão do COPOM sobre a taxa SELIC na reunião da próxima semana. A taxa de juro brasileira é estimulante para as arbitragens tendo em vista que o juro externo está excessivamente baixo, porém um corte de 1,0% motiva mais do que um corte de 1,5%.

 

A BOVESPA já demonstra que o fluxo de investidores estrangeiros vem se fortalecendo, registrando até o dia 15 deste mês montante positivo de R$ 2,5 Bi.

 

Os dados do setor externo divulgados ontem pelo BC permitem numa leitura além dos números imediatos do 1º trimestre, onde se observa uma queda muito acentuada das remessas de lucros e dividendos e, em perspectiva, acreditamos que esta é uma curva tendente à queda, alinhando-se com a perda de atividade econômica do país.

 

No contexto dos IED´s - Investimentos Estrangeiros Diretos é possível admitir-se recuperação dentro da perspectiva de que o país reúne efetivas condições de sair da crise antes dos demais países, face as suas condições peculiares de não ter problemas no sistema financeiro e ter a força do seu PIB no consumo interno.

 

O fluxo cambial de abril até o dia 17 foi divulgado pelo BC positivo em US$ 557,0 MM, porém se observarmos desde 9 de março o fluxo é positivo. E mais, quando observamos o déficit do fluxo cambial financeiro de março com US$ 3,901 Bi e atentarmos para a nota do BC sobre o setor externo no quesito dívida externa, observamos que a dívida externa brasileira de curto prazo apresentou queda de US$ 3,3 Bi decorrente da diminuição no estoque de obrigações de bancos comerciais relativas às linhas de crédito e a amortização de empréstimos em moeda estrangeira, que refletiram na dívida externa total reduzindo-a a US$ 192,6 Bi em março, com o país mantendo US$ 202,0 Bi de reservas internacionais no conceito liquidez.

 

Há ainda a considerar-se que o fluxo da balança comercial continua surpreendendo apresentando superávits acima da melhor expectativa.

 

Como se pode observar o cenário segue melhorando pró-Brasil e por isso entendemos frágeis e prematuras as projeções que se estabelecem neste momento, sendo necessário que aguardemos o fim do semestre para termos um cenário prospectivo mais previsível.

 

Hoje a FGV divulgou o IPC-S da 3ª semana com alta de 0,58% após leitura na semana passada de 0,70%, com indicação de redução de pressão dos preços de frutas, hortaliças e legumes.

 

A BOVESPA continua mantendo-se descolada das bolsas americanas e, salvo os movimentos pontuais de realização de lucros, não vem apresentando volatilidade, até porque as razões prevalecentes aqui não são as mesmas do mercado americano, onde os resultados de bancos e empresas não se alinham vislumbrando tendência e ainda há muitas incertezas.

 

Os “treasuries” de 10 anos apontam rentabilidade de 2,947%. O petróleo está cotado a US$. 48,85 o barril na Nymex. O Euro vale US$ 1,3012.

Sidnei Moura Nehme
Diretor Executivo, Economista
NGO CORRETORA DE CÂMBIO
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O dia útil (20) na segunda, no meio de um final de semana longo considerando que a terça 21 foi feriado, permitiu …

O dia útil (20) na segunda, no meio de um final de semana longo considerando que a terça 21 foi feriado, permitiu um movimento pontual no mercado de câmbio que elevou a taxa cambial, mas que não deve ser considerada qualquer mudança da tendência de apreciação do real prevalecente no momento.

 

O giro no mercado de câmbio à vista dia 20 foi de irrisório montante de US$ 999,6 MM e no mercado futuro de dólar houve um movimento estratégico com os bancos aumentando suas posições vendidas “líquidas” em 18.000 contratos, ao mesmo tempo em que os “hedge funds” (investidores estrangeiros) aumentaram suas posições compradas “líquidas” em torno do mesmo montante, deixando claro que o objetivo foi de dar uma “puxada” no preço da moeda a partir daquele mercado, tendo em vista que na segunda-feira a moeda abriu já cotada a R$ 2,25, sem que houvesse fundamentos para este fato, a não ser a promoção artificial de uma alta num ambiente de fracos volumes.

