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Archive for Março, 2009

O BC interrompeu este mês a rolagem total das posições de “swaps” vincendos ao início do mês seguinte.

O BC interrompeu este mês a rolagem total das posições de “swaps” vincendos ao início do mês seguinte, no caso presente vincendo em 1º de abril rolou montante próximo de US$ 4,0 Bi do total de US$ 7,0 Bi, e isto cria um impacto de “compra” no mercado de dólar futuro, com reflexos no preço da moeda.

 

Neste mercado futuro está instalado um movimento especulativo de investidores estrangeiros que vem mantendo posições líquidas “compradas” acima de US$ 9,0, elevadas ontem para US$ 9,9 Bi, e que enfrentam dificuldades para zerá-las exatamente pela ausência de demanda de “hedge” ao nível atual do preço da moeda americana, o que torna muitíssimo baixa a liquidez. Assim, a decisão de não rolagem do BC vem de encontro no anseio dos especuladores, que encontrarão excelente oportunidade para zerar parte de suas posições.

 

Este fato pode sugerir que o BC deseja que a taxa do dólar se mantenha em torno de R$ 2,30. Nos parece improvável, mas o fato é que o dólar alto repercute sobre os seus estoques em moeda estrangeira e produz lucros que seriam reduzidos com um dólar mais baixo.

 

Avançando na análise, é possível que o BC após sondagem que determinou oferta para rolagem de 80.000 contratos, valor em torno de US$ 4,0 Bi, que colocou totalmente tenha percebido baixa demanda para a parcela restante vincenda, embora não tenha realizado uma nova sondagem com esta finalidade.

 

Se houve a percepção de que não haveria demanda, teria ficado evidente de que é cadente a projeção por parte, principalmente, dos bancos de que o dólar venha a sustentar preço acima de R$ 2,30, e o BC ficou sem opção e tornou-se efetiva a necessidade de liquidar o saldo restante ainda não rolado da posição vincenda.

 

Afora estes aspectos, é final do mês e isto sugere um esforço adicional dos “comprados” na BM&F em busca da elevação da PTax visando otimizar lucros acumulados em suas posições e isto se reflete no aumento da posição líquida comprada mantida pelos investidores estrangeiros que de quinta-feira para segunda-feira “forçando” um movimento artificializado de demanda e elevaram suas posições em quase 10%, passando do entorno de US$ 9,0 Bi para US$ 9,9 Bi.

 

Importante salientar que os bancos, com base nos dados divulgados pelo BC, já reverteram suas posições no mercado à vista de câmbio de “compradas” para “vendidas”.

 

Mixando estes fatos pode-se encontrar justificativa para a alta ocorrida no preço da moeda americana nos últimos 2 dias, mas embora os especuladores tenham uma oportunidade de realizar parte de seus ganhos com a não rolagem de posição vincenda parcial de “swaps” por parte do BC que não está sendo concedida pelo próprio mercado, a leitura que fica é que o sinal mais crível no momento é que a projeção do mercado é de dólar em queda e em razão disto tenha ocorrido a retração na demanda pela rolagem e não de que o BC tenha precipitado a não rolagem num momento ainda não adequado.

 

Como temos salientado com freqüência, a crise no mercado financeiro internacional impacta e continuará impactando repercutindo efeitos em nossa economia, mas no segmento cambial o país nunca esteve tão defendido de forma concreta como na atualidade, e mesmo os fluxos nesta área que haviam sido projetados de forma muito severas não estão se confirmando nos números apurados, perfeitamente suportáveis.

 

As projeções inflacionárias de inúmeras fontes, inclusive do Boletim FOCUS, vêm se alinhando com realidade que os números continuam confirmando no dia a dia, até com certa vantagem. O IGP-M de março com deflação de 0,74% ante projeção de deflação de 0,35% é o caso mais recente. Já não há dúvida de que o IPCA ficará abaixo da meta do governo e crescem as projeções de que a SELIC poderá ser reduzida de forma brusca sem causar reflexos preocupantes ao COPOM.

 

O governo vem agindo no estímulo ao crédito, fator importantíssimo para evitar uma retração da atividade econômica além do normal, e desonerando tributariamente alguns setores escolhidos e não de forma generalizada como seria desejável, impondo a outros o ônus compensatório, porém análises recentes confirmam que a compensação das desonerações ocorre de forma natural com o aumento de arrecadação de outros tributos que se beneficiam das recuperações setoriais.

 

O grande problema do Brasil é que o governo continua gastando muito e mal, de forma incompatível com os reflexos da crise internacional na nossa economia que determinam queda acentuada das suas arrecadações tributárias. O déficit primário de fevereiro anunciado pelo Tesouro Nacional, reflexo desta situação, atingiu R$ 926,2 Bi. No 1º bimestre do ano há um superávit fiscal é de R$ 3,049 Bi ante R$ 20,579 Bi, uma queda de 85%.

 

Este fato deixa evidente o “pouco espaço” que o governo tem para utilizar política fiscal neste ambiente de crise na sua atividade econômica, que, contudo, pode ser “aliviada” pela política monetária que, reduzindo a taxa SELIC, reduz o custeio da dívida. 

 

A BOVESPA ainda não tem uma tendência definida, realiza ganhos neste ano, mas é muito dependente do comportamento dos preços das “commodities” e dos investidores estrangeiros. Hoje opera em alta repercutindo o comportamento das “commodities”.

 

As bolsas americanas operam em alta, renovando otimismo em relação aos “espólios” que restaram de grandes grupos americanos, porém não há sustentabilidade e nem fundamentos críveis no cenário atual.

 

Os “treasuries” de 10 anos indicam rentabilidade de 2,69%. O Euro vale US$ 1,3285. A Libra US$. 1,4351 e Yens 98,93 compram US$ 1,00. O petróleo está sendo cotado a US$. 48,70 o barril na Nymex.

 

Sidnei Moura Nehme

Diretor Executivo, Economista
NGO CORRETORA DE CÂMBIO

www.ngo.com.br

O Banco Central do Brasil realizou com sucesso ontem a rolagem ofertada de 80.000 contratos de “swap” cambial .

O Banco Central do Brasil realizou com sucesso ontem a rolagem ofertada de 80.000 contratos de “swap” cambial da posição vincenda de 140.000 contratos no início de abril.

 

Contudo, o BC ao não anunciar a rolagem dos restantes 60.000 contratos hoje, equivalentes a US$ 3,0 Bi, restabeleceu um certo ânimo aos investidores estrangeiros posicionados especulativamente “comprados” no mercado de dólar futuro na BM&F, que retomaram a perspectiva da  possibilidade da autoridade monetária não rolar este saldo e assim tornar-se “comprador” no mercado de dólar futuro, o que lhes traria grande oportunidade para zerar parte das posições  compradas naquele mercado, mantidas nos últimos dias inalteradas em US$ 9,0 Bi liquidamente, mantendo bom nível de ganhos acumulados.

 

Valendo-se deste “hiato” articulam hoje um movimento que provoca alta no preço da moeda americana, absolutamente desprovida de fundamentos e com ampla fragilidade, mas isto se torna possível dada à baixa liquidez no mercado de dólar futuro e baixo volume negociado no mercado à vista.

 

Acreditamos que o BC promoverá a rolagem do montante restante da posição vincenda ao início de abril, porém deve fazê-lo na segunda-feira, não sendo razoável imaginar-se que deixará de fazê-lo, visto ainda não ser tecnicamente o momento adequado.

