O fluxo cambial da 1ª quinzena de novembro, divulgado ontem pelo BC, evidenciou que na 2ª semana o BC voltou a retirar dólares do mercado em volume menor do que o fluxo.
O fluxo cambial da 1ª quinzena de novembro, divulgado ontem pelo BC, evidenciou que na 2ª semana o BC voltou a retirar dólares do mercado em volume menor do que o fluxo, e este é um sinal positivo de que, a despeito do ocorrido na 1ª semana, a autoridade monetária parece tendente a não incorrer no erro de estratégia que vinha cometendo até o dia 13 de outubro passado, quando vinha retirando do mercado volumes maiores do que o fluxo cambial, e, com isto acabava por criar posições “vendidas” nos bancos e, estes, a partir desta situação acabavam desenvolvendo movimento especulativo focando a apreciação do real para tornar favorável a variação cambial, já que utilizavam estas posições “vendidas” para realizar interessantíssima captação de reais a custo baixíssimo.
Com este posicionamento de não interferência além do razoável pelo BC no mercado de câmbio, o preço da moeda americana tende a manter o suporte do preço em R$ 1,70 com viés de alta e gradualmente apresentar recuperação direcionando-se a R$ 1,80, embora, com ocorrência de baixa volatilidade.
A 2ª semana apresentou fluxo cambial positivo de US$ 2,107 Bi suficiente para reverter o fluxo cambial da quinzena em positivo de US$ 720 MM, após ter registrado negativo de US$ 1,388 Bi na 1ª semana.
As exportações contratadas apresentaram discreta melhora na 2ª semana e atingiram US$ 3,216 Bi, porém acentuadamente ainda prevalecem as contratações de dólares que estavam represados no exterior e que corresponderam a 49% do volume, enquanto negócios novos com demanda de ACC´s representaram tão somente 18% e com pagamentos antecipados 33%. O estoque de dólares represados no exterior até o final de outubro estava acima de US$ 11,0 Bi, porém como há um prazo para assim sejam mantidos, as contratações devem ocorrer mesmo que o momento não seja atraente para o exportador.
Continuamos com a convicção de que o preço da moeda americana recuperará seu preço de equilíbrio na medida em que os bancos, únicos “vendidos” no mercado de dólar futuro especificamente, consigam reduzir suas posições “vendidas” na BM&F, que caíram ontem de US$ 4,6 Bi para US$ 3,6 Bi. Com o BC dando evidência de que não tende a incorrer no erro de provocar “posições vendidas” nos bancos no mercado à vista, que lhes dava poder de manobra especulativa pró-apreciação do real, fica evidente, como salientamos, que o preço da moeda americana ganha suporte e viés de alta, e embora os bancos estejam buscando “administrar” o preço até que consigam cobrir-se no mercado futuro, está bastante evidente que com o preço deprimido não haverá liquidez para que alcancem o objetivo. Assim, é necessário deixar o preço ir subindo para que a liquidez no mercado futuro se recupere e então reduzam ou zerem as ditas posições “vendidas”.
Na sequência, com o BC deixando os bancos “comprados” no mercado à vista, ao comprar com os leilões volumes menores do que o fluxo, a tendência da recuperação do preço da moeda americana ganhará consistência.
Este cenário é de estratégia sobre o foco que causou o desalinhamento do preço em relação ao seu ponto de equilíbrio, que acreditamos R$ 1,80, já que abaixo deste preço o mercado futuro de dólar perde liquidez, e esta é a sinalização do preço razoável.
E, que não se atribua à mudança de comportamento a tributos implementados pelo governo e nem por normativos, que serão bem vindos se direcionados a eliminar assimetrias ainda presentes, mas que reconhecidamente terão, sejam quais sejam, baixo impacto na formação do preço da moeda americana.
O mercado de câmbio flutuante sugere as forças de oferta e procura prevalecendo, e, no Brasil admite-se que o BC retire montantes de dólares do mercado de câmbio dentro dos parâmetros do excedente do fluxo cambial, porém nunca maiores.
Este é um sistema de câmbio recomendável para os países que adotam regime de metas para controle de inflação, mas impõe alguns pré-requisitos que o Brasil ainda não detém, como poupança interna/riqueza para absorver estes excedentes de fluxo e juro mais equânime com os prevalecentes no mercado externo, de forma a não fazer da moeda objeto de especulação.
A nova medida de IOF sobre as ADRs nos parece meramente arrecadatória e sob o “manto” de corrigir distorção de tratamento entre o investidor nacional e estrangeiro, porém, para tanto, deveria ser também de 2% e não 1,5%. Não é incentivadora e nem fomentadora de apoio ao mercado acionário brasileiro, pois se fosse este o objetivo, deveria impor o tributo as ADRs e isentar os ingressos no Brasil para IPO´s, o que faria convergir para a BOVESPA a totalidade do volume dos lançamentos.
Em termos de impacto na formação do preço da moeda americana no nosso mercado de câmbio é praticamente nula, e, nos parecem absolutamente errática as “manchetes” de que o preço do dólar esteja apresentando melhora como reflexo da nova medida.
Há efetivamente, estratégias possíveis a partir de complexa engenharia financeira para que investidores estrangeiros não sejam atingidos pelo tributo, e, a nova tributação naturalmente vai coibir parte das mesmas. Porém, são mais complexas do que empréstimos “intercompany”, pois estes realizados a prazo inferior a 91 dias estão sujeitos a IOF de 5,0%.
Contudo, neste momento, já há muitas incertezas se a BOVESPA vai conquistar os 70.000 pontos até o final do ano, e, dada à expressiva valorização ocorrida no ano, não pode ser descartado movimento de realização de lucros com a proximidade do final do ano. Na renda fixa os “espaços” para rentabilidade confortável já não são tão atraentes e impõe cuidados por parte dos investidores e o IOF acaba por determinar a necessidade de aplicações mais longas.
Ante este cenário, é bastante provável que a curva de ingressos de investimentos estrangeiros direcionados para renda fixa e variável seja tendente a queda neste período até o final do ano.
Sidnei Moura Nehme
Diretor Executivo, Economista
NGO CORRETORA DE CÂMBIO
www.ngo.com.br

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