 

Isto só faz fortalecer que está presente a probabilidade de retomada dos movimentos especulativos, só que desta vez focando a valorização do real que, contudo, teve a tendência acelerada e isto não interessa a quem deseja montar operações “vendidas” especulativas, razão pela qual foi oportuno o momento para dar uma “puxada” forte no preço permitindo um piso mais alto para a formação das pretendidas posições “vendidas”, mesmo que isto tenha exigido dos “hedge funds” aumentar discretamente suas posições “compradas”, única forma de valorizar o dólar no contexto atual.

 

No nosso entender, esta foi uma estratégia que não deve lograr sucesso, visto que a demanda efetiva e real por “hedge” por parte de empresas com exposição em moeda estrangeira está situada no piso abaixo de R$ 2,20, e na medida em que fique mais evidente a tendência da valorização do real, esta demanda pode ir se situando mais na proximidade de R$ 2,10, o que nos permite afirmar que a alta ocorrida na segunda-feira é absolutamente carente de sustentabilidade.

 

Como os volumes perduram baixos, a retomada da valorização do real, que consideramos certa, dar-se-á de forma gradual.

 

Este cenário não enseja co-relacionar-se o comportamento do dólar no mercado internacional com a tendência da moeda frente ao real no mercado brasileiro. Eventual alinhamento que possa ocorrer não deverá ser considerado como movimento sinérgico. Há fundamentos para que o dólar se valorize ante o euro e o yen, até porque a Europa e o Japão só conseguirão sair bem da crise na medida em que os Estados Unidos consolide recuperação, porém o Brasil não tem a mesma dependência americana para restabelecer a atividade de sua economia que é muito atrelada ao consumo interno e também tem fatores atípicos como a taxa de juro que pratica desalinhada com o seu conceito de risco.

 

O mercado de juro da BM&F vem sinalizando “incertezas” quanto à decisão do COPOM em sua reunião da semana próxima, mas a economia continua sinalizando que precisa de estímulos para reverter as projeções negativas que vem sendo reveladas pelo Boletim FOCUS e  FMI e os dados de demanda de crédito revelados pela SERASA indicando que, anualizada, a queda por parte das empresas foi de 6,6% e das pessoas físicas 6,2%. A alta constatada na comparação de fevereiro deste ano com janeiro tem pouca expressividade, visto que fevereiro tem menos dias e janeiro foi muito fraco.

 

O governo divulgou dados de março com déficit em contas correntes de US$ 1,64 Bi e IED´s de US$ 1,44 Bi, menor desde maio de 2008. Ainda é prematuro qualquer análise mais profunda a respeito destes números e projeções para o ano, até porque a balança comercial vem apresentando resultados acima das projeções. Acreditamos que somente ao final do 2º trimestre poder-se-á ter uma visão prospectiva mais segura.

 

No nosso entender ainda seria necessária uma redução de 1,5%, porém é crescente a corrente que já projeta 1,0%. É possível que o COPOM fique no meio cortando 1,25%.

 

O IGP-M da FGV na segunda leitura de abril registrou deflação de 0,33%, após ter apurado no mesmo período de março deflação de 0,36% e ter apurado na 1ª leitura do mês deflação de 0,53%.

 

A BOVESPA opera em alta e o fluxo de investimentos estrangeiros até o dia 15 deste mês confirma a tendência ao atingir R$ 2,5 Bi.

 

A bolsa japonesa operou em alta, as bolsas européias operam em alta e as bolsas americanas operam em alta, após volatilidade na abertura, puxada por papéis do setor financeiro, com destaque para o lucro do Wells Fargo acima de US$ 3,0 Bi no 1º trimestre, muito embora o Morgan Stanley tenha anunciado no mesmo período prejuízo de US$ 177,0 MM. Analistas consideram que ainda há ajustes muito fortes a serem realizados pelo Wells Fargo.

 

As notícias positivas da China também estimulam as bolsas americanas.