 

Estudo da Consultoria Economática aponta que o real liderava até a última quarta-feira as perdas entre as principais moedas da América Latina, porém esta é uma conclusão pura e simplesmente baseada em números, desconsiderando que o Brasil, que lidera, e o México, que o secunda, tiveram forte movimento especulativo nos mercados de derivativos e já vinham de movimento especulativo inverso anterior, o que conspira contra a realidade.

 

Merece consideração a revisão de projeções da Confederação Nacional da Indústria (CNI) para baixo para este ano de 2009 em relação a anterior emitida em dezembro de 2008.  Reviu o PIB de 2,4% para zero, ou seja, estagnação. O PIB industrial foi revisto para retração de 2,8% ante expansão de 1,8% anterior. No quesito consumo das famílias antevê uma queda de 0,9% após ter projetado alta de 3,0%. A mudança mais brusca de direção foi na projeção de Formação Bruta de Capital Fixo que mede os investimentos das empresas, principalmente em máquinas e equipamentos. A projeção de dezembro apontava crescimento de 3,0% e foi revista para queda de 4,4%. Projeta uma taxa de desemprego de 9,1% para o final deste ano, elevando-a de 8,2%. Quanto ao IPCA reduz a projeção de 4,8% para 4,2% e a taxa SELIC também é reduzida de 11,25% aa para 9,0% aa.

 

O BC divulgou inúmeras medidas de apoio às instituições de menor porte visando o incremento do crédito e agregando garantia aos seus papéis, e, também anunciou que os juros bancários de pessoas físicas já recuam ao nível pré-crise, mas analisando-se mais detidamente este aspecto é perceptível que a qualidade da demanda de crédito piorou muito já que aumentou a utilização dos cheques especiais e cartões de crédito, tradicionalmente utilizados antes da entrada em inadimplência.

 

No Brasil, notícias ruins envolvendo os resultados da Embraer, Aracruz, etc. e queda nas “commodities” quebram o ânimo da BOVESPA que opera em baixa.

 

Nos Estados Unidos foi anunciada que a confiança do consumidor ficou acima do esperado em março, medida pela Universidade de Michigan, ao apontar 57,3 pontos ante 56,8 pontos em fevereiro.

 

A renda dos americanos caiu em fevereiro 0,2% ante projeção de 0,1%, já os gastos cresceram 0,2% em linha com as expectativas.

 

O PCE (Personal Consumption Expenditures), um dos mais observados pelo FED, registrou variação positiva de 0,2% no seu núcleo em fevereiro, segunda alta após dois meses seguidos de variação nula, tendo registrado variação positiva de 0,1% em janeiro.

 

As bolsas americanas operam em baixa, repercutem resultados corporativos desapontadores e o comportamento dos preços da “commodities” e, a rigor, ainda não há fundamentos críveis para que possa sustentar um movimento recuperatório. A volatilidade é constante e no ambiente predominante pode ser considerada normal.

 

Os “treasuries” de 10 anos apontam rentabilidade de 2,732%.Os mercados interpretaram, ontem, negativamente a fraca procura pelas notas em leilão de títulos com vencimentos entre fevereiro de 2016 e 2019, entendendo que o baixo interesse dos investidores pode ser sinal de excesso de notas no mercado, um problema de suprimento demasiado.

 

O petróleo está sendo cotado a US$ 51,90 o barril na Nymex. O Euro vale US$ 1,3292. A Libra US$ 1,4333 e Yens 98,02 compram US$ 1,00.

Sidnei Moura Nehme
Diretor Executivo, Economista
NGO CORRETORA DE CÂMBIO
www.ngo.com.br

Os investidores estrangeiros que estão especulando no mercado de dólar futuro na BM&F e que …

Os investidores estrangeiros que estão especulando no mercado de dólar futuro na BM&F e que vêem mantendo suas posições líquidas “compradas” em torno de US$ 9,0 Bi nos últimos dias, desenvolvendo “esforços” para manter a taxa cambial no piso entre R$ 2,24 e R$ 2,25, sem condições de impor novos movimentos de elevação deste preço ante a notória tendência de queda do preço, tiveram frustradas suas expectativas de que o BC pudesse não rolar a posição de US$ 7,0 Bi de “swaps” vincenda no início do mês de abril e assim, tornar-se “comprador” no mercado de dólar futuro e possibilitar a zeragem quase absoluta de suas posições, sem ter que amargar mais perdas das margens de lucro contidas nas posições detidas, na trajetória que desenvolvem de desmonte das mesmas.

 

Como vínhamos apontando este é um jogo de estratégias e o BC estava observando o comportamento da taxa cambial para definir sua decisão sobre a posição vincenda. Não se consumando a queda acentuada possível, visto que os especuladores, ante a expectativa, interromperam a dinâmica de desmonte das operações compradas no mercado de dólar futuro e assim conseguiram pelo menos evitar que o preço caísse mais. O BC, contudo, decidiu manter a rolagem, fazendo hoje uma oferta de US$ 4,0 Bi, e assim fragiliza ainda mais a posição especulativa dos investidores estrangeiros remanescentes na BM&F.

 

Adicionalmente de forma precisa, adotou (Circular 3.444) nova estratégia de liquidez em linhas externas para os bancos autorizados a operar em câmbio, agregando agora a modalidade de leilões de dólares com livre aplicação que poderão ser utilizadas a critério do banco tomador da linha externa, com sistemática idêntica a que vigora para os ACC´s/ACE´s, mas que poderão ser utilizadas “sem carimbo prévio” para financiar exportações, importações, pagamento de dívidas diversas, próprias ou de terceiros, e para viabilizar empréstimos ou repasses sob a égide da Resolução 2.770, entre outros.

 

Neste cenário que fragiliza cada vez mais a especulação contra o real, agrega-se o fluxo cambial apurado até o dia 20 de março evidenciando uma melhora em relação ao apurado até o dia 13 de março, reduzindo o déficit de US$ 2,186 Bi para US$. 1,910 Bi, com melhora no fluxo financeiro que foi positivo na semana de 13 a 20 de março.

 

Fortalece-se assim a nossa projeção de que em abril teremos o preço da moeda americana no entorno de R$ 2,10, após alguma resistência na faixa logo abaixo de R$ 2,20, pois acreditamos que há uma demanda reprimida de “hedge” efetivo e não especulativo no piso abaixo deste preço, assim como também há importações residuais do ano passado aguardando para serem pagas ao exterior a preços mais equânimes com a realidade brasileira.

 

Porém, deve ocorrer volatilidade mais acentuada face a resistência dos especuladores ante a tendência.

 

O fluxo cambial negativo de janeiro a 20 de março atinge US$ 4,086 Bi, mas não é preocupante visto que não foram consolidadas rolagens de grande parte das operações de empréstimos de empresas brasileiras que venceram no período e acabaram sendo liquidadas, o que na contra-ponta reduz o passivo externo do país.

 

O BC não realiza leilões de dólares líquidos no mercado de câmbio à vista, que efetivamente impactam reduzindo as reservas cambiais, desde 3 de fevereiro passado, o que deixa evidente que não há pressões.

 

Pelos dados divulgados de déficit do fluxo até o dia 20 de US$ 1,910 Bi e o a posição comprada dos bancos no final de fevereiro informada também pelo BC de US$. 953,6 MM, conclui-se que os bancos estão com posições vendidas no total de US$. 956,4 MM, e a esta deve ter tendência de ampliação, já que os bancos, também, pelo posicionamento acreditam que a taxa cambial continuará em sua rota de queda.

