O mercado de câmbio futuro na BovespaBM&F está com baixíssima liquidez e este fato inviabiliza que …
O mercado de câmbio futuro na BovespaBM&F está com baixíssima liquidez e este fato inviabiliza que os bancos que demonstram interesse em reduzir suas posições “vendidas” neste segmento, já que estão “comprados” em volumes menores no mercado de câmbio à vista, consigam consolidar este objetivo, e, assim, como são os detentores únicos das posições no mercado à vista, atuam visando conter as pressões no sentido de apreciar o preço da moeda americana, até que consigam consolidar o propósito.
Aparentemente, os bancos foram surpreendidos pela mudança de comportamento do BC nos seus leilões de compra diários, que desde a semana iniciada em 13 passou a retirar do mercado volumes menores do que o excedente do fluxo cambial, não possibilitando que os mesmos reconstruíssem suas “posições vendidas” no mercado à vista, e isto, foi uma sinalização técnica de que o preço da moeda americana ganharia suporte e um viés de alta.
Surpreendidos, até porque manifestaram confiança de que o BC retomasse a dinâmica de comprar do mercado mais do que o excedente do fluxo cambial, permitindo assim que restabelecessem posições “vendidas” no mercado de câmbio à vista, e, a partir das mesmas restabelecessem também o movimento de artificialização do preço do dólar recolocando o real em rota de apreciação. O indício que operaram com esta convicção em relação a atuação do BC se manifestou pelo fato de terem aumentado suas posições “vendidas” no mercado futuro, enquanto se tornavam “comprados” no mercado à vista, certos de que o BC voltaria a realizar seus leilões com a dinâmica antecedente, o que não ocorreu, pelo menos, até o momento.
Com a atuação do BC nos leilões de compras, agora mais técnico e limitando-se a retirar o excedente ou menos, cessa a perspectiva de que o preço da moeda possa ser mais depreciado de forma sustentável, portanto, criando suporte e estabelecendo viés de alta, e, isto impõe que os bancos cubram as posições a descoberto no mercado futuro, contudo, como a liquidez é baixíssima naquele segmento, o processo será longo e gradual, o que faz com que os bancos atuem procurando inibir o movimento de recuperação de preço, visando assim prover a cobertura com preços baixos a ponto de que possam consolidar ganhos.
Afora os impactos puramente “psicológicos” de curta duração, a formação do preço da moeda americana é praticamente inelástica frente à criação de tributos ou a introdução de medidas normativas cambiais que desloquem fluxos para o Brasil, que entendemos mais como aperfeiçoamentos das assimetrias ainda existentes do que potenciais influências na contenção da apreciação do real.
Como temos salientado, tanto o IOF quanto eventuais medidas normativas, poderão ter impacto no volume do fluxo, mas como temos o BC atuando na esterilização dos excedentes do fluxo, tanto faz o fluxo ser reduzido ou aumentado, envolvendo somente em conseqüência menores ou maiores volumes a serem comprados pelo BC.
Mantendo-se o BC com a sua dinâmica de retirar do mercado volumes inferiores ao superávit do fluxo cambial, a recuperação do preço da moeda americana ocorrerá na medida em que os bancos consigam cobrir suas posições “vendidas” no mercado de câmbio futuro.
O problema da excessiva apreciação do real no mercado de câmbio brasileiro é unicamente técnico-operacional, no caso do BC com seus leilões de compra no mercado à vista, sendo todas as demais medidas ineficazes quanto ao objetivo primário de apreciar o dólar, embora possam trazer o benefício de aumento de arrecadação para o governo num momento de queda de arrecadação ou o aperfeiçoamento normativo das transações de câmbio eliminando assimetrias ainda presentes.
No nosso entendimento o ponto de equilíbrio do preço do dólar ainda é na faixa de R$ 1,80 a R$ 1,85.
Sidnei Moura Nehme
Diretor Executivo, Economista
NGO CORRETORA DE CÂMBIO
www.ngo.com.br

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