A rigor, o contexto da crise global não evoluiu para solução, mas…

A rigor, o contexto da crise global não evoluiu para solução, mas, cada qual, países ou regiões, procuram redefinir suas estratégias para conviver com este cenário sem melhoras, estabelecendo dinâmicas próprias focadas nos seus interesses diretos, buscando assim viabilizar perspectivas que possam amenizar os impactos negativos e criar atalhos para reativar suas economias.

Vimos, num passado recente, os Estados Unidos reduzirem o juro a parâmetro extremamente baixo e, em concomitância, acentuar a liquidez. Criou otimismos e impulsionou movimentos especulativos em inúmeros segmentos, desvalorizou o dólar tornando seus produtos mais competitivos no mercado externo, mas foi incapaz de fazer com que os recursos injetados fluíssem para a economia americana reabilitando-a e capaz de gerar renda e empregos. Repetiu-se com o “QE2” e acabou sendo mais do mesmo. Por fim, o que ocorreu foi a transferência da crise bancária para a dívidasoberana do país, elevando em muito o endividamento.

Na Europa, onde se discute muito e se resolve pouco e lentamente, o BCE, por fim e sem um apoio claro do Bundesbank alemão, resolveu repetir a tática americana, promoveu leilões de liquidez, comprou títulos dos países integrantes da eurozona extremamente fragilizados, viabilizou a rolagem dos títulos soberanos deste país atenuando a expressiva elevação do juro, combinando com corte no juro, reduzindo-o a 1% aa., criando a perspectiva de fragilização do euro ante o dólar, o que potenciaria a competitividade dos produtos da região no mercado externo.

Este fato começou a provocar um movimento ostensivo de especulação nos mercados futuros de moeda, promovendo a venda de euros contra dólares e moedas de países emergentes.

Os Estados Unidos, num “contra-ataque” do FED, anunciaram a extensão da manutenção do juro entre zero e 0,25% até 2014, e sinalizou que tem um “QE3” sobre a mesa para ser implementado, pois percebeu os movimentos do BCE e suas consequências.

Com isto, fragilizou em perspectiva o dólar ante o euro, buscando manter a competitividade de seus produtos no mercado externo.

Nova rodada está prevista, novo leilão de liquidez de dimensões idênticas ao anterior, em torno de Euros 500,0 Bi, provavelmente com novo corte do juro, possivelmente a 0,75% ou quem sabe, a ousado 0,50%.

Naturalmente, este deve ser o sinal para os Estados Unidos anunciarem o “QE3”, como reação, até porque o crescimento do PIB americano no 4º trimestre de 2,8% em 2011, abaixo da expectativa de 3,0%, dá força ao Presidente do FED ante os discordantes.

Briga de gigantes da economia mundial, sugere volatilidade e riscos acentuados aos especuladores.

No Brasil, o otimismo das projeções para o ano chamou a atenção por estarem fora do ponto, e isto ficou mais evidente quando ocorreu a percepção de que a queda de atividade no 2º semestre foi maior do que o esperado.

O BC estava alinhado com projeções otimistas, mas em intensidade menor do que eram propagadas pelo Ministério da Fazenda e a própria Presidenta Dilma, mas as sinalizações advindas do 2º semestre de 2011 passaram a preocupar e colocar em risco o crescimento do PIB 2012, a arrecadação, o superávit primário de 3,1%, geração de emprego e renda.

Nesta mais recente reunião do COPOM, parece que ocorreu o consenso de que é preciso focar mais o cenário interno, a exemplo do que ocorre por parte dos Estados Unidos e Europa e, à margem,conviver com a crise que é séria e não nos deixará incólumes a reflexos negativos.

Parece que cresceu a percepção de que não basta o fato de estarmos medianamente controlados na política fiscal, etc., para esperarmos fluxos de investimentos diretos, e, também para renda fixa e variável.

Há clareza que os investidores potenciais tendem a preservar a liquidez, buscando rentabilizá-la sem imobilização, dado o ambiente externo ter muitas incertezas, e, também pelo fato de não encontrarem atrativos no Brasil como perspectiva imediata de crescimento do PIB, etc.

Então, o Brasil, conjuntamente BC e propósitos declarados de governo, deixa evidente que irá implementar dinâmicas ousadas para não decepcionar, buscando estimular seu crescimento e atingir suas projeções, a ponto de tornar-se efetivamente atraente aos investidores, resgatando as perspectivas que estavam em risco.

No câmbio, o BC opera com a não intervenção, e o faz com extremo acerto.

Estando o Brasil em condições de captar empréstimos externos com grande facilidade, face àelevada liquidez presente no mercado global e seus referenciais de baixo risco, ocorre um forte movimento de captação por parte de empresas, bancos e o próprio governo, o que gera um forte fluxo cambial neste início do ano.

Diferentemente do passado, o BC não intervém no mercado de câmbio, deixando que o fluxo aprecie o real, levando os bancos a elevarem seus estoques de moeda à vista, e os levando a gerar liquidez no mercado futuro de dólar. Com esta atitude, deixa o mercado cumprir o seu papel, que lhe interessa neste momento, e com a oferta presente, faz com que as taxas do cupom cambial não sejam tão atraentes para arbitragens, que fomentam o ingresso de “carry trade”, que é um fluxo não desejável pelo país.

No passado, o BC comprava todo o excedente e além dele, secando a liquidez do mercado, deixando os bancos vendidos em suas posições, e assim a taxa do cupom cambial ficava atraente para arbitragens, que eram a causa efetiva da apreciação do real.

A apreciação do real, que vem merecendo “críticas” por parte do Ministro Mantega que, contudo,sabe bem o que causa, mas tem que manter a linha de defesa da indústria nacional, é conveniente para o país neste momento, pois funciona de forma mais rápida do que o juro como antídoto inflacionário, abrindo espaço para que o COPOM/BC reduza a taxa SELIC de forma agressiva como agora parece ser consensual em todas as áreas do governo, nas próximas reuniões.

O mercado de juro sinaliza 9,75% no primeiro momento, mas é bem possível que, se a estratégia articulada conseguir viabilização, com a crise externa contribuindo adicionalmente para o arrefecimento das pressões inflacionárias, que chegue a ousados 9,0%.

Com taxa de juro mais baixa, diminui a atratividade para as arbitragens especulativas, e tende a criar perspectiva que o PIB possa crescer um pouco além dos 3%, projeção de rigor atual, e então, reacender o interesse dos IED´s, que tendem a ser postergados em parcela substantiva se o cenário prospectivo não sofrer mudanças.

Com a retração da taxa cambial pelo menos no 1º trimestre ou pouco mais, a princípio imprevista,pois fora do contexto da estratégia do governo no primeiro momento, e melhora na perspectiva dos IED´s, desde que se evidencie possibilidade de crescimento maior do PIB, embora com piora nas perspectivas de balança comercial, já que estimulará mais as importações e menos as exportações, pode atenuar a alavancagem da taxa cambial, quando o fluxo cambial se evidenciar menos favorável, evitando que se exacerbe até R$ 2,20, mas, entretanto, deverá ficar acima de R$ 2,00.

São conjecturas, visto que ações e reações de política econômica não são uma ciência exata e há uma infinidade de vetores internos e externos que podem contribuir positiva ou negativamente.

Não podemos perder de vista que passamos para o exercício de 2012 com um saldo de importações a contratar câmbio de US$ 19,017 Bi, que impactarão no fluxo cambial.

Da mesma forma, se for proporcionar incentivos internos à indústria, que o governo não deixe de considerar que a indústria automobilística estrangeira aqui estabelecida, sempre reivindicadora de benefícios, foi o ramo que mais remeteu lucros em 2011, algo como US$ 5,58 Bi, tendo apresentado um crescimento de produção de somente 0,7% em relação a 2010, remeteu algo equivalente a US$ 1.647,00 por veículo produzido. Incentivos devem ser dados aos setores que precisam efetivamente.

E mais, que para o PIB crescer a demanda interna precisará estar aquecida, e este é um desafio e uma incógnita ao mesmo tempo.

O fluxo para a BOVESPA por parte dos estrangeiros é bastante intenso e direcionado, fortemente, para PETRO, parece acreditar que a mudança de direção na empresa possa viabilizar a recuperação da extraordinária perda de valor ocorrida no ano passado na Bovespa, mas é importante considerar que as altas ocorridas podem motivar movimentos de realização com a mesma intensidade. Para muitos entendidos em Bolsa, o que se presencia é pontual e não pode ser considerada tendência sustentável.