 

Os dados inflacionários recentes, em especial o IPCA-15 de ontem, reconduzem o mercado de juros a um viés para baixo com alguma volatilidade, mas de toda forma aumentando a convicção de que o COPOM venha a sancionar novo corte na SELIC de 1,5% na reunião de abril.

 

O IBGE divulgou que o desemprego em fevereiro evoluiu para 8,5% após 8,2% em janeiro, mas ainda assim melhor do que a apurada no mesmo mês de 2008 que foi de 8,7%.

 

A FGV divulgou o ICC (Índice de Confiança do Consumidor) de março com o menor nível na série iniciada em setembro de 2005, caindo de 94,9 pontos para 94,2 pontos, detectando menor propensão ao consumo de bens duráveis.

 

Hoje ocorre a reunião mensal do Conselho Monetário Nacional e há expectativa em torno de medidas focando a redução dos “spreads” bancários.

 

As “commodities” agrícolas e metálicas repercutem melhora nos preços com os sinais de recuperação da atividade na China anunciada pelas autoridades chinesas, e isto faz com que a BOVESPA mantenha o otimismo e opere em alta na abertura.

 

Nos Estados Unidos foi anunciado que a retração do PIB no 4º trimestre do ano foi revisto para 6,3% após avaliação preliminar indicando 6,2%, porém as projeções estavam em torno de 6,6%.

 

O número de pedidos de seguro-desemprego atingiram 652 mil na semana passada, ante expectativa de 650 mil e 644 mil apurados na semana antecedente. No total há 5,560 MM de americanos recebendo seguro desemprego até a semana passada.

 

As bolsas americanas abrem em alta buscando otimismo nos dados econômicos mais recentes e até no fato da queda do PIB do 4º trimestre ter vindo abaixo das projeções, porém o FED, através do Presidente regional do FED de Atlanta, salientou que os dados econômicos melhores não indicam ainda uma recuperação, acrescentando que a recessão nos Estados Unidos ainda vai persistir por alguns meses.

 

Os “treasuries” de 10 anos apontam rentabilidade de 2,815% aa. O petróleo é cotado a US$ 52,77 o barril na Nymex. O Euro vale US$ 1,3590. A Libra US$ 1,4572 e Yens 98,25 valem US$ 1,00.

Sidnei Moura Nehme
Diretor Executivo, Economista
NGO CORRETORA DE CÂMBIO
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A moeda americana já não consegue sustentar preço no cenário predominante no nosso mercado.

A moeda americana já não consegue sustentar preço no cenário predominante no nosso mercado, sendo a evidência maior de que está ainda absolutamente fora do ponto, o fato de que mesmo com o fluxo cambial negativo a curva do preço continua cadente, deixando evidente que este fato não pressiona o preço, visto que o país detém neste quesito situação bastante defendida com suas reservas cambiais e fluxos não preocupantes.

 

As projeções que havíamos indicado logo ao início do ano confirmam-se com a tendência de queda das importações mais intensa do que as exportações; queda das remessas de lucros e dividendos e de despesas de viagens.

 

O BC tem adequadamente utilizado as reservas cambiais e não houve necessidade de sua intervenção com leilões no mercado à vista desde 3 de fevereiro, e,  os fluxos da balança comercial, investimentos estrangeiros e déficit em contas correntes estão indicando resultados acima das projeções, e, a resultante negativa do fluxo indica liquidações de empréstimos de empresas não rolados por decisão das mesmas e não por falta de condições de viabilização.

 

A tendência de queda do preço    não permite sequer que os investidores estrangeiros no mercado de dólar futuro na BM&F realizem movimentos sustentáveis visando manter o preço artificializado, e este fato vem impedindo  que  reduzam suas posições compradas nos últimos dias, mantidas liquidamente em US$ 9,0 Bi, pois se fizerem qualquer movimento neste sentido a taxa cambial vai “derreter” rapidamente.

 

Acreditamos que não há estratégia alternativa para estes investidores estrangeiros ainda em posição especulativa na BM&F e assim, proximamente, vão acabar decidindo “perder” parte dos lucros acumulados nas suas posições e zerar a quase totalidade destas posições, pois como já temos salientado, abaixo de R$ 2,20 certamente haverá demanda efetiva por “hedge”. No nosso entender a moeda americana tende ao preço de R$ 2,10 no mês de abril.

 

No cenário inflacionário, o IPCA-15 divulgado hoje pelo IBGE, prévia do IPCA do mês, revelou o menor índice desde o final de 2006, apontando alta de tão somente 0,11% após ter registrado 0,63% em fevereiro. A projeção média dos analistas apontava 0,27%, o que demonstra que a inflação repercute com retração mais intensa do que o esperado os efeitos da retração da atividade econômica no país. Amplia-se, portanto, a possibilidade para um corte de 1,5% na Selic na próxima reunião do COPOM.

 

A BOVESPA apurou um fluxo positivo de ingressos de investidores estrangeiros de R$ 906,0 MM até o último dia 20, valendo salientar que até o dia 6 o saldo era negativo em R$ 1,17 Bi.

 

O BC divulgou ontem Nota à Imprensa sobre o Setor Externo. O balanço de pagamentos registrou superávit de US$ 113,0 MM em fevereiro. O BC reduziu a previsão para os investimentos estrangeiros no setor produtivo de US$ 30,0 Bi para US$ 25,0 Bi e revelou que no 1o bimestre deste ano entraram no país US$ 3,898 Bi, montante 32% menor do que o registrado no mesmo período de 2008. Os investimentos estrangeiros diretos ajudaram a financiar o déficit em contas correntes que apresentou em fevereiro US$ 591,0 MM. No 1o bimestre o déficit em contas correntes acumula US$. 3,344 Bi. O BC reduziu a previsão de déficit em contas correntes para o ano de US$ 25,0 Bi para US$ 16,0 Bi e elevou a previsão para o saldo positivo da balança comercial de US$ 14,0 Bi para US$ 17,0 Bi. O BC foi severo no aumento de previsão de saída de recursos do país aplicados em ações elevando a projeção de US$ 3,0 Bi para US$ 10,0 Bi.

 

No cenário externo ainda há muitas incertezas quanto à viabilização do novo plano americano de “limpeza” dos papéis tóxicos das carteiras das instituições bancárias, antevendo-se dificuldades na negociação sobre os preços e ainda sobre as repercussões tardias que podem revelar que algumas instituições estejam efetivamente inviabilizadas ou mesmo impondo a revisão das efetivas perdas face aos preços dos ativos definidos pelo mercado.

 

Após o euforismo e a volatilidade do dia seguinte, as bolsas americanas hoje repercutem os dados da economia americana que sinalizam que as vendas de casas novas cresceram 4,7% em fevereiro; a demanda por bens duráveis cresceu também em fevereiro 3,4% ante projeção dos especialistas de crescimento de 1,2%; os refinanciamentos de hipotecas cresceram 41,5% na semana passada; o FED deu início à compra de bônus de longo prazo dentro do programa que pode atingir a cifra de US$ 300,0 Bi e mais a fala do Presidente Obama ontem, operando em alta.

 

São sinais positivos, porém ainda frágeis, e que não revelam tendência, não havendo fundamentos críveis que possam indicar que a economia americana consiga sinais sustentáveis de recuperação ainda neste ano de 2009, pois o saneamento do setor financeiro, que é básico para buscar-se a recomposição dos fluxos de crédito, não será tão facilmente alcançável como o euforismo do dia do anúncio do plano de “limpeza” dos papéis tóxicos das carteiras dos bancos buscou sugerir.