 

Os “treasuries” de 10 anos estão indicando remuneração de 2,94%. O Euro vale US$. 1,3015. A Libra US$ 1,4500 e Yens 98,01 valem US$ 1,00. O petróleo está sendo cotado a US$ 48,30 0 barril na Nymex.

Sidnei Moura Nehme
Diretor Executivo, Economista
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Desprovido do suporte da especulação desenvolvida no mercado futuro de dólar desde meados de setembro do ano passado…

Desprovido do suporte da especulação desenvolvida no mercado futuro de dólar desde meados de setembro do ano passado, visto que as posições remanescentes são praticamente residuais, o preço da moeda americana perde sustentabilidade e tende a retroceder ainda mais após ter rompido o piso de R$ 2,20, sendo necessário para tanto tão somente que os negócios ganhem volume, já que tanto no mercado à vista quanto no mercado futuro de dólar estão com baixo dinamismo neste momento.

 

Resistindo às projeções empíricas que prevaleceram desde o início da crise conseqüentes da prevalência da “memória Brasil” em crises antecedentes que sempre encontraram o país vulnerável na área cambial, que colocaram perspectivas de preços da moeda a R$ 2,50 até R$ 3,00, o comportamento do preço da moeda americana curvou-me à realidade que a Análise fundamentalista sempre apontou desde o início da exacerbação do preço, setembro de 2008, como fator determinante: a especulação presente no mercado futuro de dólar e não os impactos decorrentes da crise internacional.

 

Ocorreu, a partir de setembro, uma fortíssima reversão da especulação pró-real para pró-dólar e isto provocou um percentual elevadíssimo de oscilação do preço que foi erraticamente considerado pura e simplesmente como um número relativo, sem atentar que saiamos de um excesso de valorização do real provocado pela especulação para um excesso de valorização do dólar também pela especulação.

 

Naturalmente, a análise fundamentalista não promove definições para colocações rápidas e objetivas das causas, sendo mais fácil atribuir-se a fatores mais notórios e presentes como a turbulência externa, problemas em Wall Street, etc. até porque o mercado tem em sua “parte interior” uma complexidade de estratégias operacionais de difícil entendimento pela massa de consumidores de notícias e o Brasil tem um mercado financeiro altamente evoluído e sofisticado.

 

Com o preço da moeda aproximando-se do seu ponto de equilíbrio técnico, normalmente surgirão os negócios efetivos e típicos do mercado futuro de dólar, com empresas buscando o “hedge” não especulativo para proteger suas posições expostas em moedas estrangeiras e assim haverá aumento da demanda que retardará e tornará gradual a queda do preço. Esta presença concreta de demanda determinará volatilidade, porém mesmo que ocorram oscilações discretas de alta, a tendência de queda em perspectiva não será afetada. Hoje deve aumentar a demanda no mercado à vista em razão do final de semana longo, o que pode elevar discretamente a taxa, sendo que o giro no interbancário já atingia US$ 1,8 Bi pela manhã.

 

Todavia, como o real, nossa moeda nacional, é vista pelos investidores estrangeiros como uma moeda que proporciona excelentes oportunidades especulativas e o país pratica taxa de juro real extremamente elevado,  incompatível com o seu grau de risco e a sua condição de “investment grade”, estáa “sob risco” de novo movimento especulativo, desta vez, valorizando-a, uma vez que as operações estratégicas de “carry trade” estão retornando forte ao mercado internacional, e, o Brasil sempre é o mais focado dentre os países emergentes.

 

Notória iniciativa de “prestar satisfação” à coletividade econômica internacional foi a atitude do BC, através seu Diretor Mário Mesquita, em New York, ao expor esclarecimentos sobre a redução do superávit primário definido pelo governo brasileiro, atribuindo a decisão à oportunidade decorrente da queda da dívida pública, tendo em vista que, em regra, esta é uma decisão comumente não bem recebida pelos investidores.

 

A nossa BOVESPA não está resistindo à realização de lucro ante um final de semana que, extra oficialmente, será longo devido ao feriado nacional na terça-feira, e assim opera em baixa não relevante.