No dólar, pelo contínuo anúncio de captações externas que vêm sendo feito pelas empresas e bancos no Brasil, e, com o BC mantendo-se firme na estratégia de não intervenção, pode cair um pouco mais, até o ponto de afetar demasiadamente a taxa de juro do cupom cambial, o que não parece distante, por isso poderá ocorrer volatilidade.

Mas não podemos descartar que posturas mais agressivas no curto prazo poderão exigir correções no médio/longo prazos, como elevação do juro e elevação da taxa cambial no final do ano.

O que está presente claramente é a disposição do governo de dar um choque de otimismo na economia.

Vamos aguardar, parece que está mais fácil identificar-se a direção do que o momento.

Sidnei Moura Nehme, Economista.
DIRETOR EXECUTIVO
NGO CORRETORA DE CÂMBIO
www.ngo.com.br

O FED americano, em sua reunião de ontem, ratificou, embora com divergências entre os seus membros…

O FED americano, em sua reunião de ontem, ratificou, embora com divergências entre os seus membros, a manutenção das taxas de juros baixas atuais, e mais, agora até 2014 e não mais 2013. Adicionalmente, tornou-se explícita a adoção de meta de inflação de 2%, algo que assim já era entendida informalmente e agora foi confirmada, e ainda e principalmente, sinalizou a possibilidade de um “QE3” que já estaria “on the table”.

Pode causar estranheza, numa primeira leitura, estas colocações pelo FED num momento em que a economia tem sinalizado indicadores melhores, mas ao que nos parece, na realidade, é uma “resposta” à estratégia do BCE, que repetindo o que o FED fez anteriormente com o “Q1” e “Q2”, vem adotando ações fortalecendo de forma consistente a liquidez no mercado europeu, facilitando assim a rolagem das dívidas dos países econômico e fiscalmente fragilizados, combinando com cortes de juros, visando na ponta a desvalorização do euro para alavancar a competitividade dos produtos europeus no comércio exterior.

Vinha sendo observado nos principais mercados globais uma forte movimentação de venda futura de euro versus o dólar e moedas de países emergentes tendentes à valorização, já que a estratégia do BCE induzia a esta perspectiva de comportamento, embora no curtíssimo prazo ainda houvesse um ponto de resistência na relação Euro/US$ no entorno de US$ 1,30.

Ao abordarmos este assunto e pontuando esta estratégia do BCE prognosticamos o Euro caindo até US$ 1,20, mediana de preço do seu lançamento em 1999.

No primeiro momento, a reação do mercado de moedas aos anúncios do FED vem dentro da lógica, o dólar se desvaloriza ante as moedas fortes, chegando a US$ 1,3141 ante o Euro.

Nada de novo, afinal esperava-se que os Estados Unidos não assistisse passivamente a estratégia do BCE, especificamente no objetivo de fortalecimento da competitividade no mercado externo.

Neste quesito não há parceria, cada um olha só para os seus interesses.

Como temos salientado, todos pretendem vender mais e comprar menos, e isto faz com que aumentem as dificuldades dos emergentes para vender e os fortaleçam para comprar.

É importante observar o comportamento do mercado de moedas futuro, pois podem ficar em risco “os lucros certos” com a especulação contra o euro.

Sinalização de novo programa de estímulos, independente da sua eficácia e viabilização, é sempre recebida pelos segmentos do mercado financeiro com euforismo, afinal mais capital para ser desviado do objetivo primordial para o mercado, e, que na margem cria ambiente para valorizar as “commodities”, dentro do pressuposto de que as economias crescerão e aumentarão suas demandas.

Na realidade, um “replay” de cenário já assistido.

No Brasil, o governo emite sinais, não pelo BC mas pelo MF, a respeito da apreciação do real, mas na realidade parece haver uma notória diferença entre o discurso e a prática.

Entendemos que, o MF procura demonstrar, como deve ser o seu papel num cenário como o presente, preocupações com a apreciação e “a perda de competitividade”, algo que já deixou de existir desde muito, dos nossos produtos manufaturados no mercado externo.

Houvesse efetivo propósito de evitar, o BC já estaria realizando seus leilões de compra no mercado de câmbio à vista, exaurindo as sobras, mas tem praticamente acompanhado sem intervir, o que deixa evidente que este recuo do preço da moeda americana é benigno no sentido que exerce pressão anti-inflacionária consistente e de efeito rápido, viabilizando cortes na taxa SELIC, importante para estimular a economia, como objetivo primeiro, visando suplantar os pontos adversos que não sancionam a projeção de crescimento do PIB da ordem de 4,0% ou 4,5% do MF e nem mesmo os 3,5% do próprio BC, e que colocam em risco o superávit fiscal de 3,1% definido como meta pelo governo.

Certamente, o governo sabe que o ambiente externo nos beneficia para captação de empréstimos a taxas atraentes, mas que, a rigor, sugere que os investidores optem mais pela manutenção da liquidez do que a propensão a investimentos, o que sugere cautela com as projeções de IED´s neste ano, em que devem se acentuar, como já evidenciado em janeiro, a saída de lucros, dividendos, juros s/capitais e até certo volume de transferência de caixa, então forçar o mercado a deprimir a taxa cambial pelo excesso de oferta sem sua intervenção, apreciação do real, torna-se uma atitude defensiva, amortecendo os impactos que poderão advir de uma depreciação do real posterior.

O BC tem se mostrado bem a frente do mercado em suas análises prospectivas, e, tudo leva a crer que neste 2012 atuará de forma diferente no mercado de câmbio, não se esperando que ainda que retome os leilões de compra, o venha a realizá-los a ponto de comprar mais do que os excedentes, e com isto apreciar o real e como consequência estimular arbitragens especulativas com base numa taxa de juro proporcionada pelo cupom cambial.

É bastante provável que o BC mantenha os bancos relativamente comprados no mercado físico, dito à vista, comprando menos para que a liquidez deste mercado seja confortável, evitando assim necessidade de que tenha que eventualmente, em algum momento, ser levado a vender dólares ao mercado.

Os bancos poderão ser vendedores no mercado futuro, e isto contribuirá para liquidez naquele segmento, evitando pressões sobre as taxas do cupom cambial.

Ao que tudo indica, a formação do preço da moeda americana estará mais dependente do fluxo cambial, aliás como deve ser num mercado flutuante, e este naturalmente colocará as taxas nos devidos lugares. Inicialmente, apreciará o real repercutindo o volume da oferta e posteriormente, o depreciará gradativamente como reflexo da piora do fluxo, conduzindo-o a parâmetros acima de R$ 2,00.

O que o governo e o BC tinham que fazer já o fizeram, em especial quando coibiram a captação de empréstimos de curtíssimo prazo com ampliação do prazo e elevação do IOF, e com as normas contingenciadoras e tributárias no mercado de derivativos, que desde muito era quem fazia a taxa cambial no Brasil.

Não são necessárias medidas, o mercado, por si só, colocará as coisas no devido lugar. É só uma questão de tempo, pois como temos dito, tudo está sendo operado com visão de curtíssimo prazo e não nas perspectivas de médio/longo prazos.

Afinal, há movimentos por aqui e no exterior que não encontram fundamentos para justificá-los, outros virão com as perspectivas do “QE3”, mas o certo é que há uma crise considerável a nível global, sem que se vislumbre saídas imediatas, e esta sim é a realidade que deve ser mais focada, porque é verdadeira.

Sidnei Moura Nehme, Economista.
DIRETOR EXECUTIVO
NGO CORRETORA DE CÂMBIO
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Temos sido enfáticos em salientar que os inúmeros segmentos do mercado financeiro operam com visão de curtíssimo prazo…

Temos sido enfáticos em salientar que os inúmeros segmentos do mercado financeiro operam com visão de curtíssimo prazo, o que faz com que estejam presentes riscos consideráveis caso ocorram alguns movimentos rápidos de desmontes, deixando o lucro com poucos e os prejuízos com muitos, normalmente os que acreditaram que haviam tendências efetivas, que naturalmente, neste início do ano estão ausentes.

Tivemos oportunidade de destacou há já algum tempo, mas exatamente quando o novo presidente do BCE, Mario Draghi, alterando a estratégia de seu antecessor Jean-Claude Trichet, promoveu as reduções de 0,25% em duas oportunidades na taxa de juros até 1% atual, e na sequência foi realizado o leilão de liquidez de quase Euros 500,0 Bi, com forte demanda e pulverização entre os bancos europeus, de que estava em curso pelo BCE a repetição da dinâmica praticada pelo FED americano num passado recente.