 

O petróleo está sendo cotado a US$ 53,79 o barril na Nymex. O Euro vale US$ 1,3561. A Libra US$ 1,4726 e Yens 98,22 compram US$ 1,00. Os “treasuries” de 10 anos apontam rentabilidade de 2,737%. 

Sidnei Moura Nehme

Diretor Executivo, Economista
NGO CORRETORA DE CÂMBIO

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Certamente a euforia foi muito acima do razoável e é notória a presença forte de especuladores no mercado financeiro mundial.

Certamente a euforia foi muito acima do razoável e é notória a presença forte de especuladores no mercado financeiro mundial realizando enormes lucros no ambiente predominante de crise, para a qual não há soluções de curto prazo e requer muito empenho globalizado e que não permite que se nutra expectativas de que existam “soluções mágicas” para a superação.

 

A reação dos mercados financeiros com o anúncio do novo plano americano ontem, ainda hoje nos mercados asiáticos, ultrapassou em muito o bom senso operacional, e embora aponte para uma solução viável a médio prazo, trará ainda repercussões negativas sobre as instituições financeiras acopladas ao alívio da retirada de papéis tóxicos de suas carteiras.

 

O grande desafio e entrave para a agilização do plano americano é a negociabilidade dos papéis entre detentores e interessados. A definição dos preços deve ensejar fortes disputas entre as partes que se envolverão e este é o grande problema ainda não destacado, aparentemente as análises têm sido muito superficiais como “se tudo estivesse resolvido”, e, deverão ocorrer muitas dificuldades para a fixação dos preços e, como conseqüência, poderão ocorrer registros de novos prejuízos nas carteiras de ativos dos bancos, até mesmo daqueles que já estavam sinalizando lucros.

 

Hoje, como sempre, depois de tanta euforia misturar-se-á um movimento de realização de lucros, pois a recuperação imediata não é crível e surgirão as novas avaliações realizadas com maior acurácia a respeito do plano no curto prazo e no médio/longo prazo.

 

O mercado futuro das bolsas americanas já sinaliza abertura negativa e a Europa opera com comportamentos não alinhados das bolsas.

 

Há expectativa em relação à entrevista coletiva que o Presidente Obama concederá hoje, mas por melhor que sejam os propósitos, não há soluções de curto prazo e está absolutamente fora do contexto prever-se recuperação da economia americana neste 2009.

 

A China acentua a manifestação pública de preocupações em relação aos Estados Unidos, do qual é o maior financiador, e reforçando as declarações do seu Primeiro Ministro dias atrás, propor no site do seu Banco Central a criação de uma “moeda de reserva internacional estável” para substituir o dólar, por considerar que a crise financeira exige “uma reforma criativa do sistema monetário internacional.

 

A nossa BOVESPA que foi no “vácuo” da euforia externa e subiu forte ontem, certamente deve passar por um movimento de realização de lucros. Ainda não será desta vez que teremos o início do “boom” sustentável de alta da bolsa brasileira, que, contudo, reúne condições atrativas com seus papéis com preços baixos, mas que, por outro lado, é carente da presença dos investidores externos para elevar seus volumes.

 

No mercado de câmbio o cenário não se modifica, embora se busque identificar sinergia com o comportamento externo com os movimentos que o preço da moeda americana revela que, em realidade o cenário externo serve de “pano de fundo” para os especuladores ainda presentes no mercado de câmbio futuro, mas nem mesmo as turbulências ou euforias no cenário financeiro internacional conseguem provocar reações na formação do preço, que está claramente com um viés de baixa.

 

Volatilidade é constante decorrente do confronto entre a tendência de queda do preço e o movimento de resistência dos especuladores que estão almejando desmontar suas posições compradas no mercado futuro de dólar na BM&F em condições que lhes permita preservar o maior ganho possível na trajetória de zeragem.

 

Ontem, mais uma vez, os investidores estrangeiros em posição especulativa no mercado de dólar futuro na BM&F mantiveram as posições líquidas em torno de US$ 9,0 Bi e já não conseguiram segurar o preço da moeda americana que fechou em R$ 2,246.

 

Hoje, antes mesmo que os negócios tivessem efetivo início, a moeda americana sofreu uma “puxada” absolutamente artificial elevando o preço a R$ 2,2650, o que é sinal de que poderão tentar reduzir mais um pouco as suas posições compradas, pois sabem que reiniciado o movimento de desmonte o preço da moeda americana cederá.

 

Este comportamento do perfil do preço da moeda americana tem sido repetitivo, porém com queda gradual ao longo das semanas, e acreditamos que cada vez mais fica difícil a sustentação do preço. Como temos salientado, abaixo do piso de R$ 2,20 deve crescer a demanda real do mercado por “hedge”, mas para tanto é necessário que os especuladores se convençam que devem ceder pelo menos mais 3,0% dos lucros acumulados.

 

O BC por sua vez mantém em “suspense” a sua decisão de rolagem ou não da posição vincenda de US$ 7,0 Bi de “swaps” ao início de abril. Certamente a não antecipação decorre do fato de que percebeu que antecipando a rolagem acabava por “oxigenar”  o mercado de dólar futuro que está com baixíssima liquidez e assim podem permitir por um curto período o aproveitamento da liquidez temporária pelos especuladores para ativar o giro que lhes permite sustentar ou até impor alta ao preço da moeda.

 

Por outro lado, acreditamos que também trabalha com a perspectiva de que o dólar possa recuar rapidamente na medida em que os especuladores no mercado de dólar futuro decidam zerar suas posições. Assim, se ocorrer uma queda brusca do preço da moeda americana a tendência seria não realizar a rolagem, porém se isto não acontecer continuará rolando a posição vincenda para não tornar-se “comprador” no mercado futuro de dólar, que é exatamente o que os especuladores estão precisando para zerar suas posições.

 

Este é um jogo de estratégias no mercado de câmbio, e, é natural que não se facilite para os especuladores.

 

Ontem foi anunciado o superávit da balança comercial na 3a semana no montante de US$ 619,0 MM superior ao da semana anterior que foi de US$ 198,0 MM. No acumulado do mês de março o superávit acumula US$ 1,04 Bi e no ano acumula US$ 2,28 Bi ligeiramente abaixo do resultado no mesmo período de 2008 que ficou em US$ 2,32 Bi.

 

Hoje foi anunciado que o déficit em contas correntes do país registrou US$ 591,0 MM em fevereiro e os Investimentos Estrangeiros Diretos (IED´s) somaram US$ 1,96 Bi. 

Sidnei Moura Nehme
Diretor Executivo, Economista
NGO Corretora de Câmbio Ltda.
www.ngo.com.br

O BOLETIM FOCUS em sua edição de 20 de março divulgado hoje pelo BC…

O BOLETIM FOCUS em sua edição de 20 de março divulgado hoje pelo BC contém alterações relevantes sobre as projeções medianas de 100 instituições bancárias sobre as perspectivas para a economia brasileira.

 

Revê a projeção do IPCA para os próximos 12 meses de 4,34% para 4,26% e para este ano de 2009 de 4,52% para 4,42%, colocando-o abaixo da meta do governo, mantendo, porém inalterada a indicação para 2010 em 4,50%. Ao mesmo tempo revê também para baixo as projeções para os próximos 12 meses e para este ano do IGP-DI, IGP-M e IPC-FIPE. Com o crescimento do PIB praticamente zero que projeta, o IPCA deveria ter uma projeção cedendo mais acentuadamente, provavelmente 4,0% ou até abaixo.