 

A FIPE divulgou hoje o IPC na segunda quadrissemana de abril com alta de 0,42%, impulsionado por pressões nas despesas pessoais, após ter registrado 0,40% na semana anterior.

 

As bolsas asiáticas e européias operaram em alta, porém as bolsas americanas operam em baixa.

 

A despeito do Citigroup ter anunciado lucro de US$ 1,6 Bi no 1º trimestre, consequente de lucro na divisão de clientes do banco de investimentos da ordem de US$ 2,8 Bi reduzido pelas perdas de US$ 1,2 Bi no varejo. Contudo, há uma dubiedade neste resultado, visto que o banco registrou o lucro, porém os acionistas ordinários terão prejuízo de US$ 0,18 por ação, conseqüente da operação feita pelo banco em janeiro redefinindo o preço de conversão de US$ 12,5 Bi de ações preferenciais que haviam sido emitidas em uma oferta privada em janeiro do ano passado.

 

A GE também divulgou lucro de US$ 2,83 Bi com queda de 35% relativo ao 1º trimestre, e suas ações são operadas em baixa.

 

Também estão sendo divulgados de forma detalhada os dados relativos ao desemprego de 8,5%, com destaque para Michigan que registrou desemprego de 12,6% e Oregon com 12,0%.

 

A Universidade de Michigan divulgou o indicador de sentimento de confiança do consumidor americano em abril, com alta para 61,9 após ter registrado 57,3 em março.

 

O petróleo está sendo cotado a US$ 51,18 o barril na Nymex. Os “treasuries” de 10 anos apontam rentabilidade de 2,871%. O Euro vale US$ 1,3036. A Libra 1,4810. Yens 98,86 valem US$. 1,00.

Sidnei Moura Nehme
Diretor Executivo, Economista
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O mercado futuro de dólar na BM&F já dá mostras de que existe um viés consistente dos investidores estrangeiros ….

O mercado futuro de dólar na BM&F já dá mostras de que existe um viés consistente dos investidores estrangeiros alterando suas posições de liquidamente “compradas” para liquidamente “vendidas”, isto sem envolver as posições no mercado futuro de cupom cambial - ddi que já há vários dias vem sendo mantidas praticamente inalteradas.

 

No dia 14 (terça) detinham 136.048 contratos “comprados” e os elevaram para 139.260 no dia 15, porém elevaram a posição “vendida” de 119.937 contratos no dia 14 para 133.759 no dia 15. Assim, a posição “comprada” líquida caiu de 16.111 contratos em 14 para 5.501 contratos em 15.

 

Os mercados de câmbio à vista continua com baixo volume, e, também o mercado futuro de dólar na BM&F, porém este revela, ainda de forma discreta, a mudança de posicionamento dos investidores estrangeiros, o que pode acentuar-se na medida em que a taxa recue um pouco mais e surjam então os efetivos compradores de “hedge” objetivando proteção às suas exposições em moeda estrangeira, já se observando discreto aumento das posições “compradas” de bancos e investidores institucionais.

 

Este é um movimento que deverá ser acompanhado mais detidamente, visto que se acentuando poderá agilizar a valorização do real.

 

Tecnicamente o preço da moeda americana tem frágil suporte já em torno do preço de R$ 2,20, tendendo a buscar patamar abaixo e só não acentua a queda e acaba por revelar alguma volatilidade em razão do baixo volume de negócios.

 

Ontem o BC divulgou o fluxo cambial até o dia 9 de abril que compreende 7 primeiros dias úteis com saldo positivo em US$ 287,0 MM. Relevante também é considerar-se que o fluxo de 9 de março a 9 de abril, 24 dias úteis, revela-se positivo em US$ 62,0 MM, indicando uma tendência de recuperação já que o ano começou com um fluxo em janeiro muito negativo, US$ 3,018 Bi, grande parte decorrente de pagamentos de empréstimos não rolados pelas empresas, e que agora revela-se bastante equilibrado, muito melhor do que as projeções negativas colocadas ao início do ano.

 

Este fato positivo é um dado a mais a agregar-se ao já surpreendente saldo positivo que vem sendo obtido pela balança comercial, que supera os números do mesmo período de 2008, e, aos indicativos de retorno ao país de investidores estrangeiros, principalmente para a BOVESPA.