Elevar a liquidez viabilizou o afrouxamento das dificuldades dos países da zona do euro, fragilizados em sua política fiscal, para rolar suas dívidas vincendas e promoverem novas colocações, poupando-os da prática que já estava presente de elevação abrupta das taxas de juros exigidas pelo mercado, que assim cederam. Não resolveu o problema, mas com esta conduta dá tempo para que os países se organizem coordenadamente para viabilizarem a retomada de controles que foquem as políticas fiscais.

Já anunciou para fevereiro nova rodada de leilão de liquidez, se bem que não deixou de adquirir títulos dos países mais fragilizados, e, embora tenha mantido a taxa de juro inalterada em 1% aa na última reunião, já sinalizou que continuará reduzindo.

Liquidez abundante da moeda + queda acentuada do juro resulta em desvalorização da moeda da região, no caso o Euro, trazendo o elemento complementar para alavancar a retomada da atividade econômica a partir do incremento da atividade exportadora, pois acentua a competitividade dos produtos da região no mercado externo.

Risco de pressões inflacionárias desta estratégia é uma possibilidade remota num ambiente quase em recessão de pressões inflacionárias, e, ao que tudo indica, este é o ponto discordante entre o Bundesbank, o BC alemão, e o BCE.

Ao termos abordado este assunto, prognosticamos a possibilidade do Euro recuar até US$ 1,20, no entorno da paridade média do seu lançamento em 1999, e, até demonstramos estranheza de que o Euro ainda mostrasse força para valorizar-se ante o dólar, em movimentos oscilantes, o que deixava claro que o mercado global estava focado no curtíssimo prazo, e não na perspectiva.

Hoje este assunto ganha “manchetes”, já que há grande movimento de formação de posições “vendidas” em Euro nos mercados globais, contra o dólar e outras moedas de países emergentes.

Num primeiro momento, atribui-se a operações de “carry trade”, agora, a partir de empréstimos em dólares como origem do “funding”, porém não necessariamente esta origem, visto que o “entesouramento” de recursos em corporações e fundos a nível mundial está sendo estimado em US$ 7,6 Trilhões. Ante a absoluta clareza do que o BCE pretende, podem estar sendo praticadas, a partir de recursos líquidos próprios em caixa, visando otimizar ganhos num processo de diversificação.

Desta forma, está sendo praticada, e em desenvolvimento pelo BCE exatamente o que foi praticado pelo FED americano, e, que o nosso Ministro da Fazenda, Mantega, viu e adjetivou como “guerra cambial”.

Evidentemente, este cenário sugere que o FED americano “contra-ataque”, pois confronta com os seus objetivos, também na mesma linha, porém como a economia americana está dando alguns sinais de melhora, há menos espaços para um “QE3” e o juro americano já está muito baixo, havendo até quem sugira que sofra discreta elevação, o que certamente não ocorrerá devido às circunstâncias.

Mas no caso do Brasil é preciso certos cuidados, o BC/MF “trancaram” o mercado de derivativos, local para especulações manipuladoras da formação da taxa cambial, o que tem de ser feito no exterior, e, ao forçar os bancos a estocarem dólares em suas posições à vista, pela ausência da presença com leilões de compra, num primeiro momento estimula a apreciação do real, baixa o juro do cupom cambial, mas na sequência torna-a arriscada e desaconselhável.

Nestes momentos é bom relembrar que o mercado de câmbio não é tão livre no Brasil, tem uma série de fatores de influência e normas restritivas, que não permitem liberdade bastante para fazer o que se gostaria de fazer.

Estamos num momento de intensa captação de empréstimos por parte de empresas e bancos, o Brasil é atraente para a locação dos recursos para rentabilização por parte dos estrangeiros.

Embora sempre “lembrado”, continuamos não acreditando que ingressem IED´s com o objetivo de rentabilizar recursos externos, o processo torna-se complicado para a desmontagem do IED efetivado e esta prática ficaria muito transparente.

Mas esta é uma fase pontual no ano que tem a característica dos ingressos, certamente menores do que os do 1º trimestre de 2011, que de curtíssimo prazo (91 dias) no mínimo, tiveram forte apelo especulativo, prática que foi coibida por normas e tributos.

Contudo, temos em perspectiva que os IED´s não serão volumosos para o Brasil, pois dependem menos da nossa atratividade e mais de decisões estratégicas dos investidores estrangeiros, que acreditamos, tendem a postergar as imobilizações de capitais e optar por manter a liquidez remunerada.

Da mesma forma, temos uma visão não otimista em relação ao saldo de balança comercial.

Os recursos que fluem para a BOVESPA deixam evidente um claro confronto de visão de investidor. Os estrangeiros já colocaram montante líquido de R$ 4,3 Bi até o dia 19, focando papéis como Petro, OGX Petróleo e Vale. Por outro lado, os investidores pessoa física, até aquela data, haviam retirado R$ 2,02 Bi e os investidores institucionais R$ 1,52 Bi. A rigor, não há fatores consistentes que induzam que a alta que vem se verificando seja sustentável, podendo ocorrer um movimento de realização de lucros.

O fluxo cambial menos intenso liquidamente poderá conspirar ao impactar na formação da taxa da moeda americana elevando-a no nosso mercado de câmbio, contrariando as “apostas” na apreciação do real interna e externamente.

Acreditamos que, gradualmente, os comportamentos internos dos ativos passarão da visão de curtíssimo prazo para uma perspectiva mais consistente a respeito do ano de 2012, e, a partir deste ponto, poderemos ter tendências efetivas, mais compatíveis com o cenário prospectivo.

Sidnei Moura Nehme, Economista.
DIRETOR EXECUTIVO
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O mercado financeiro chegou a especular sobre a possibilidade do BC ou o MF…

O mercado financeiro chegou a especular sobre a possibilidade do BC ou o MF vir a adotar novas medidas no mercado de câmbio, certamente, com o foco de evitar a deterioração da taxa cambial, partindo do entendimento de que a apreciação do real contraria os objetivos das autoridades.

Entendemos, contudo, que há formas mais explícitas e menos explícitas de agir por parte das autoridades, e, em alguns momentos, deve ser incisivamente ativo, e, em outros, habilmente passivo, provocando efeitos convenientes de forma pontual.

O momento é de fortes ingressos de recursos oriundos de captações externas de empréstimos, favorecidos pela excessiva liquidez em poder das corporações, fundos, etc.…. que, vêm optando por esta postura ante as relevantes incertezas presentes no cenário econômico do mundo global, que não estimulam e nem ensejam investimentos diretos, que envolvem a imobilização dos recursos.

Há dois aspectos que temos destacado. Com um entesouramento de liquidez num montante em torno de US$ 7,6 Trilhões no cenário global pelas corporações, fundos, etc..., os detentores destes recursos procuram rentabilizá-los e o Brasil detém condições referenciais que tornam atraentes os títulos emitidos por empresas, bancos de primeira linha e o próprio governo, para alocação destas disponibilidades.

Este fato está sendo aproveitado pelo Brasil, que assim está captando volumoso montante de recursos, com destaque para o início do ano, com acentuada tendência de ser um movimento pontual e que entrará em linha de declínio.

Contudo, por outro lado, há uma tendência à redução significativa da propensão aos investimentos diretos, não porque o Brasil não seja interessante embora esteja crescendo menos e seu mercado interno já não seja tão pujante quanto o foi em 2008/2009, mas pelo fato das incertezas presentes e persistentes na cena global recomendar a postergação dos investimentos que impliquem em imobilizações. Assim, o Brasil, que acentua a captação de empréstimos superando as expectativas, tende a sofrer uma retração dos IED´s, já que, isto depende de decisões estratégicas dos investidores externos que estão sendo postergadas.

Exportar também encontrará um mercado externo com elevada competitividade entre Estados Unidos, Europa e China, todos querendo vender mais e comprar menos, e isto, neutraliza sobremaneira incremento de nossas exportações. Quanto aos manufaturados praticamente não teremos condições competitivas e nos produtos primários, em especial “commodities”, o cenário externo sugere que poderemos ter reflexos nas demandas físicas e nos preços.

Assim, o Banco Central do Brasil ao verificar que o fluxo se intensifica com ingresso de empréstimos externos, adota a postura de não intervenção ausentando-se do mercado com os seus leilões, levando os bancos à estocagem de divisas, e, como consequência, a apreciarem o real.