 

Mantém inalterada a projeção para o dólar de final do ano de 2009 e também para o final de 2010 em R$ 2,30. Esta projeção, no nosso entender, é bastante frágil, principalmente no que diz respeito a 2010.

 

Revê com rigor e realismo a projeção da SELIC para final do ano reduzindo-a de 9,75% para 9,25%, após algumas sinalizações de analistas de que possa vir a situar-se abaixo de 9,0%, porém este fato fortalece a perspectiva de um novo corte de 1,5% na próxima reunião do COPOM.

 

Rigorosamente impõe revisão à projeção do PIB para 2009 de crescimento 0,59% para 0,01%, praticamente definindo perspectiva de estagnação para a economia brasileira, não se descartando que possa vir a alterar para recessão nas próximas avaliações. Afasta-se assim, ainda mais, da projeção revisada do governo que é de crescimento de 2,0%. Aumenta também a projeção da queda da produção industrial de 1,59% para 2,0%, o que parece pouco em linha com a projeção apontada para o crescimento do PIB em 2009.

 

Projeções muito severas de queda do PIB, num país que revelava que o seu consumo interno representava 60% do mesmo, acabam por induzir retração na atividade industrial mais acentuada do que normalmente seria esperado. Assim, a perspectiva ruim acaba por tornar mais ruim ainda a resultante final, e o Brasil, entre tantos países afetados pela crise, era um dos que tinham melhor perfil para sustentar um crescimento positivo do PIB em 2009.

 

Quanto à balança comercial e os IED´s manteve estável as projeções em US$ 13,0 e US$ 22,0 respectivamente.

 

Foi divulgado também o IPC-S da semana passada pela FGV evidenciando uma ligeira alta para 0,46% após 0,37% na semana antecedente, evidenciando uma aceleração do grupo alimentação, principalmente frutas e hortaliças afetadas pelo clima.

 

Aguarda-se a divulgação do IPCA-15 na quarta-feira.

 

Nos Estados Unidos anunciaram plano para retirar do sistema bancário americano até US$. 1,0 Trilhão de “ativos podres”, numa ação conjunta do Tesouro americano, contando ainda com a participação do Federal Reserve e do FDIC, entidade responsável pela garantia dos depósitos bancários nos Estados Unidos, bem como de investidores privados.

 

Há a complexidade implícita do estabelecimento dos preços de referência destes ativos, que parece ser também um dos objetivos do plano, e este é um dos fatores que pode impactar retardando o desenvolvimento do plano, visto que não é tarefa fácil para consenso definir preços dos papéis. Quem quer comprar acha que vale pouco, quem os detém acha que valem mais.

 

Contudo, como se tornou usual ocorrer, as repercussões a nível mundial extrapolam o razoável e provocam fortes altas nas bolsas de valores que repercutem o fato principalmente impondo forte valorização aos preços das ações de empresas do sistema financeiro.

 

A nossa BOVESPA alinha-se a este clima de bom humor e as ações de bancos brasileiros que não têm problemas, e nada a ver com o quadro americano, valorizam-se, o que sugere que proximamente possamos ter movimento de realização de lucros. Movimentos como este não agregam sustentabilidade aos preços e nem sinalizam tendência.

 

Foi divulgado hoje também que nos Estados Unidos as vendas de casas usadas ficaram acima do esperado em fevereiro atingindo anualizadas o total de 4,72 milhões ante estimativa de 4,45 milhões do mercado.

 

No nosso mercado de câmbio o viés evidenciando que a tendência de queda do preço da moeda americana continua presente e se fortalece na medida em que o cenário externo melhora e fragiliza a especulação contra a moeda brasileira. Na última sexta-feira os investidores estrangeiros no mercado de dólar futuro da BM&F mantiveram praticamente inalterada suas posições líquidas em torno de US$ 9,0 Bi, porém certamente a postura continua a ser de desmonte destas posições e realização dos lucros acumulados.

 

Ocorre uma natural resistência dos especuladores no sentido de evitar uma queda mais rápida que reduziria seus ganhos e isto provoca volatilidade, porém acreditamos que ao momento em que a taxa cambial seja conduzida a preço abaixo de R$ 2,20, surgirão interessados em “hedge” e isto facilitará a zeragem destas posições especulativas e o preço do dólar tenderá a preço adequado à realidade presente.

 

A volatilidade deverá ter continuidade face a este quadro, enquanto os bancos que estão com suas posições no mercado à vista “vendidas” atuam de forma oportunística ampliando-as com a convicção de que num curto espaço de tempo poderão recompô-las adquirindo dólares a preços mais baixos.

 

Sidnei Moura Nehme
Diretor Executivo, Economista

NGO CORRETORA DE CÂMBIO

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Um giro expressivo de US$ 6,0 Bi no interbancário do mercado à vista de câmbio….

Um giro expressivo de US$ 6,0 Bi no interbancário do mercado à vista de câmbio, ocorrido ontem, deixou evidente o enorme esforço desenvolvido pelos “players” para evitar a progressão da tendência de queda do preço da moeda americana que se fortalece e se evidencia com os consistentes indícios de que o preço está perdendo o suporte.

 

Esta tendência efetiva inviabilizou que os investidores estrangeiros em posição “comprada” especulativa na BM&F, que em valores líquidos está em torno de US$ 10,5 Bi, continuassem buscando desmontá-las, evitando assim que o preço da moeda americana tivesse uma expressiva queda no dia de ontem.

 

Hoje ocorre a volatilidade que é típica e decorrente da tendência de queda presente e a atuação dos especuladores buscando contrapor-se a esta situação presente, porém entendemos que fica cada vez mais difícil evitar a contração da taxa cambial que a conduzirá aos parâmetros entre R$ 2,00 e R$ 2,10.

 

O cenário macroeconômico brasileiro não proporciona fundamentos para que se aposte em crise cambial no país e nem contra o real. Nesta crise, temos um Brasil diferente, muito diferente, na área cambial. O país detém reservas cambiais e fluxos de moeda estrangeira repercutindo, tanto no comercial, quanto no financeiro, reduções de volumes, mas não preocupantes e sem oferecer preocupações quanto a eventuais desequilíbrios expressivos. Além disto existem fundamentos que ainda referendam o país como de baixo risco dentro desta crise internacional de grande dimensão.

 

Este cenário evita que o BC/COPOM tenha fatores condicionantes de redução da taxa SELIC, até porque, mesmo que seja reduzida para abaixo de 9,0%, ainda resultará uma taxa de juro real atraente ao investidor estrangeiro face às taxas de juros nas principais praças do mundo estarem negativas. Cresce também de forma consistente a percepção de que a inflação é tendente a ficar abaixo da meta do governo ao final do ano.

 

O problema central do país está no crédito, principalmente, já que o crédito global tende a demorar algum tempo para ser retomado. Inegavelmente, o BC vem suprindo com reduções de compulsórios dos bancos e reversão das reservas cambiais na forma de linhas de crédito em moeda estrangeira para atender as demandas imediatas, porém a fluidez do crédito depende da redução das incertezas quanto ao nível de atividade da economia, que sofreu retração maior do que as expectativas.

 

Acreditamos que o ajuste da taxa cambial no Brasil deva ocorrer no curto prazo, ao início do 2o trimestre, mais rápido se os investidores estrangeiros especuladores reduzirem já suas posições na BM&F ou mais lenta mesma que busquem resistir na postura especulativa, com a tendência de queda tornando-se mais forte do que a ponta da especulação.