 

Por isso é importante observar-se se o “otimismo” em torno dos emergentes e considerando-se que o Brasil pratica uma taxa de juro real elevada, não estimule o retorno de recursos originados em operações de “carry trade” para o país e estimule as arbitragens que tem força impactante sobre o preço do dólar, valorizando o real.

 

O BC realiza hoje leilão de linhas de financiamentos em moeda estrangeira para dar suporte ás operações de comércio exterior, mas este fato não impacta na formação do preço da moeda.

 

O governo adotou medida ação anticíclica mais ousada e reduziu o superávit primário de 2009 para 2,5%, o que, em tese, deve proporcionar folga de R$ 40,0 Bi para o agir buscando reaquecer a atividade econômica. Esta é uma decisão que em tempos normais seria vista negativamente pelos investidores estrangeiros, porém neste momento deixa evidente que o governo brasileiro está atuando visando minimizar os impactos da crise, e, também era notório que a queda da arrecadação iria afetar diretamente a meta anterior de superávit primário.

 

O IGP-10 da FGV divulgado hoje com retração de 0,71% aprofunda o ritmo de baixa em relação ao mês antecedente, já que em março retrocedeu 0,31%. No ano a retração é de 1,33%, enquanto que nos últimos 12 meses acumula alta de 5,74%. O IPA acentuou a queda registrando 1,23% ante retração de 0,57% em março, porém o IPC afetado pelo grupo alimentação apresentou elevação de 0,59% após alta de 0,29% em março.

 

O IBGE anunciou que as vendas no varejo subiram 1,5% em fevereiro em relação a janeiro e 3,8% em relação a fevereiro de 2008. No 1º bimestre deste ano a alta é de 4,9% e em 12 meses as vendas cresceram 8,0%.

 

A BOVESPA opera em alta descolada da DOW, que opera em baixa embora o JPMorgan tenha anunciado lucro de US$ 2,1 Bi no 1º trimestre de 2009 e notícias de que a AIG está vendendo a sua divisão automobilística. O livro Bege divulgado ontem pelo FED revelou que a economia americana segue enfraquecendo, mas já dá alguns sinais de recuperação, porém o FED da Filadélfia anunciou que a atividade industrial na Filadélfia diminui o ritmo de contratação neste mês de abril.

 

As bolsas na Ásia e Europa operaram em alta.

 

Os “treasuries” de 10 anos apontavam rentabilidade de 2,812%. O petróleo estava sendo cotado a US$ 49,85 o barril na Nymex. O Euro vale US$ 1,3206. A Libra US$ 1,4909 e Yens 99,03 valem US$ 1,00.  

Sidnei Moura Nehme
Diretor Executivo, Economista
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Mercado de câmbio à vista e mercado futuro de dólar com baixíssimos volumes …

Mercado de câmbio à vista e mercado futuro de dólar com baixíssimos volumes provocaram ontem comportamento volátil da taxa cambial do dólar, determinando que a mesma sensibilizasse de imediato, num ambiente de estreita liquidez, qualquer movimento de oferta ou demanda presente.

 

Isto provocou variações de R$ 2,17 a um pouco acima de R$ 2,20, refletindo preponderantemente o movimento do mercado de câmbio à vista, que revelou giro no interbancário de irrisórios US$ 1,4 Bi, ao mesmo tempo em que o mercado futuro de dólar mantinha estáveis as suas posições.

 

Hoje, o quadro repete-se sinalizando, contudo menor volatilidade o que pode ser indicativo de menor volume ainda do que ontem, permitindo assim que a taxa consiga se sustentar ao nível de R$ 2,20.

 

Contudo, a tendência do preço do dólar continua sendo de depreciação e esta queda acentuada de volume pode ser indicativo de que os efetivos demandadores de “hedges” para proteger suas posições reais expostas em moeda estrangeira já vislumbram o preço da moeda americana num piso inferior e assim estão postergando suas intervenções no mercado futuro de dólar.