Por isso, o real se aprecia e por esta razão é que não consideramos tendência e continuamos vendo a moeda americana em perspectiva com viés de alta.

A não intervenção do BC promove a apreciação do real, sabidamente não sustentável como tendência de médio/longo prazos, mas, certamente, retarda a ocorrência da valorização da moeda americana, o que a faz momentaneamente contributiva para contenção de pressões inflacionárias, e, em perspectiva, reduz seus impactos inflacionários, por retardá-lo no tempo, quando acentuar-se a valorização.

Estivesse a apreciação do real incomodando a autoridade, a primeira medida seria retomar os leilões de compra diários e com isto criaria um piso interferindo na oferta e demanda, já que os fatores especulativos do mercado de derivativos estão neutralizados pelas normas vigentes que envolvem tributação.

Tanto é que as posições mantidas por bancos e “hedge funds” no mercado de dólar futuro e cupom cambial-DDI vêm se mantendo inalteradas, com os bancos “vendidos” em ambas as pontas e os “hedge funds” em posições compensatórias “vendidas” e “compradas”.

Quebrando temporariamente as pressões inflacionárias com o dólar sem exacerbações para pressionar, o governo poderá até criar o ambiente para viabilização de um corte a mais de 0,50%, além do previsto para a próxima reunião do COPOM, conduzindo a SELIC até 9,50%, embora fique a perspectiva de ter, eventualmente, que elevá-la nas proximidades do final do ano.

Esta estratégia faz sentido para o que estamos presenciando neste momento, porém pode provocar que em perspectiva possamos ter movimentos abruptos de alta, na medida em que o fluxo cambial se torne adverso e pressione a taxa cambial.

O cenário global ainda tem a forte prevalência das incertezas, e muito embora esteja se tornando evidente a estratégia do BCE, com a repetência da tática americana de aumento da liquidez combinada com redução de taxa de juro, induzindo apreciação da moeda Euro para aumentar a capacidade competitiva dos produtos da região no mercado externo, e, com isto, reaquecer a atividade econômica, ainda perduram dificuldades em torno da Grécia para o fechamento do acordo com os credores privados, e, ainda faltam consolidar acordos formalmente para que o Euro tenha um processo mais disciplinado por parte dos países integrantes da sua zona.

Estados Unidos sinalizam melhora discreta, mas, certamente, postergará ao máximo qualquer mudança na sua estratégia atual e prática de juro baixo, pois favoreceria a Europa e perderia competitividade.

O Boletim FOCUS que reproduz as medianas das projeções de 100 instituições bancárias, indica que ocorre a percepção de queda da inflação, mantendo a indicação de SELIC a 9,50% ao final do ano e US$ a R$ 1,78, ao mesmo tempo em que mantém os IED´s com projeção de US$ 55,0 Bi, e eleva para saldo de balança comercial de US$ 19,10 Bi para US$ 19,60 Bi, e reduz a projeção para o déficit em transações correntes de US$ 66,45 Bi para US$ 65,90 Bi e também para o crescimento da produção industrial de 3,31% para 2,94%.

Continuamos entendendo que são projeções colocadas como de médio/longo prazo por apontarem comportamentos para o final do ano, mas extremamente pontuais e afinadas com visão de curto prazo, não sendo ainda sensibilizadas pelas perspectivas mais efetivas para o ano, a partir da complexidade do cenário externo.

Sidnei Moura Nehme, Economista.
DIRETOR EXECUTIVO
NGO CORRETORA DE CÂMBIO
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O mercado global conduz os negócios focando o curtíssimo prazo…

O mercado global conduz os negócios focando o curtíssimo prazo, portanto, não se baseia em perspectivas, mas em situações presentes, e, desta forma, fica sujeito a movimentos de volatilidade, que decorrem do estado de incertezas prevalecentes e que se renovam ou são requentadas, dado que muitas nunca deixaram de existir, tão somente foram relegadas, momentaneamente, a um segundo plano.

A Grécia, que está em situação caótica e quase inadministrável desde o início desta nova rodada renovada da crise iniciada em 2008, tendo pouco avançado para o equacionamento do absurdo desequilíbrio da sua situação fiscal, mesmo com a troca do comandante político, volta a ser o centro das atenções.

Economicamente o país é inexpressivo, mas, a preocupação da zona do euro e seus dirigentes é que não ocorra uma ruptura, fato que conspiraria contra todos os esforços que vêm sendo desenvolvidos até o momento, inclusive, depois de muita perda de tempo, tudo indica que o BCE encontrou uma estratégia que concilia a proteção para a rolagem das dívidas dos países fragilizados, eximindo-os do aviltamento das taxas de juros, proporcionando-lhes tempo para redefinição das políticas fiscais, ao mesmo tempo, que pelo incremento da liquidez foca dar estímulo à retomada das atividades econômicas via mercado exterior, ao induzir o euro à desvalorização, numa combinação com queda de juros.

Contudo, o BCE e seus parceiros geradores da liquidez querem, em contrapartida, o comprometimento formal dos países com o pacto fiscal acordado em dezembro, e isto pode resultar num quadro nem sempre exequível pelos países.

O desfecho, Grécia e credores privados, é esperado para hoje, tem bases definidas, porém precisa da formalização e aceitação, pois, caso contrário, o risco de “default” fica acentuado.

Portugal tende a ser o próximo país a ser focado, já que a sua situação vem se agravando, e como a situação da Grécia é mais emergencial, está na “lista de espera”.

Desta forma, o “estado de bipolaridade” presente no curtíssimo prazo fomenta volatilidade e não alivia as incertezas, mas o certo é que, qualquer fato mais acentuado negativo interfere no humor dos mercados, demonstrando o quanto é frágil o cenário atual.

Nada do que se percebe é tendência.

Na China, o PMI (Purchasing Manager´s Index) de janeiro, medida pelo HSBC, mostrou leve avanço em relação a dezembro, registrando 48,8 pontos ante 48,7 pontos antecedente, mas permanecendo abaixo de 50 pontos indica atividade econômica em contração.

Nos Estados Unidos, cujo sentimento mais recente indica que a economia pode estar ganhando melhor ritmo, não há comportamento diferente dos demais mercados, pois, qualquer fato menos favorável lá ou na Europa, desmonta o humor positivo e o coloca em reversão imediata.

No Brasil ocorreu um movimento de ingresso de recursos estrangeiros para a Bovespa da ordem de próximos US$ 1,5 Bi, nos 10 primeiros dias úteis do mês, e a este movimento se atribui a alta que vem sendo registrada, mas os posicionamentos dos estrangeiros nos inúmeros segmentos, deixa transparecer que pode estar ocorrendo à montagem de posições especulativas, combinando atuações no mercado à vista, com posições vendidas até descobertas no mercado futuro, etc., o que recomenda cuidado, pois, quando forem “desarmadas”, podem proporcionar ganhos para poucos e perdas para muitos.

Na realidade, os investidores nacionais estão menos eufóricos do que os estrangeiros, e este inusitado interesse pelo mercado acionário brasileiro pode ter características bastante especulativas.

No mercado de câmbio é notório que se não tivesse havido este volume inesperado de recursos para a Bovespa no curto período de 10 dias, o fluxo cambial estaria bastante apertado neste mês.

Mas ainda há recursos das captações externas de empresas para ingressar no mercado de câmbio, visto que alguma parcela já ingressou, pois o fluxo de ingresso financeiros nos 10 dias iniciais atingiu US$ 12,816 Bi, que foi exaurido por saídas de US$ 12,857 Bi. Naturalmente, no volume de ingressos já deve estar contido parte das captações anunciadas.

É preciso ficar atento, voltamos a salientar, pois quando os mercados locais deixarem de olhar o curtíssimo prazo, e, “levantarem a cabeça” para avaliar a perspectiva, já largamente comentada anteriormente, os comportamentos poderão ser alterados, até de forma abrupta, visto que não há fundamentos para a Bovespa com esta expressiva alta e nem para o dólar sendo depreciado da forma que esta ocorrendo.

Como já colocamos algumas vezes, é tempo de se olhar para a frente, temos uma crise que neutraliza a formulação de projeções a partir de visão retrospectiva.