 

No mercado de juros acentuam os sinais na BM&F indicando a perspectiva de que a queda da SELIC é efetiva, independente do que esteja contido na Ata da reunião do COPOM que será divulgada nesta quinta-feira próxima. O DI para janeiro de 2010 está apontando 9,95% e a tendência é que continue em queda gradual.

 

A FIPE divulgou o IPC da segunda quadrissemana com discreta alta de 0,24% na leitura antecedente para 0,25%, com o grupo alimentos pressionando o índice, já que verduras, legumes e frutas vêm tendo o preço afetado por fatores climáticos.

 

As bolsas americanas continuam repercutindo os bons sinais “falados” de melhora da situação das instituições bancárias e operam positivamente, relegando a menor consideração os dados que a economia vem gerando, sejam eles bons ou ruins. A crença é de que a recuperação depende fundamentalmente da superação dos problemas no sistema financeiro e no crédito, por isso há exageros ao repercutir sinais precários positivos emitidos por instituições financeiras, até recentemente em situação pré-falimentar.

 

A BOVESPA está volátil afetada pelo comportamento de PETRO e VALE e pelos sinais externos.

 

O Departamento do Trabalho americano divulgou hoje o PPI (Índice de preços no atacado) de fevereiro com alta de 0,1%, ante expectativa de 0,4% e 0,8% de alta em janeiro. Em relação ao mesmo período do ano passado os preços caíram 1,3%, a maior variação negativa desde setembro de 2002. O ”núcleo”, contudo, subiu 0,2% em fevereiro, após alta de 0,4% em janeiro e ante a projeção de 0,1%.

 

Os “treasuries” de 10 anos estão apontando rentabilidade de 2,927%. O Euro vale US$ 1,2971. A Libra US$ 1,4007 e Yens 98,69 valem US$ 1,00. O petróleo está sendo cotado a US$ 47,50 o barril na Nymex.

Sidnei Moura Nehme
Diretor Executivo, Economista
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O Boletim FOCUS divulgado hoje contendo as medianas das projeções de 100 instituições financeiras….

O Boletim FOCUS divulgado hoje, datado de 13 de março, contendo as medianas das projeções de 100 instituições financeiras promove mudanças significativas em relação às antecedentes, alinhando-se melhor em relação ao cenário macroeconômico atual e prospectivo.

 

Para o IPCA, o revê para os próximos 12 meses de 4,45% para 4,34%, para o final do ano de 4,57% para 4,52% e o mantém para 2010 em 4,50%. É crescente a percepção de que este indicador, que é o oficial do governo para aferição da inflação, tenha uma tendência bem fundada de fechar o ano em 4,0%, abaixo da meta de 4,5% estabelecida pela governo.

 

Altera a projeção da SELIC para o final do ano de 10,25% para 9,75%, fato importante, mas já há indicativos que projetam a SELIC até abaixo de 9,0% ao final do ano, tendo em vista que o governo está dependente do uso ostensivo da política monetária, havendo pouco espaço para valer-se da política fiscal, que, contudo, seria bastante beneficiada pelo corte da SELIC, pois conseguiria compensar com a redução da conta juros sobre a DP a queda da receita de tributos, ocorrência certa face a perda de atividade da economia e a forte retração do PIB.

 

Promove brusca revisão para o crescimento do PIB 2009 de crescimento de 1,20% para tão somente 0,59%, alinhando-se com a percepção predominante, mas o crescimento do nosso PIB, em realidade, ainda é uma incógnita, visto que é muito dependente do próprio mercado interno do país, o que o difere da grande maioria dos países desenvolvidos e países emergentes.

 

Da mesma forma revê a produção industrial de retração de 0,04% para retração de 1,59%, que consideramos um dado prematuro e de pouca consistência nesta fase do ano.

 

Mantém a previsão do dólar para o final do ano em R$ 2,30, porém entendemos que  tende a fechar abaixo deste preço, pois a combinação de uma economia com menor atividade, mas detendo uma pauta de produtos diversificada nas exportações, com destaque para os alimentares, e também diversificada quanto aos destinos, que permite que mantenha um volume, ainda que menor, tem seguro superávit comercial, pois as importações tendem a cair. Por outro lado, as remessas financeiras de lucros e dividendos, que foram os vilões o ano passado do saldo expressivo deficitário tendem a forte retração este ano. E como ponto relevante, o país possui reservas cambiais para honrar a dívida pública e privada externas na sua totalidade, o que impede pressões de demanda, pois a autoridade tem como atendê-la de forma adequada.

 

Não vemos riscos de exacerbação da taxa cambial no Brasil como decorrência de corte substantivo na taxa SELIC visto que há uma queda também da inflação e a resultante taxa de juro real ainda resultará elevada no confronto com as taxas de juros dos países desenvolvidos que estão na sua grande maioria negativas e devem assim perdurar por muito tempo.

 

O IPC-S da FGV da 2a semana de março apresentou alta de 0,35% anterior para 0,37%, puxado pontualmente pelo grupo alimentação e especificamente frutas e hortaliças, muito afetados pelos problemas climáticos presentes.

 

O IGP-10 também da FGV voltou a registrar deflação de 0,31%, a despeito de ter detectado pressão no grupo alimentação no varejo, depois de ter registrado alta de 0,54% na leitura de fevereiro.

 

No mercado de câmbio os sinais de que o preço da moeda americana perde suporte acentuam-se e ainda não ocorre o esperado movimento contundente de “desmanche” de posições “compradas” líquidas dos investidores estrangeiros que especulam contra o real, que as reduziram de quinta para sexta tão somente de US$ 11,0 Bi para US$ 10,6 Bi. É bem provável que este quadro force os especuladores, sem instrumentos para reerguer os preços e sem demanda por “hedge” neste patamar de preço, e, ainda, na ausência de aumento de turbulências externas que, a rigor, não afetam o preço interno, mas são habilmente utilizadas como “pano de fundo” para dar ritmo a especulação, a objetivarem sair desta postura especulativa antes que vejam seus lucros serem mais reduzidos. Se isto ocorrer, a queda do preço do dólar poderá se acentuar fortemente.

 

As bolsas asiáticas operaram nesta segunda feita no patamar mais alto em um mês, face aos sinais positivos do setor bancário norte-americano ter estimulado uma ampla recuperação no apetite por risco dos investidores. As bolsas européias também operam em alta e as bolsas americanas também operam em alta, exceto a Nasdaq que apresenta volatilidade. A nossa BOVESPA opera em baixa, mas dá sinais de que pode reverter a alta.

 

O petróleo é cotado a US$ 44,45 o barril na Nymex, após a reunião da OPEP no final de semana ter decidido não impor corte na produção.

 

O presidente do FED, Ben Bernanke, fez declarações otimistas entendendo que a economia americana não sucumbirá a uma recessão e que vê sinais de recuperação já neste ano, mas parece mais anseio do que alinhamento com a realidade presente. A atividade manufatureira em NY teve novo recorde de baixa caindo para menos 38,23 neste mês de março ante menos 34,65 em fevereiro. A projeção era de um indicador de menos 32,0.

 

O Euro vale US$ 1,3026. A Libra US$ 1,4119 e Yens 98,39 compram US$. 1,00 e os “treasuries” de 10 anos apontam rentabilidade de 2,960%.

