O BC interrompeu este mês a rolagem total das posições de “swaps” vincendos ao início do mês seguinte.
O BC interrompeu este mês a rolagem total das posições de “swaps” vincendos ao início do mês seguinte, no caso presente vincendo em 1º de abril rolou montante próximo de US$ 4,0 Bi do total de US$ 7,0 Bi, e isto cria um impacto de “compra” no mercado de dólar futuro, com reflexos no preço da moeda.
Neste mercado futuro está instalado um movimento especulativo de investidores estrangeiros que vem mantendo posições líquidas “compradas” acima de US$ 9,0, elevadas ontem para US$ 9,9 Bi, e que enfrentam dificuldades para zerá-las exatamente pela ausência de demanda de “hedge” ao nível atual do preço da moeda americana, o que torna muitíssimo baixa a liquidez. Assim, a decisão de não rolagem do BC vem de encontro no anseio dos especuladores, que encontrarão excelente oportunidade para zerar parte de suas posições.
Este fato pode sugerir que o BC deseja que a taxa do dólar se mantenha em torno de R$ 2,30. Nos parece improvável, mas o fato é que o dólar alto repercute sobre os seus estoques em moeda estrangeira e produz lucros que seriam reduzidos com um dólar mais baixo.
Avançando na análise, é possível que o BC após sondagem que determinou oferta para rolagem de 80.000 contratos, valor em torno de US$ 4,0 Bi, que colocou totalmente tenha percebido baixa demanda para a parcela restante vincenda, embora não tenha realizado uma nova sondagem com esta finalidade.
Se houve a percepção de que não haveria demanda, teria ficado evidente de que é cadente a projeção por parte, principalmente, dos bancos de que o dólar venha a sustentar preço acima de R$ 2,30, e o BC ficou sem opção e tornou-se efetiva a necessidade de liquidar o saldo restante ainda não rolado da posição vincenda.
Afora estes aspectos, é final do mês e isto sugere um esforço adicional dos “comprados” na BM&F em busca da elevação da PTax visando otimizar lucros acumulados em suas posições e isto se reflete no aumento da posição líquida comprada mantida pelos investidores estrangeiros que de quinta-feira para segunda-feira “forçando” um movimento artificializado de demanda e elevaram suas posições em quase 10%, passando do entorno de US$ 9,0 Bi para US$ 9,9 Bi.
Importante salientar que os bancos, com base nos dados divulgados pelo BC, já reverteram suas posições no mercado à vista de câmbio de “compradas” para “vendidas”.
Mixando estes fatos pode-se encontrar justificativa para a alta ocorrida no preço da moeda americana nos últimos 2 dias, mas embora os especuladores tenham uma oportunidade de realizar parte de seus ganhos com a não rolagem de posição vincenda parcial de “swaps” por parte do BC que não está sendo concedida pelo próprio mercado, a leitura que fica é que o sinal mais crível no momento é que a projeção do mercado é de dólar em queda e em razão disto tenha ocorrido a retração na demanda pela rolagem e não de que o BC tenha precipitado a não rolagem num momento ainda não adequado.
Como temos salientado com freqüência, a crise no mercado financeiro internacional impacta e continuará impactando repercutindo efeitos em nossa economia, mas no segmento cambial o país nunca esteve tão defendido de forma concreta como na atualidade, e mesmo os fluxos nesta área que haviam sido projetados de forma muito severas não estão se confirmando nos números apurados, perfeitamente suportáveis.
As projeções inflacionárias de inúmeras fontes, inclusive do Boletim FOCUS, vêm se alinhando com realidade que os números continuam confirmando no dia a dia, até com certa vantagem. O IGP-M de março com deflação de 0,74% ante projeção de deflação de 0,35% é o caso mais recente. Já não há dúvida de que o IPCA ficará abaixo da meta do governo e crescem as projeções de que a SELIC poderá ser reduzida de forma brusca sem causar reflexos preocupantes ao COPOM.
O governo vem agindo no estímulo ao crédito, fator importantíssimo para evitar uma retração da atividade econômica além do normal, e desonerando tributariamente alguns setores escolhidos e não de forma generalizada como seria desejável, impondo a outros o ônus compensatório, porém análises recentes confirmam que a compensação das desonerações ocorre de forma natural com o aumento de arrecadação de outros tributos que se beneficiam das recuperações setoriais.
O grande problema do Brasil é que o governo continua gastando muito e mal, de forma incompatível com os reflexos da crise internacional na nossa economia que determinam queda acentuada das suas arrecadações tributárias. O déficit primário de fevereiro anunciado pelo Tesouro Nacional, reflexo desta situação, atingiu R$ 926,2 Bi. No 1º bimestre do ano há um superávit fiscal é de R$ 3,049 Bi ante R$ 20,579 Bi, uma queda de 85%.
Este fato deixa evidente o “pouco espaço” que o governo tem para utilizar política fiscal neste ambiente de crise na sua atividade econômica, que, contudo, pode ser “aliviada” pela política monetária que, reduzindo a taxa SELIC, reduz o custeio da dívida.
A BOVESPA ainda não tem uma tendência definida, realiza ganhos neste ano, mas é muito dependente do comportamento dos preços das “commodities” e dos investidores estrangeiros. Hoje opera em alta repercutindo o comportamento das “commodities”.
As bolsas americanas operam em alta, renovando otimismo em relação aos “espólios” que restaram de grandes grupos americanos, porém não há sustentabilidade e nem fundamentos críveis no cenário atual.
Os “treasuries” de 10 anos indicam rentabilidade de 2,69%. O Euro vale US$ 1,3285. A Libra US$. 1,4351 e Yens 98,93 compram US$ 1,00. O petróleo está sendo cotado a US$. 48,70 o barril na Nymex.
Sidnei Moura Nehme
Diretor Executivo, Economista
NGO CORRETORA DE CÂMBIO

Comments(0)