Sidnei Moura Nehme, Economista.
DIRETOR EXECUTIVO
NGO CORRETORA DE CÂMBIO
www.ngo.com.br

Hoje é o dia de finalização da reunião do COPOM e definição da taxa SELIC…

Hoje é o dia de finalização da reunião do COPOM e definição da taxa SELIC, para a qual, consensualmente, o mercado financeiro espera um corte de 0,50% com redução para 10,50%. Também, não parece haver dúvidas quanto à ocorrência de redução de mais 0,50% na SELIC na próxima reunião ou até partilhada em duas de 0,25% nas duas próximas.

O ponto intrigante presente é sobre o “a partir deste ponto”, que não tem um consenso definido do mercado financeiro, e, acreditamos, nem mesmo por parte do COPOM e BC, propriamente dito, já que, nada do que se presencia no momento interna e externamente é definitivo ou indica tendência consistente e sustentável, visto que, há uma crise internacional que atinge inúmeros vetores de influência no comportamento da economia global, com repercussões inevitáveis, também, no Brasil.

O que efetivamente desperta as atenções são os comentários pós-reunião, notas, e atas das reuniões para que se possa ter a percepção sobre como a autoridade monetária está avaliando o contexto externo e interno, e, a partir daí então formular-se perspectivas e projeções mais fundamentadas.

O mercado financeiro, com ênfase para a Bovespa e, em especial, o mercado de câmbio, neste momento repercute o cenário presente de curtíssimo prazo , que não sugere que se formule tendências, fomentando um humor positivo estimulante aos negócios, mas que, certamente, esta um tanto afastado das perspectivas de médio e longo prazos, onde prevalecem ainda inúmeras incertezas que poderão não sancionar o sentimento atual.

Por isso, é preciso ficar atento, certamente “há perigo na esquina”, e por vezes é preferível “um não agora, quando tudo indicaria um sim ou vice-versa, e ficar vermelho, para não ficar amarelo no futuro”, como bem ensinam os mais experientes.

É preciso ficar vigilante quanto aos sinais que o mercado externo e interno emitem, analisar os números atuais, já que, temos pela frente um cenário prospectivo que pode não ter sinergia com o cenário retrospectivo, já que a crise tende a promover a ruptura das afinidades existentes entre o que aconteceu no passado recente e o que virá neste ano.

Por enquanto, após a semana inicial do ano, ocorre um bom fluxo cambial que permite que ocorra um movimento de apreciação do real frente ao dólar, e, que, como consequência, tira pressão sobre as taxas do cupom cambial que declinam, mas este é um momento pontual. Mas o fluxo financeiro está justo com entradas e saídas, prevalecendo o fluxo comercial, que pode não se sustentar.

Ontem, o volume de giro no interbancário já foi menos expressivo, praticamente a metade do que vinha sendo apurado nos dias anteriores recentes, e, já se notou alguma volatilidade no preço da moeda americana, em especial no mercado futuro de dólar que acabou fechando em alta de 0,05%, R$ 1,7955 para fevereiro, quando o mercado à vista ainda sancionou uma nova apreciação do real.

Fundada em razões e perspectivas detalhadamente expostas, temos mantido uma posição muito cautelosa a respeito das perspectivas para o fluxo cambial neste ano, antevendo níveis bem mais modestos do que os que vêm sendo projetados, o que promove a nossa convicção de que o preço da moeda americana terá ao longo do ano um viés de alta, que poderá  conduzi-la as proximidades de R$ 2,20 ao final do ano.

Na Europa, está cada vez mais evidente o que temos salientado desde o leilão ocorrido de quase Euros 500 Bi, o BCE promove liquidez farta direta e indiretamente, confrontando com o Bundesbank e com a própria Alemanha, que reluta em perder ampla influencia nas decisões da euro zona, e, desta forma está “bisando” o que o FED americano realizou nos Estados Unidos, que foi denominado de “Quantitative Easing”, com intensidade maior.

Como nem todos os bancos aderiram no primeiro momento à estratégia idealizada pelo BCE, este continua agindo, também, adquirindo papéis dos papéis soberanos dos países com maior dificuldade, juntamente com os bancos que aderiram, e isto impacta promovendo forte redução nos custos para os países mais fragilizados.

Em ação coordenada promoveu 2 cortes na taxa de juro, e, embora a tenha mantido inalterada na decisão mais recente, deverá dar sequência aos cortes, pois, a combinação das duas ações dentro da estratégia conduzirá o Euro à desvalorização, estimulando assim a competitividade dos produtos da região no mercado externo, e com isto, como salientamos ainda ontem, buscando evitar a recessão e dando tempo para que os países busquem definições para equilibrar suas políticas fiscais sem pressões do mercado para a rolagem das dividas e aviltamento dos custos. Por outro lado, alivia também a crescente desconfiança sobre as instituições do sistema bancário europeu.

Ocorre que, políticos e dirigentes da política monetária americana já perceberam e elevaram o tom das reivindicações, desde a semana passada, no sentido de que o FED promova nova rodada de estímulos a economia americana, contrapondo-se à estratégia europeia.

O que poderemos ter é um “confronto de interesses” de gigantes da economia global, procurando desvalorizar suas moedas para aumentar a competitividade no comércio , e na margem, estará a China, dependente também das exportações, com o seu “cambio livre administrado”.

O fato concreto é que os três precisam vender mais e comprar menos, Estados Unidos e Europa por necessidade imediata, e a China por estratégia comercial, já que é uma grande processadora de insumos primários em produtos acabados.

Os Estados Unidos e a Europa, em especial, estarão focando a reativação de suas economias, isto envolve investimentos e geração de emprego e renda, por isso, acreditamos que os investimentos em outros países, como por exemplo o Brasil, poderão ser postergados.

Esta visão prospectiva é que nos leva a convicção de que o fluxo cambial será menos favorável para o Brasil em 2012, e isto poderá colocar pressão altista na taxa cambial, mantidas as regras atuais que cerceiam o mercado de derivativos e inibem movimentos especulativos que podem artificializar o preço da moeda americana, como num passado recente.

Sidnei Moura Nehme, Economista.
DIRETOR EXECUTIVO
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Todos sabem que a crise europeia é muito grave!

Todos sabem que a crise europeia é muito grave! Isto foi reafirmado com ênfase ontem pelo Presidente do BCE, no Parlamento Europeu, em Bruxelas.

Diríamos grave e principalmente complexa! Há um “corner” que parece estar travando os avanços, pois, todos sabem que são necessárias reformas estruturais e um absoluto rigor na política fiscal para recuperação da capacidade de pagamento e recuperação da confiança e credibilidade, porém sabem também que adotada esta atitude, a consequência inevitável será a recessão econômica, exatamente o que precisa ser evitado e, pelo contrário, as economias precisam reaquecer o nível de suas atividades.

Como resolver esta situação complexa?

A rigor falta também uma efetiva liderança supranacional para ditar regras e ser respeitado, posição que o BCE não conseguiu assumir integralmente, já que tem na Alemanha, economia maior da eurozona, uma relutante “parceira” que deseja influenciar ao máximo nas decisões, e uma relutância dos demais países a possível intervencionismo não previsto na criação do Euro.

O BCE parece claramente procurar bisar o que o Estados Unidos realizou num passado recente, ou seja, incrementar fortemente a líquidez e com isto desvalorizar o euro, com o objetivo de dar competitividade aos produtos da região no mercado externo, alavancando a atividade econômica.

Após o leilão de quase Euros 500,0 Bi recente, com novo programado para fevereiro e com previsão de montante entre Euros 400,0 Bi a Euros 600,0 Bi com prazo de 3 anos, a partir de amanhã dará uma relaxada na sua política com a redução do compulsório dos bancos de 2% para 1%.

Embora, os recursos não estejam fomentando o objetivo do BCE, que seria destes bancos adquirirem papéis soberanos dos países mais pressionados ganhando exuberante diferença de taxa de juro, pelo contrário, estão sendo mantidos pelos mesmos em depósitos junto ao próprio BCE, a medida impacta pró-fragilização do Euro, combinada com a política de redução de juro que desestimula da demanda por euro.

Como o “desejável” pelo BCE não vem acontecendo, o mesmo continua sendo pressionado para comprar expressivos valores de títulos soberanos dos países que estão mais pressionados nas rolagens, estimada, segundo matéria de Assis Moreira no Valor de hoje, em 20% do PIB da zona do euro, algo como Euros 1,8 trilhões.

Houvesse adesão dos bancos ao idealizado pelo BCE, certamente os países mais pressionados conviveriam num ambiente mais favorável para realizarem a difícil equalização de ordenamento das políticas fiscais com um nível de atividade econômica não recessiva, alavancada pelo Euro desvalorizado fomentando a competitividade.