Sidnei Moura Nehme
Diretor Executivo, Economista
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Há sinais mais evidentes de que o preço da moeda americana no nosso mercado de câmbio à vista está perdendo o suporte …

Há sinais mais evidentes de que o preço da moeda americana no nosso mercado de câmbio à vista está perdendo o suporte dado pela contaminação direta do mercado de dólar futuro da BM&F, onde há um latente movimento especulativo que vem perdurando e mantido pelos investidores estrangeiros.

 

Estes investidores estrangeiros vêm mantendo posições compradas líquidas no mercado de cupom cambial e dólar futuro, que acumulam expressivos ganhos conquistados ao longo dos últimos 6 meses, porém, acabaram perdendo o “timming” certo para a realização destes ganhos, motivados por suas perspectivas de que o quadro brasileiro na área cambial viesse a sofrer agravamentos maiores decorrentes de crise cambial.

 

Como não há perspectivas efetivas de que o Brasil possa vir a ter problemas na área cambial, sendo que o país nunca teve um ambiente tão tranqüilo e bem defendido ao longo de inúmeras crises quanto desfruta na atual, não há demanda por “hedge” a este nível de preço de dólar, não havendo, portanto, estratégia para que desmontem suas posições compradas sem que no trajeto deixem parte dos lucros acumulados.

 

A queda da atividade econômica no Brasil identificada de forma precisa pelo PIB do 4o trimestre de 2008, negativo em 3,6%, e com os indicativos presentes de perda de atividade industrial expressiva, são propagadores de expectativa de volumes menores de importações, lucros e dividendos menores a serem pagos ao exterior, redução de gastos com turismo, etc. e assim, pressões menores de demanda no mercado cambial.

 

Os especuladores vinham usando como “pano de fundo” para implementar volatilidade e manutenção da artificialização do preço os “picos” de turbulência no exterior, que em termos efetivos não tinham conteúdo que pudesse afetar ainda os fundamentos da formação do preço da moeda americana localmente, visto que a grande “debandada” de investidores estrangeiros do país já ficou no passado recente, não sendo mais observado no momento presente, mas esta estratégia também se fragilizou e não há demanda por “hedge” pela moeda americana ao preço predominante ao longo dos últimos meses.

 

Estes especuladores ainda não deram início a grande debandada com zeragem de suas posições como se espera, mas já há sinais que estão buscando isto de forma discreta tendo em vista que no dia 9 detinham posições compradas líquidas no mercado futuro de dólar de US$ 12,5 Bi e ontem dia 12 haviam sido reduzidas a US$ 11,0 Bi, com uma interrupção no movimento de reversão na quarta-feira quando ocorreu a decisão relativa a taxa SELIC, pelo COPOM.

 

No nosso entender, com o cenário recessivo revelado pelo PIB do 4o trimestre de 2008, fragilizou-se ainda mais o suporte do preço da moeda americana fora do ponto, por isso, com este fator adicional, é possível que, agora, finalmente o dólar possa, ainda que lentamente e com volatilidade, buscar a sua realidade que está, acreditamos, entre R$ 2,00 e R$ 2,10.

 

No nosso entender o fato concreto do aviltamento do preço do dólar reside pontualmente nestas posições na BM&F, visto que consideramos que nenhuma sensibilidade real do mesmo em relação às turbulências externas, pois consideramos o ambiente cambial satisfatoriamente protegido e sem risco de crise cambial.

 

Merece consideração o fato do BC não ter realizado desembolso de linhas de empréstimos em moeda estrangeira para os bancos brasileiros, com a finalidade de prover-lhes liquidez para financiarem a rolagem de empréstimos externos vincendos de empresas brasileiras, sob a alegação comunicada ontem: “O BC não fará desembolsos por não ter recebido propostas formais”. Há posição efetiva de possível demanda da ordem de US$ 2,5 Bi neste momento, de uma demanda total estimada em US$ 36,0 Bi. Este é um quadro que merece uma avaliação mais detida das causas, se decorre simplesmente da burocracia envolvida que retarda a habilitação, ou se os custos propostos pelos bancos brasileiros estão desestimulando a rolagem na parte das empresas com base nestes recursos, ou se surgiram fontes externas com custos mais interessantes para efetivação destas rolagens, ou, se, face ao quadro presente, as empresas estão tendentes a liquidar suas operações.

 

Esta última hipótese se ocorrer implicará em aumento da demanda efetiva de dólares no mercado de câmbio à vista, afetando o fluxo cambial e provavelmente impondo que o BC realize pontuais leilões de dólares líquidos no mercado de câmbio à vista. Fica também a dúvida se o fluxo de saídas financeiras na 1a semana de março já não contemplou parte destes empréstimos em condições de rolagens.

 

O mercado de juro no “day-after” da SELIC sinalizou “acreditar” em novo corte na próxima reunião do COPOM da ordem de mais 1,5%, porém ainda perduram muitas dúvidas pela ausência de clareza no comunicado das autoridades pós-reunião, esperando-se que a ata do evento a ser divulgada na próxima quinta-feira possa conter melhor delineamento acerca dos fundamentos da decisão e que permitam uma visão prospectiva.

 

A boa notícia divulgada hoje veio do IBGE que apontou as vendas do comércio crescendo 1,4% em janeiro em relação ao mês de dezembro passado, que é um mês festivo e de grande demanda. Na comparação com janeiro de 2008 as vendas tiveram um crescimento de 6% e a receita nominal avançou 11,9% e nos últimos 12 meses o volume de vendas cresceu 8,7% e a receita nominal 14,7%. Contudo, é importante considerar que o desempenho de janeiro foi fortemente influenciado pelo aumento de 11,1% nas vendas de veículos e motos incentivadas pela redução do IPI.

 

No cenário externo busca-se uma onda de otimismo pelo fato do aumento da confiança dos investidores de que grandes bancos dos Estados Unidos conseguirão sobreviver à crise sem serem assumidos pelo governo e podem, até mesmo, gerar lucro. Estes sinais foram emitidos pelo Citigroup e BofA por “palavras” e, portanto, sujeitos a confirmação formal.

 

Chamou a atenção da comunidade financeira mundial a declaração do Primeiro Ministro chinês, Wen Jiabao, revelando preocupações em relação aos Estados Unidos: “ Já emprestamos muito dinheiro aos Estados Unidos. É claro que estamos preocupados com a segurança de nossos ativos” e “Para ser sincero, estou um pouco preocupado. Quero pedir aos Estados Unidos que cumpram sua palavra e seus compromissos, preservando a segurança dos ativos chineses.” Adicionalmente, a autoridade reiterou a meta de crescimento da China em 8,0% e afirmou existir condições para novos estímulos à economia visando alcançar o crescimento estabelecido para o PIB.

 

As bolsas asiáticas pelo indicador MSCI, que reúne as principais bolsas da região “Ásia-Pacífico”, exceto Japão, tiveram alta de 3,65% e a NIKKEI de Tóquio encerrou com alta de 5,0%. As bolsas européias, americanas e a nossa BOVESPA operam em alta.

 

Nos Estados Unidos foi divulgado pela Universidade de Michigan o índice de Confiança do Consumidor em março marcando 56,6 pontos, superior a expectativa que era de 55,0 pontos e maior que fevereiro quando marcou 56,3 pontos. O Departamento de Comércio também divulgou que o déficit comercial de janeiro ficou em US$ 36,0 Bi ante expectativa de US$ 38,0 Bi e sendo o menor desde outubro de 2002.