 

Temos demonstrado receio com uma eventual decisão do COPOM não sancionando um corte mínimo de 1,5% na taxa SELIC que poderia determinar movimento especulativo com arbitragens estimuladas pela atraente taxa de juro real brasileira frente às taxas de juros praticadas no restante do mundo. Hoje o jornal “Valor” reporta a notícia da Bloomberg News, de Londres, onde destaca que o “carry-trade” está vivendo uma volta triunfal, depois de seu maior período de retração das últimas 3 décadas. E destaca ainda que os planos de estímulo e as taxas de juros próximas de zero, vigentes nas economias desenvolvidas, estão impulsionando o grau de confiança dos investidores nos mercados emergentes.

 

Como podemos ver, a perspectiva de termos um novo ciclo de valorização do real decorrente de movimentos especulativos atrelados a arbitragens pode não estar distante, e estará tão mais perto quanto menor for o corte da taxa SELIC que o COPOM decidir.

 

O país não precisa de dólar valorizado ou desvalorizado neste momento como instrumento complementar de política monetária, visto que a inflação está aquietada pela perda de atividade econômica. O ideal para o país neste momento é uma taxa equilibrada, porém como já salientamos em inúmeras oportunidades, o real não é moeda vista pelos investidores estrangeiros como reserva de valor, mas tipicamente uma moeda para desenvolverem movimentos especulativos, já que o Brasil tem descompasso entre a taxa de juro que proporciona e o seu conceito de risco efetivo.

 

No nosso entendimento há um claro viés de baixa no preço do dólar, não havendo fundamentos que possam proporcionar-lhe suporte neste momento, a despeito da ocorrência de eventuais movimentos voláteis.

 

O mercado de juro na BM&F ajusta o DI janeiro para 9,63%, em queda, fortalecendo a probabilidade de um corte de 1,5% na SELIC na reunião do COPOM na semana próxima.

 

Ainda há dúvidas quanto à decisão do COPOM na reunião da próxima semana e estamos convivendo com uma crise internacional sem precedentes que não permite que se saiba se ainda estamos indo ao “fundo do poço” ou se já estamos saindo, havendo, contudo, sinais de que o Brasil poderá recuperar-se antes dos demais e já temos projeções de que esta recuperação da nossa economia já possa determinar elevação da SELIC em 2010. Evidentemente, é muita preciosidade fruto da criatividade brasileira, e nota-se que há uma grande dificuldade de imaginar-se o Brasil como um país melhor posicionado, enfim, maior e melhor convivendo com um juro menos selvagem e a caminho firme para o lado desenvolvido.

 

O CAGED (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) do Ministério do Trabalho divulgou que março registrou a criação de 34.818 vagas formais, porém é importante destacar-se que em torno de 27.000 vagas foram criadas pelo setor envolvido na colheita da cana que foi antecipada. No trimestre houve perda de 57.751 vagas.

 

A BOVESPA opera em baixa com movimento de realização de lucros, visto que em 2009 já acumula valorização de quase 30%, enquanto a grande maioria das bolsas mundiais acumula prejuízos.

 

No cenário externo as bolsas continuaram operando no negativo. As bolsas americanas operam com a DOW em alta e a NASDAQ e S&P em queda.

 

Os pedidos de hipoteca na última semana caíram 11%. A produção industrial americana em março caiu 1,5% atingindo o mais baixo nível desde dezembro de 1998. No 1º trimestre a queda foi de 20% (taxa anualizada) e em relação a março de 2008 registrou queda de 13%. O IPC Índice de Preços ao Consumidor caiu 0,1% em março, invertendo a direção registrada no mês antecedente. Nos últimos 12 meses até março o indicador teve deflação de 0,4%, primeira queda anual desde 1955.

 

Os “treasuries” de 10 anos apontam rentabilidade de 2,788%. O petróleo está sendo cotado a US$ 49,55 o barril na Nymex. O Euro está cotado a US$ 1,3179. A Libra US$ 1,4973 e Yens 99,40 valem US$ 1,00.

Sidnei Moura Nehme
Diretor Executivo, Economista
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