Como não tem obtido sucesso por esta via, parece que terá que ser forçado a atuar diretamente na rolagem dos títulos soberanos, fazendo o que os bancos não manifestam interesse em fazer, preservando a intenção de desvalorizar o Euro, o que poderá até desmentir como fez o FED americano, alegando que o objetivo não é este, e, como os bancos estarão com acentuada liquidez entesourada, diminuirão também as pressões sobre os riscos do sistema financeiro.

Num programa de 3 anos, prazo em que está gerando a liquidez, poderá “acalmar” os riscos imediatos e criar um horizonte para ir definindo as reformas estruturais inadiáveis que precisam ser implementadas.

Como o ritmo de decisões é lento na Europa e de implementação mais lento ainda, isto acaba conspirando contra o sucesso de uma ação ordenada, pois a situação dos países vai se agravando e mantendo forte e crescente a crise.

Seguramente 2012 não será suficiente para que algo desta magnitude seja implementada por falta de agilidade e aglutinação dos interesses, e, principalmente de liderança supranacional, mas, mesmo que desordenadamente, o aumento da liquidez de forma consistente por parte do BCE tende a criar um viés de desvalorização do Euro, e assim, deverá aumentar a capacidade competitiva dos produtos da região.

Na contra-ponta o Estados Unidos deverá reagir ante a apreciação do dólar ante o euro, podendo estimular que seja quebrada a relutância do governo americano em adotar um novo plano de estimulo a atividade econômica.

Este quadro poderá ser desfavorável para os países emergentes, salvo a China que administra sua moeda com foco em seus interesses, pois, tanto Estados Unidos quanto Europa estariam atuando de forma mais objetiva agora focando o comércio exterior e procurando desvalorizar suas moedas.

Se os emergentes não se defenderem, poderão sofrer a invasão dos produtos importados de forma mais acentuada do que já ocorreu, que substituirão os produtos nacionais, gerando um viés de queda do emprego e renda nestes países e alavancando o oposto nos desenvolvidos.

A reação da Europa e demais mercados à redução dos “ratings” de 9 países da eurozona promovida pela agência S&P, transpareceu indiferença, pois há bastante evidências sobre as dificuldades presentes, portanto, não se trata rigorosamente de um fato relevante, até porque as agências de “rating” também sofreram enorme desgaste conceitual a partir das imprecisões constatadas em 2008.  Complementarmente, a agência S&P rebaixou também o “rating” do Fundo Europeu de Estabilidade, de AAA para AA+.

Tanto é que a França colocou o total do leilão de títulos no valor de Euros 8,59 Bi a taxas discretamente mais baixas pós-rebaixamento do seu “rating”.

Hoje, o mundo global alavanca com base na divulgação do PIB 2011 da China que atingiu 9,2%, ante uma meta de retração projetada pelo governo para 8,0%, consolidando um montante de US$ 7,4 Trilhões. O crescimento anualizado no último trimestre foi de 8,9% acima das projeções de 8,7%.

Mas como disse o Prof. Langoni recentemente na revista Conjuntura Econômica, em matéria de Solange Monteiro, “o sistema financeiro chinês é pouco sofisticado, formado por bancos estatais ineficientes, que podem estar absorvendo um nível de inadimplência que ninguém sabe qual é” e “parte do endividamento das cidades chinesas não aparece nas contas oficiais, pois é disfarçada em corporações de investimentos que são as tomadoras dos empréstimos e as grandes candidatas a calote. Hoje a relação DP/PIB da China é de 20%, mas há quem afirme que ela é maior” ou ainda como salientou Samuel Pessoa, na mesma matéria “Na China 40% do PIB são investimentos; desses 60% estão concentrados na construção civil”. A matéria ainda destaca que é da construção civil que emerge outro problema: as dúvidas quanto ao real tamanho do déficit público do país.

O fato concreto é que os números da China são exuberantes, mas há vulnerabilidades e riscos acentuados de calotes, principalmente na construção civil onde os preços foram excessivamente alavancados e especulados.

Langoni ainda lembra “A transição não é simples, pois eles economizam muito, não têm previdência, e a poupança chega a uma taxa de 40% do PIB”.

Enfim, os números chineses são dantescos, mas há muito que se conhecer efetivamente do país, e certamente, há muito o que fazer para desenvolver seu mercado interno, o que o faz dependente das exportações e com Estados Unidos e Europa desacelerando bruscamente, não há como a China não perder ritmo de atividade econômica em 2012, e isto impacta também nos países emergentes.

Mas o mundo global precisa fomentar sinais positivos para reanimar-se e o fato estimula o otimismo, ainda que possa ser momentâneo, resultando em volatilidade posterior, mas assim seguem os negócios quando não há tendências fundamentadas.

Moedas oscilam, sobem e descem na relação entre si alternando-se dia após dia, e tudo acontece sem que, efetivamente saiba-se os porquês, até pelo fato de ninguém saber exatamente onde irá dar todo este complexo quadro da crise.

No Brasil, onde teremos amanhã conhecimento do fluxo cambial da 2ª semana do ano e estima-se que tenha sido positivo pelo ingresso de captações externas realizadas recentemente, os bancos aumentaram suas posições “vendidas” no mercado futuro de dólar e mantiveram estável no cupom-cambial DDI, totalizando US$ 10,2 Bi, supondo-se que não estejam mais “vendidos” no mercado a vista, e estejam estocando posição “comprada”, que estimule que operem apreciando o real.

Continuamos entendendo como um momento pontual, não alterando nossa projeção de que o viés da moeda americana no Brasil este ano será de alta.

Sidnei Moura Nehme, Economista.
DIRETOR EXECUTIVO
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Acentuam-se as incertezas já bastante generalizadas no mercado global…

Acentuam-se as incertezas já bastante generalizadas no mercado global, e, é crescente a percepção de que paira no ar um sentimento sobre “o que fazer e como reagir ante um cenário que só evolui o agravamento”, que não encontrou alternativa.

Hoje é feriado nos Estados Unidos, dia de Martin Luther King, e este fato parece oportunamente “dar um tempo” para reflexão sobre os reais efeitos do rebaixamento do “rating” da França e mais 8 países da eurozona pela agência americana S&P. Hoje a agência Moody’s manteve o “AAA” da França, mas salientou que a mesma esta sob vigilância.

Reações as mais diversas estão sendo verificadas. Lideres globais pediram que a Europa tome novas medidas para resolver a crise da divida e impedir seu aprofundamento. O Ministro alemão das Relações Exteriores sugere que a União Europeia crie suas próprias agências de classificação de riscos, como se isto fosse solução. O FMI, através do seu 1º vice-diretor gerente David Lipton, manifestou séria preocupação destacando “sem ação, a Europa será arrastada para uma espiral negativa de colapso de confiança, crescimento estagnado e menos emprego”.

O fato é que há muita morosidade no trato da crise e excesso de reuniões entre os lideres, sem que se alcancem definições concretas sobre o que precisa ser feito. Todos, a rigor, precisam apertar o controle fiscal, mas isto provocará recessão, que não contribuiria para a saída da crise.

No final de semana, a Grécia e seus credores privados não conseguiram chegar a um acordo sobre a troca de divida, que é considerada crucial para evitar a quebra do país. Como já contumaz nada se resolve e se coloca, como foi colocado, nova reunião, prevista para esta semana.

O BCE continua comprando títulos da França e da Itália, mas a expectativa do mercado global é sobre os resultados dos leilões programados para hoje, pós-rebaixamento do “rating”.

O Euro afunda e pode recuar a US$ 1,26, situação muito ruim para os Estados Unidos, bom comercialmente para a zona do euro, porém nem tanto para a Alemanha. Mantida a indefinição e ocorrendo uma nova redução da taxa de juro por parte do BCE, o Euro poderá vir a testar o US$ 1,20 proximamente.

Porém, há uma parcela do mercado europeu que procura não sensibilizar muito a reação as reduções dos “ratings” dos países, procurando operar mantendo certa indiferença, mas não deixando de penalizar pontualmente as ações de bancos.

Tudo leva a crer que, as perspectivas de recessão na zona do euro que estavam em 40% tendem a crescer, na medida em que não se vê progressos efetivos, até porque, o choque de liquidez promovido pelo BCE com o montante de quase Euros 500,0 Bi, acabou retornando aos seus cofres na forma de depósitos “overnight” dos bancos europeus.