 

O petróleo está sendo cotado a US$ 47,10 o barril na Nymex, mantendo expectativa em torno da reunião da OPEP, que deverá avaliar possibilidade de redução na oferta e que acontecerá neste final de semana.

 

Os “treasuries” de 10 anos apontam rentabilidade de 2,929% aa. O Euro vale US$ 1,2929. Libra US$ 1,4036 e Yens 98,34 valem US$ 1,00.

Sidnei Moura Nehme
Diretor Executivo, Economista
NGO Corretora de Câmbio Ltda.
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Houvesse a reunião do COPOM ocorrido na semana passada poder-se-ia considerar como ousada a decisão…

Houvesse a reunião do COPOM ocorrido na semana passada poder-se-ia considerar como ousada a decisão do corte de 1,5% na taxa SELIC, reduzindo-a para 11,25%, contudo, realizada posteriormente aos dados recentes desta semana sobre o desempenho da indústria brasileira e, mais e principalmente, a preocupante desaceleração do PIB do 4o trimestre da ordem de 3,6%, que deve assegurar um “carry over” de efeito negativo de 1,5% para o PIB deste 1o trimestre de 2009, a decisão nos pareceu meramente previsível e sem nenhuma agressividade perante o revelado quadro macroeconômico presente.

 

Este momento, face ao cenário da economia brasileira, impõe atitudes agressivas de parte do governo e dos gestores diretos da política monetária, buscando transmitir ao setor produtivo um sentimento de comprometimento efetivo com a reversão do quadro pouco otimista instalado e que há efetiva preocupação em redirecionar a dinâmica da atividade econômica para um quadro de não recessão, visando crescimento a despeito da crise internacional.

 

Seguramente a decisão do COPOM não contribuiu para um impacto psicológico no humor dos empresários do setor produtivo, e deixou ainda um sentimento de alheamento à realidade ao tê-la feito de forma unânime por seus membros, e, sem compromisso com o futuro, embora, talvez pela primeira vez, tenha divagado pela avaliação macroeconômica do país, não abriu mão de focar prioritariamente a inflação.

 

O risco decorrente é que o país tenha uma “recessão técnica”, tida como bastante provável, ou mesmo uma recessão efetiva, ainda considerada improvável, num ambiente de inflação abaixo da meta de inflação do governo.

 

A impressão que perdura é de que falta alinhamento do BC/COPOM com as demais áreas do governo, pois já deveria ter iniciado os cortes na taxa de juro a partir de outubro, agindo de forma anticíclica aos aumentos de juros procedidos pelos bancos e focando suporte à atividade econômica, quando tiveram início as medidas de liberação de compulsórios e utilização correta das reservas cambiais para refluir crédito externo para os bancos repassarem aos exportadores.

 

Afinal, o mundo todo adotou rapidamente medidas visando a atividade econômica, certos de que os efeitos naturais da crise impactariam na dinâmica inflacionária, visto que a demanda agregada de forma generalizada sofreria forte retração. No Brasil, cujo PIB tinha forte participação do mercado interno e este estava estimulado por fácil e farto acesso ao crédito, que foi reduzido drasticamente pelo sistema financiador, não seria difícil considerar que a inflação tenderá ajustar-se à meta até independente de uma política monetária mais rigorosa.

 

Contudo, não nos passa desapercebido que há um fator importante que inibe ações mais contundentes e livres pelo COPOM, visto que a característica do Brasil, altamente endividado no curto prazo e dependente de financiamento com esta característica, torna o governo, que gasta mais do que arrecada,  um concorrente do setor produtivo na disputa pelo crédito. Reduções na taxa de juro SELIC poderiam tornar os títulos públicos menos atraentes e isto acabaria estimulando o crédito ao setor produtivo e uma efetiva pressão para redução dos “spreads”. Este pode estar sendo um fator impeditivo para que se desenvolva uma cultura de juro baixo no país.

 

Um corte de 2% nesta reunião certamente teria sido muito importante para o país, deixando evidente que as autoridades realmente estariam se alinhando a um esforço maior para recuperação da atividade econômica. Naturalmente, o efeito psicológico seria muito maior do que o fato em si.

 

Ontem, também foi divulgado o fluxo cambial da 1a semana de março e, a despeito de ter revelado déficit de US$ 676,0 MM, há alguns aspectos a serem melhor observados. As exportações mantiveram a média diária do mês de fevereiro (março: US$.590,0 MM fevereiro:US$ 582,0 MM), com uma elevação dos ACC´s em março para 30% das exportações ante 25% em fevereiro. Por outro lado, as importações recuaram na média diária de US$ 422,0 MM em fevereiro para US$ 339,0 MM em março, o que é um sinal bastante positivo e em linha com a perda de atividade da economia. A tendência é que tenhamos saldo comercial em elevação. Contudo, enquanto as saídas financeiras tiveram pouca variação, média diária de US$ 1,022 Bi em fevereiro para média diária de US$ 1,101 Bi em março, as entradas financeiras apresentaram queda, com a média diária de US$ 910,0 MM de fevereiro recuando para a média diária de US$714,0 MM em março. Em perspectiva, o quadro se revela tendente a positivo, visto que a queda da atividade econômica impacta provocando queda das importações, remessas de juros e dividendos e viagens internacionais, e já não há tantos recursos de investimentos estrangeiros no mercado financeiro tendentes à retirada do país.

 

No mercado de câmbio observou-se ontem forte volatilidade, havendo sinais mais consistentes de acentuação da tendência de queda do preço face a perda da atividade econômica que contribui para a diminuição das pressões de demanda e é sugestiva de que se consiga saldo comercial positivo, num ambiente em que não há riscos de crise cambial no país, já que detém reservas cambiais suficientes para cumprir todos os compromissos públicos e privados. Ontem o preço da moeda americana chegou a recuar a R$ 2,31 e posteriormente recuperou preço com esforços desenvolvidos no ambiente da BM&F pelos detentores de posições compradas no mercado de dólar futuro, que, contudo, não alteraram suas posições líquidas.

 

Cada dia fica mais difícil a manutenção da taxa cambial nos níveis atuais, já que não despertam atratividade para “hedge” e, embora o país sofra efeitos da crise internacional, estes estão distantes de afetar o ambiente cambial, que é absolutamente diferente em relação às crises internacionais anteriores.

 

Boa notícia em perspectiva é divulgada hoje pela FGV que através o Sinalizador de Produção Industrial de São Paulo, que apura em parceria com a AES Eletropaulo, projeta que deve ter ocorrido uma alta de 5,0% na produção da indústria paulista em fevereiro.

 

No exterior merece destaque a confirmação do Japão que o seu PIB caiu 12,1% no 4o trimestre de 2008, após revisão da medição anterior de 12,7%, em relação ao mesmo período de 2007 e no confronto 4o trimestre frente ao 3o trimestre de 2008 a queda foi de 3,2%.

 

Nos Estados Unidos o número de novos pedidos de auxílio-desemprego subiu 9 mil na semana passada passando de 645 mil para 654 mil nesta última semana e os pedidos contínuos atingiram novo recorde.

 

As bolsas asiáticas e européias operaram em baixa, enquanto as bolsas americanas operam em alta. A nossa BOVESPA repercute o quadro interno e opera em baixa. Os “treasuries” de 10 anos indicam rentabilidade de 2,901% e o petróleo é cotado a US$ 43,63 o barril na Nymex. O Euro vale US$ 1,2833. A Libra US$ 1,3807 e Yens 96,78 compram US$ 1,00.  

Sidnei Moura Nehme
Diretor Executivo, Economista
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