Nos Estados Unidos, a valorização excessiva do euro estimula as discussões acerca de novos incentivos por parte do governo para incremento da atividade econômica.

No Brasil o centro das atenções é a reunião do COPOM nesta semana, quando se tem como certo o corte de mais 0,50% na taxa SELIC, reduzindo-a para 10,50%. Também não parece haver dúvidas sobre a futura redução para 10,0%, porém a partir daí observa-se muitas duvidas e incertezas, por isso há forte expectativa sobre a nota pós-reunião e a ata da reunião que será divulgada em 26 de janeiro, para buscar-se alguma “pista” mais consistente sobre o pensamento da autoridade monetária.

Está presente no mercado a perspectiva de que o governo venha a adotar algumas medidas de aperto fiscal mais rigorosas, para que não deixe de consolidar ao final do ano o superávit de 3,1%. Ao que tudo indica, á Presidente Dilma estará postergando as férias do Ministro Mantega com esta finalidade.

Como temos destacado, uma coisa é o discurso outra a atitude.

Hoje o BC divulgou o IBC-Br de novembro com avanço, mas, a alta para 2011 ainda é menor do que 3%. Na versão dessazonalizada o índice subiu 1,15% em novembro ante o mês anterior.

Contudo, na série sem ajustes sazonais, o índice continuou recuando pelo 3º mês consecutivo, ficando 0,16% abaixo do patamar de outubro. Nos 11 meses de 2011 o índice acumula 2,84% em relação a igual período de 2010.

O Boletim FOCUS do BC, que divulga as projeções medianas de 100 instituições financeiras, reduziu a projeção para o IPCA nos próximos 12 meses de 5,38% para 5,32% e do IPCA 2012 de 5,31% para 5,30%. No dólar um ajuste para cima ainda modestíssimo de R$ 1,77 para R$ 1,78 final de 2012. PIB com redução de 3,30% para 3,27%. Produção Industrial redução de 3,43% para 3,31%. Déficit em transações correntes elevação de US$ 66,40 Bi para US$ 66,45 Bi. Superávit balança comercial redução de US$ 19,40 Bi para US$ 19,10 Bi. Manteve entretanto a projeção para IED´s em US$ 55,0 Bi.

Nosso ponto de vista indica que estas projeções deverão sofrer abruptas mudanças ao longo do ano de 2012, na medida em que forem sendo percebidos os efeitos da crise internacional na nossa atividade econômica. Nas projeções relativas a fluxos cambiais e taxa de dólar acreditamos que os ajustes serão mais contundentes, na medida em que for ocorrendo o convencimento de que o fato do Brasil ter uma situação de menor desconforto do que os países que estão no epicentro da crise, é deles que dependemos para que as nossas projeções se tornem efetivas, e então haverá a percepção de que a visão otimista que vem sendo mantida depende da reação deles e não somente das nossas qualidades.

Por isso, continuamos vendo no contexto atual de taxa cambial um fato pontual e movido por circunstancias absolutamente momentâneas, com a convicção de que o viés do preço da moeda tende a ser de alta ao longo do ano.

Sidnei Moura Nehme, Economista.
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Bancos com posições “vendidas” nos vários segmentos no mercado de câmbio…

Bancos com posições “vendidas” nos vários segmentos no mercado de câmbio, à vista (estimados US$ 2,3 Bi em 6) e futuro (US$ 8,1 Bi ontem), encontram neste momento em que há melhora de oferta, sem intervenções do BC, oportunidade para promover cobertura das mesmas, de forma direta no à vista e indireta no futuro mediante acumulo no à vista, já que o futuro continua com baixíssima liquidez. Desta forma, impõe apreciação ao real diretamente a partir do mercado à vista, já que atualmente há mínimo espaço de manobra nos segmentos futuros.

O quadro atual é absolutamente pontual, e, como tudo o mais que vem ocorrendo no curto prazo, não revela tendência, já que, esta possibilidade está absolutamente neutralizada pela predominância de elevado grau de incertezas no cenário global.

Entendemos que há mais condições de construir-se gradativamente tendências em perspectiva de médio prazo, do que de curto prazo, o que provoca que prevaleça fortemente a volatilidade no comportamento do mercado financeiro global.

Em relação ao Brasil, temos tido opinião contraditória em relação a grande maioria de analistas, e, identificamos que este fato decorre objetivamente da formulação da contextura da análise.

Enquanto a maioria avalia o Brasil e seus pontos relevantes que se constituem em atrativos, temos focado mais detidamente a capacidade dos países estrangeiros em poder tornar efetiva a resposta positiva em relação ao Brasil e seus atributos. Neste ponto nos parece residir a formulação divergente de expectativas.

Fragilizadas fortemente as economias fortes em suas capacidades de fazer, face à magnitude da crise que assola o cenário global que as envolve, a partir do epicentro compartilhado de Europa e Estados Unidos, e considerando a grande dependência das demais economias desenvolvidas de ambos, e, ainda as repercussões colaterais na China, no nosso entender não são suficientes as qualidades e atratividades do Brasil, para se considerar que irá transpor este ambiente predominante sem ter repercussões como retração nos IED´s, fluxos para mercado acionário, maior dificuldade nas transações de comércio exterior, etc…..

Enfim, o Brasil está bem, com ressalvas, já que crescerá menos e tem fatores internos que precisam de vigilância e ajustes, mas no todo sendo um polo de atratividade, mas dependemos muito pouco de nós mesmos e mais da capacidade dos investidores externos.

Então, no nosso entender, é preciso focar mais intensamente no “status quo” das grandes economias que estão envolvidas de forma mais direta ou indireta na crise global, para com rigor analisarmos o que efetivamente podemos esperar com fundamento em suas capacidades atuais.

As grandes corporações estão detento formidável “colchão de liquidez” da ordem de US$ 7,6 Tri, mas, isto não quer dizer que estejam dispostos a investimentos diretos, possivelmente estejam  propensos a rentabilizar seus estoques de capitais adquirindo papéis soberanos ou privados de países como o Brasil.

As instituições financeiras da Zona do Euro vêm mantendo extraordinário montante de depósitos do tipo “overnight”, ontem atingiam o recorde de Euros 489,0 Bi, o que reflete o alto grau de desconfiança no mercado interbancário de crédito, marcado pelas pressões de financiamento contínuo do setor. Esta atitude conspira contra os objetivos do BCE, que é o de estimular a liquidez com seus leilões.

Embora os leilões de títulos realizados pela Espanha e Itália, inclusive o de hoje, possam ser considerados sucesso, até pelo fato da redução de custos, as manifestações do Presidente do BCE tem sido extremamente cautelosas.. Mario Draghi, presidente do BCE, que decidiu ontem manter a taxa de juro em 1% aa, mas deixou aberta a possibilidade de novos cortes, salientou que os indicadores mostram “sinais preliminares de estabilização da atividade em níveis baixos”, admitindo também que, “a economia envolvendo 330 milhões de pessoas nos 17 países que utilizam a moeda comum enfrenta riscos de deterioração substancial”, e, ainda “não é possível expressar uma opinião de confiança”.

O grande desafio da Europa e de sua Zona do Euro, é evitar a consolidação de um ambiente de recessão. A mescla de leilões de liquidez e redução do juro, bisando a estratégia americana, começa a dar resultados mensuráveis. As vendas externas cresceram 3,9% em novembro, com a fragilização do Euro.

Por outro lado, nos Estados Unidos, a economia continua gerando dados díspares que estimulam a volatilidade. Os pedidos de seguro-desemprego atingiram 399 mil na 1ª semana do ano, ficando acima da expectativa do mercado que era de 375 mil. As vendas do mercado varejista americano avançaram somente 0,1% em dezembro, decepcionando, visto que o PIB americano é fortemente dependente deste comportamento do consumo interno. Por fim, o déficit orçamentário de dezembro da ordem de US$ 86,0 Bi contrariou as projeções.

Internamente foca-se as projeções para a taxa SELIC. Consensualmente, a maioria dos analistas projetam um corte de 0,50% na próxima reunião. Mas há muitas duvidas sobre as decisões futuras do COPOM. Mostrando que na prática a teoria é outra, a grande maioria dos analistas do mercado financeiro consultados pelo jornal Valor, indica perspectiva ainda sugerindo que os cortes irão até 9,50% este ano, mas, na prática, o mercado de juro destaca que a convicção esta em 10,0%.

O comércio varejista indica pelos dados mais recentes, que o crescimento em 2011 deve ter ficado entre 6,5% e 7,0%, com um dezembro abaixo das expectativas, e distante dos 10,9% apurado em 2010, e, é bastante factível que desacelere um pouco mais neste 2012.

Este dado fortalece a perspectiva de que, existem atualmente condições menos favoráveis para dinamizar o consumo do que no período agudo antecedente desta mesma crise.

Continuamos com a percepção consistente de que a propensão ao consumo atual é cadente, havendo preocupações da sociedade com o endividamento e a inadimplência.

Face ao exposto, continuamos com a nossa visão prospectiva de um fluxo cambial menos favorável para o Brasil, por isso entendemos que haverá pressão altista sobre o preço da moeda americana ao longo do ano.

Sidnei Moura Nehme, Economista.
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Visto isoladamente somente como o saldo do fluxo cambial da 1ª semana de 2012…

Visto isoladamente somente como o saldo do fluxo cambial da 1ª semana de 2012, o valor negativo de US$ 707,0 M pode ser considerado irrelevante, a despeito de ser atípico para este período do ano frente anos antecedentes.

Contudo, analisado num contexto mais amplo merece consideração mais relevante, visto que, confirma a tendência constatada no 4º trimestre do ano passado, quando os saldos do fluxo cambial foram sempre negativos.

Evidentemente, poderá acontecer alguma recuperação pontual, movida por captações externas que estão sendo anunciadas por empresas aqui sediadas, mas que poderão simplesmente mascarar momentaneamente a tendência que vem se revelando sustentável do país ter fluxo cambial desfavorável neste 2012.

Como salientamos anteriormente, no ano de 2011 que revelou fluxo cambial positivo de US$ 65,0 Bi, foi agregado em 2011 o “saldo de restos a receber liquido de fluxo comercial de 2010” da ordem de US$ 21,0 Bi e foi deixado para 2012 o “saldo de restos a pagar liquido de fluxo comercial de 2011” da ordem de US$ 14,0 Bi. A análise criteriosa do fluxo deixava consistente uma redução de US$ 35,0 Bi dos “brilhantes” US$ 43,0 Bi de saldo do fluxo cambial comercial em 2011. Da mesma forma, o ingresso de capitais especulativos largamente ocorridos no 1º trimestre de 2011, posteriormente contido pelo governo através a expansão do prazo e incidência de IOF, é que garantiu o saldo positivo de US$ 21,0 Bi no fluxo cambial financeiro, que na realidade nos últimos 3 trimestres do ano, em regra, foram negativos de US$ 10,0 Bi, pois se havia realizado US$ 31,0 Bi até março de 2011 e fechado o ano com US$. 21,0 Bi, naturalmente perdeu nos 9 meses restantes algo como US$ 10,0 Bi.

No ano de 2012 já começamos com os “restos a pagar comercial liquido de US$ 14,0 Bi”, e, embora o mercado internacional tenha se mostrado favorável à colocação de papéis brasileiros, não trabalhamos com visão otimista quanto ao ingresso de IED´s, fluxo para a BOVESPA e saldo de balança comercial.

Os fatos novos que vem surgindo conspiram contra o otimismo.

A crise externa centrada na Europa e Estados Unidos se agrava e não encontra boas definições para saída que não seja longa e com efeitos drásticos, o que neutraliza a capacidade de recuperação da economia japonesa e coloca muitas duvidas sobre o comportamento efetivo da economia chinesa, que tem grande peso sobre o comportamento dos preços das matérias primas.

No ano passado os Estados Unidos fizerem grande introdução de liquidez e baixaram o juro até o extremo, isto como reflexo natural e técnico no mercado internacional fragilizou o dólar, e, em tese, aumentou a capacidade exportadora dos Estados Unidos. Mas ainda assim, nos picos de agravamento da crise os T-Bills americanos, tendo à margem o ouro, continuaram sendo o “refúgio” de segurança para os investidores de todas as partes.

A isto, o nosso Ministro Mantega, cunhou a denominação de “guerra cambial”, que nos pareceu denominação muito forte, visto que, era consequência de uma estratégia que não tinha, objetivamente, a finalidade de aumentar a competitividade exportadora dos Estados Unidos e encarecimento dos produtos importados, mas sim focava, em primeira instância, estimular a economia do país, onde o consumo interno representa 70% do seu PIB.

Agora, a Europa, através o BCE, tende a repetir os Estados Unidos, fazendo leilões de liquidez e baixando a taxa de juro, o que na medida em que se repetir, provocará a fragilização do euro e, naturalmente, tornará o produto europeu mais competitivo, enquanto onerará o produto importado.

Hoje o BCE manteve a taxa de juro, mas será uma questão de tempo proceder a novas reduções, valendo destacar que no final de fevereiro patrocinará novo leilão de liquidez a prazo de 3 anos.

A ameaça de recessão, certamente levará o BCE a otimizar suas atitudes perante o mercado financeiro europeu.

O Ministro Mantega ainda não “atirou” na direção da Europa, alcunhando a estratégia como “guerra cambial”, pois o fato está presente e vem causando a queda do euro, que tende a se acentuar na medida em que os leilões se repetirem e ocorrer cortes na taxa de juro.

Enfim, a China já não está só, cada um está fazendo à sua moda e possibilidades, o ajuste defensivo da sua competitividade.

A nossa “parceira” Argentina já demonstra que está vigilante e não se preocupa em romper contra toda e qualquer regra a qual tenha se comprometido com o Mercosul. A partir de 1º de fevereiro, os importadores argentinos com volume superior a US$ 500 mil, deverão solicitar autorização prévia ao governo para poder tornar efetivas suas importações. Controle absoluto, buscando proteger um focado saldo de balança comercial da ordem de US$ 10,0 a US$ 12,0 Bi em 2012, e também revitalizar o seu saldo de reservas cambiais fortemente reduzidos em 2011.

A Rússia continua vetando a carne bovina brasileira, e agora, os Estados Unidos, que já havia postergado encomendas à Embraer, sinaliza bloqueio da nossa exportação de suco de laranja.

Nada tende a nos surpreender, visto que, desde muito vimos destacando o crescimento da tendência de que “todos pretendem vender mais e comprar menos”, e isto vai ganhando corpo com medidas objetivas e indiretas. E como sempre salientamos, esta equação não fecha, pois alguns perderão.

O contexto do cenário que tende a se formar para 2012, não sugere que o Brasil seja a “estrela da companhia”, recebendo forte volume de investimentos diretos e também direcionados para renda variável e fixa. Nada indica que conseguiremos ultrapassar com facilidade as barreiras que o comércio exterior estará criando focadas nos interesses de cada país ou região.

Por isso continuamos observando que, a tendência de queda do fluxo cambial para o Brasil vai se fortalecendo em perspectiva, e, embora a nossa taxa de juro continue elevada já não despertará grande atratividade aos investidores externos, que poderão buscar segurança em detrimento da rentabilidade.

Por outro lado, observa-se que a Bovespa neste ambiente não deverá despertar grande interesse aos investidores estrangeiros, pois, o crescimento do PIB brasileiro continuará na linha de 2011 e os papéis ligados a “commodities”, que são maioria, devem apresentar forte volatilidade mantendo um viés de baixa.

Grandes fundos que operam em bolsa, e que historicamente realizam bons ganhos, estão se posicionando “vendidos”, o que é sinal claro de que não projetam otimismo com a Bolsa, e, na realidade podem até estar alavancando as altas mais recentes.

Todo este complexo cenário é que fortalece a nossa percepção de que o Brasil terá um ano bastante apertado no fluxo cambial, com naturais reflexos na formação da taxa cambial.

No nosso entender, não se pode deixar influenciar por movimentos pontuais que provocam à volatilidade na taxa cambial que se verificou esta semana, muito atrelada a postura defensiva de posicionamento presentes no mercado de câmbio, razão pela qual temos procurado desenvolver uma projeção mais longa, consubstanciada em perspectivas factíveis.

Agora estamos num momento pontual, que não evidencia tendência, já que, bancos posicionados “vendidos” apreciam o real ante a entrada pontual de recursos externos de forma a comprar cobertura a preço mais favorável, num típico movimento de câmbio flutuante.

Nossa visão é que, em perspectiva, o fluxo se consolide negativo como tendência, e disto decorre a nossa projeção de uma taxa cambial próxima de R$ 2,20 ao final do ano.

Sidnei Moura Nehme, Economista.
DIRETOR EXECUTIVO
NGO CORRETORA DE CÂMBIO
www.ngo.com.br

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